[[legacy_image_256258]] A empresária e influenciadora de maquiagem Mari Maria possui mais de 43 milhões de seguidores nas redes sociais, entre eles 10 milhões no YouTube e 20,7 milhões no Instagram. Junto a isso, toca a própria marca de produtos, a Mari Maria Makeup, com auxílio do marido, Rudy Loures. Mas não é só isso que impressiona na sua trajetória. Afinal, a maquiagem ocupa um lugar na vida de Mari que vai muito além dos negócios. Foi se maquiando que ela conseguiu superar o bullying que sofria na escola por ter sardas e resgatou a sua autoestima. “A maquiagem não é só meu trabalho. É meu descanso, minha paz. Ela me traz tranquilidade. Muitas vezes, não estou bem, com problemas ou preciso pensar em algo e vou me maquiar, porque é quando clareio as ideias”, afirma a mineira de 30 anos. A seguir, Mari Maria conta como foi esse seu processo de transformação. “Eu tinha uma autoestima muito baixa, era bem insegura. Ao ver mulheres lindas na TV, pensava: ‘Nasci errada, só pode’. Hoje, sei que todo mundo tem como se sentir lindo, dentro do seu padrão, e é isso que procuro transmitir às minhas seguidoras. Fico emocionada com as mensagens que recebo delas”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O que a levou para o universo da maquiagem?As minhas sardas foram o gatilho principal. Ainda criança aprendi a me maquiar, pela necessidade de me sentir aceita na escola. No colégio, as pessoas me chamavam de bananinha pintada. Tinha quem perguntava: “Você não lavou o rosto?” Eu tinha mais ou menos 7, 8 anos quando me maquiei pela primeira vez. Eu nasci em Belo Horizonte (Minas Gerais), mudei para Brasília e, na época, tinha acabado de voltar para BH. Não gostava das minhas sardas. Acho que eu era a única ruiva da minha sala. Um dia, depois da aula, fui para casa e, sozinha, passei a base da minha mãe. Como ela não cobriu todas as sardas, misturei com corretivo e comecei a utilizar esses produtos todo dia para ir à escola. Pensei comigo: “Assim, eu consigo parecer normal. Ninguém vai reparar em mim”. Na sequência, acrescentei o blush na make que preparava, pois achava que estava ficando pálida. E busquei aprender técnicas. Tanto é que, quando estava na sétima série, às vezes até deixei de ir para a aula para ficar num salão perto de casa vendo o maquiador trabalhar. Ele me ensinou alguns truques. A maquiagem ajudou a melhorar a sua autoestima.Sem dúvida. Passei a me sentir mais bonita, mais confiante. Com o tempo, comecei a maquiar amigas e a minha rede social cresceu por causa disso. A maquiagem, de alguma forma, sempre esteve próxima de mim. Para você ter ideia, de presente de aniversário, pedia para a minha mãe produtos caros, que não dava para comprar no dia a dia, como os da Dior e da MAC. E conforme a necessidade, aprimorava as minhas habilidades para fazer uma maquiagem. Como naquela época não havia tantos tutoriais como existem hoje no YouTube, perguntava para quem entendia do assunto. Sou muito grata por tudo o que passei. As sardas me trouxeram o conhecimento da maquiagem e a make me trouxe a paixão pelas minhas sardas. Hoje, utilizo as sardas como acessório do meu look. Há situações em que uso a make para realçar as minhas sardas, deixá-las ainda mais aparentes, para assim demonstrar e reforçar a minha personalidade. Chegou a fazer algum curso profissionalizante?Eu cursei Estética e Cosmetologia, porque não me imaginava fazendo outra coisa na vida. Mas, como ia me casar e o meu marido estava montando uma empresa com o irmão que exigia que nos mudássemos de cidade, tranquei o curso no último semestre. Pensei: “Após a mudança, farei algum curso relacionado ao que quero”. Só que comecei a ficar muito sozinha e triste em casa. Enquanto meu marido estava trabalhando, me maquiava e mandava uma foto para ele. Um dia, ele sugeriu que eu me gravasse fazendo a make, que ele ia aprender a editar e montar o vídeo para que eu postasse. Coloquei dois vídeos no YouTube e tomei gosto por aquilo. Como tentei trabalhar em um salão, mas eles não botaram fé em mim por ser nova, me dediquei 200% aos vídeos e aprendi, inclusive, a editar. Quando percebeu que seus vídeos estavam chamando a atenção das pessoas na internet? Abri o meu canal do YouTube em 2014 e, em mais ou menos dois anos, cheguei a 1 milhão de inscritos. A partir daí, fui crescendo gradativamente. As pessoas consomem bastante conteúdo de beleza na internet, mas o difícil é você fidelizar o público, porque há tantas opções disponíveis na web... Lembro que, quando bati um número considerável de views, comemorei dizendo que, com isso, um salão ia me contratar. O meu marido deu risada e falou que, na realidade, eu ia ser chamada para fazer publicidade para marcas de maquiagem. Naquela época, eu não acreditava que algo assim iria acontecer. Pensava: “Para que uma marca vai querer me contratar?” Eu fazia os conteúdos por gostar daquilo, não imaginava que tomaria grande proporção. E o que motivou a criação da sua própria marca de produtos de maquiagem?O meu marido fez faculdade de Ciências Políticas e estudou Economia em Boston (Estados Unidos). Ele sempre gostou da área de marketing e criação de produtos. Como é o tipo de pessoa que costuma estimular quem está ao seu redor, ele ficava dizendo para que eu desenvolvesse os meus produtos. Comecei fabricando um lote de 5 mil pincéis, pois os que estavam no mercado não me satisfaziam o suficiente. Para minha surpresa, eles esgotaram rapidamente. Meu marido decidiu deixar o trabalho em uma empresa de consultoria para focar em mim. Olhei para ele e pensei: “Ele está maluco!” Fomos fazendo juntos e aqui estamos. Quais são as maiores tendências de make?Com a pandemia, conforme as pessoas ficaram isoladas em casa, surgiu a tendência de beauty clean, que é aquela maquiagem mais leve, natural, em que o menos é mais. Isso se mantém com força até agora. Além da make clean, há a tendência de vermos mais cores nas produções, principalmente nos olhos e na boca. Os tons vibrantes e fortes estão em alta: laranja, vermelho e roxo.