Foi só nas décadas de 1950 e 1960 que a indústria de cosméticos realmente se expandiu. Ainda assim, a inclusão de tonalidades adequadas para pele negra era negligenciada (Imagem ilustrativa/Pexels) Este é um tema essencial, mas que ainda provoca incômodo e resistência. Para entender a situação, voltemos no tempo. A maquiagem começou a ser comercializada no Brasil de forma mais significativa nos anos 1930, com a chegada de produtos importados e o surgimento de marcas nacionais. No entanto, foi só nas décadas de 1950 e 1960 que a indústria de cosméticos realmente se expandiu, popularizando a maquiagem entre as mulheres brasileiras. Ainda assim, a inclusão de tonalidades adequadas para pele negra era negligenciada, e muitas mulheres negras precisavam adaptar produtos que não contemplavam seu tom de pele. Esse cenário começou a mudar lentamente nas décadas seguintes, com o aumento da conscientização sobre diversidade e inclusão no mercado de beleza. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mundialmente, marcas lançavam apenas 4 a 8 tonalidades de base, o que era considerado suficiente. Muitas mulheres passaram a evitar o uso de base, pois não encontravam sua cor e tinham que improvisar com “misturinhas”. Um marco de inclusão importante ocorreu em 2017, com o lançamento da linha Fenty Beauty, da cantora Rihanna, que ofereceu 40 tonalidades de base. Essa linha atendeu a diferentes tons de pele, incluindo aqueles que costumavam ser ignorados, e motivou outras empresas a ampliar suas gamas, levando a diversidade em consideração. Desde então, o mercado nacional avançou: Bruna Tavares lançou 30 tonalidades de base e, há pouco tempo, Bianca Andrade trouxe uma linha com 50 tons ao mercado brasileiro. Mas, recentemente, um lançamento nacional reacendeu a discussão sobre inclusão. Quando uma marca se diz brasileira e pretende atender aos consumidores do país, é essencial lembrar que, segundo o Censo de 2022 do IBGE, cerca de 56,2% da população brasileira se declarou preta ou parda. Essas pessoas também consomem maquiagem, buscam aumentar sua autoestima e querem sentir-se incluídas no mercado. Ignorar mais da metade da população em um lançamento de maquiagem é inadmissível. As redes sociais estão repletas de consumidores questionando e exigindo uma linha de cores que represente a diversidade do país, e o impacto desse lançamento já ganhou repercussão internacional. Esse movimento pode ser o começo de uma mudança real na indústria da beleza. Espero que essa coluna tenha ajudado você a entender a importância da inclusão na maquiagem. Para transformar o mercado nacional e mundial, é crucial dar destaque a essa questão. Somente assim teremos uma maquiagem realmente acessível para todos! Nos vemos na próxima semana com dicas de produtos e técnicas de maquiagem. Siga @makeluizacastro.