[[legacy_image_290479]] Não há dúvidas de que a luz, mesmo que artificial, tem impacto biológico no organismo, afetando o nosso corpo e a nossa produtividade de uma forma positiva ou negativa. Adriana Tedesco, naturopata e especialista em projetos de iluminação saudável no Studio Guido, explica a seguir como a luz adequada tem influência no nosso bem-estar e no nosso rendimento. Nos últimos anos, o trabalho em home office se tornou uma realidade cada vez mais comum e tem revolucionado a forma como as pessoas encaram o mundo profissional. Impulsionada por avanços tecnológicos e mudanças nas dinâmicas de trabalho, essa modalidade, hoje, proporciona uma série de benefícios e desafios para trabalhadores e empregadores. Além da praticidade, o home office, em algumas situações, pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida da pessoa. Mas, como tudo, tem prós e contras. E um dos aspectos mais discutidos do trabalho em casa consiste no seu impacto na saúde. É fato que o maior isolamento social e a falta de interação com os colegas podem levar a sentimentos de solidão e desconexão. Mas há um outro ponto que também merece atenção: a qualidade do espaço escolhido para trabalhar em casa. Quem faz home office precisa ter as mesmas condições ergonômicas e ambientais que são planejadas em uma empresa. Em outras palavras: uma cadeira de qualidade, monitor e teclado em boas condições, conexão com a internet suficiente, ambiente calmo e, principalmente, bem iluminado. É aí que entra o conhecimento de Adriana Tedesco. Ela explica que a luz elétrica está o tempo todo nos impactando. “Se projetada de uma maneira errada, a iluminação pode deixar o nosso organismo mais vulnerável, atrapalhando a produtividade, o foco e a disposição para o trabalho. Além disso, pode causar irritabilidade e desconfortos visuais, como coceira, lacrimejo, vermelhidão, dor de cabeça e náuseas”, observa a especialista. A iluminação do local, portanto, precisa acompanhar os ciclos naturais. “O ideal é ter uma luz dinâmica, que acompanha a natural e ajuda para que o organismo possa trabalhar ao longo do dia em equilíbrio”. Ou seja, é muito importante que a iluminação seja projetada de forma personalizada, de acordo com a rotina de trabalho. “Um bom projeto de iluminação contribui, inclusive, para cortar o ciclo de sono nas primeiras horas de trabalho, com o aumento da temperatura de cor das fontes de luz, assim como também logo após o almoço. Isso eleva bastante o foco e a produtividade da pessoa”, afirma Adriana Tedesco. Valorize o naturalDe acordo com ela, em um ambiente de home office, quanto mais incidência de luz natural houver, mais saudável o espaço ficará. Porém, é preciso estar atento aos possíveis ofuscamentos que essa luz pode desencadear. “Isso tudo influencia na hora de montar o projeto. Normalmente, avalia-se o modo como a luz natural se comporta no ambiente e completa-se com a luz elétrica de LED, preferencialmente de forma difusa e bem distribuída pelo lugar, o que ajuda a eliminar sombras e contrastes, além de se respeitar as normativas que indicam a quantidade de luz para cada atividade profissional. Ainda ajusta-se a temperatura de cor ideal para a rotina de cada um”. Adriana Tedesco acrescenta que é importante começar sempre pelo posicionamento da mesa, pensando em aproveitar ao máximo a emissão de luz natural. Esse móvel deve ficar localizado preferencialmente próximo e de maneira perpendicular a uma janela. “Assim, é possível garantir que o organismo se mantenha equilibrado durante a jornada de trabalho e ajuda-se a diminuir os impactos da luz artificial na saúde ocular, evitando fadiga visual e todos os outros problemas causados na fisiologia humana em decorrência do uso inadequado da luz elétrica”. Ajuste noturnoAgora, se a pessoa estende o seu trabalho para o período noturno, o ideal é que a luz do home office mude de cenário, de modo que não interfira na fisiologia. “Não se pode deixar que aconteça a diminuição na produção de melatonina, que, ao longo do tempo, pode trazer consequências à qualidade do sono. No trabalho noturno, a temperatura da cor precisa ser mais baixa, mais amarelinha, e se necessário, haver a utilização de recursos como os óculos bloqueadores de espectro de luz azul, que é emitida pelas telas de tablets, computadores e celulares e se mostra muito prejudicial para a saúde à noite”. Adriana ressalta que, hoje, a maior tendência para promover saúde é a personalização com base na rotina da pessoa, colocando a luz em movimento de forma automatizada e fazendo com que siga os ciclos naturais, mudando de temperatura de cor e de intensidade ao longo do dia. Assim, o organismo ficará sincronizado com a natureza, possibilitando que toda a fisiologia flua de jeito natural. “A iluminação saudável, seguindo todos os protocolos, permite a reintegração e a sincronização da pessoa com a natureza e é capaz de fortalecer o organismo, aumentando consideravelmente o bem-estar e a qualidade de vida no ambiente”. Junto ao projeto de iluminação, Adriana reforça o uso de óculos bloqueadores do espectro de luz à noite. “Essa medida minimiza os impactos nocivos à saúde, garantindo que a melatonina tenha ambiência correta para ser sintetizada, além de induzir naturalmente ao sono. Ao introduzir a habitualidade do uso desses óculos, aliada ao projeto de iluminação saudável, biologicamente correto, você aumenta consideravelmente a qualidade do sono. Sem contar que propicia o adormecer mais cedo e reduz drasticamente o risco de doenças relacionadas à exposição à luz azul durante a noite”.