[[legacy_image_311125]] Nascido em Piracicaba, o chef, empresário e músico Henrique Fogaça se interessou pela gastronomia quando foi morar em São Paulo com a irmã, aos 22 anos. Na época, ele precisava preparar a própria comida e, para se aprimorar, pedia receitas para a mãe e a avó. Fez curso de chef executivo e estágios em renomados restaurantes até abrir o seu próprio, o Sal Gastronomia, na época um pequeno café. Acredita que “comida não pode ser um artigo de luxo”, por isso, seus pratos são uma fusão da alta gastronomia com a culinária brasileira contemporânea, Com estilo marcante e autêntico, exibindo mais de 100 tatuagens pelo corpo, estreou na TV como jurado do MasterChef Brasil em 2014, no qual está até hoje. Tem ainda outros talentos: é vocalista e fundador da banda de hardcore Oitão e lançou o livro Um Chef Hardcore, um relato autobiográfico que mistura momentos de sua vida e 30 receitas assinadas por ele. Na vida pessoa, é pai coruja de Olívia, João e Maria Letícia e tem levantado a bandeira do uso medicinal do Canabidiol, um dos tratamentos de sua filha Olívia, que tem uma síndrome ainda não identificada. “O que era um problema de saúde da minha pequena, me transformou em um homem melhor com ainda mais garra e força de vontade”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como a gastronomia entrou na sua vida? O interesse pela gastronomia surgiu quando cursava o curso de Administração com ênfase em Comércio Exterior em São Paulo. Na época saí de Ribeirão Preto para morar na capital e estava cansado de comer comida congelada, e foi na necessidade de cozinhar, pegando receita da minha avó e experimentando tudo na cozinha que me entreguei à gastronomia e não parei mais. Confesso que foi a receita de bife empanado da minha avó que despertou meu lado cozinheiro. O que mudou depois de você entrar no MasterChef? Imaginou que te traria tamanha visibilidade? --- Recebi o convite em 2014 e confesso que entrei nessa experiência com curiosidade. Era um formato ainda inédito no Brasil. Ao longo desses nove anos, a audiência do programa fortaleceu meu trabalho em diversos aspectos, com ela consegui levar diferentes experiências culinárias para as pessoas, e isso é incrível. A visibilidade me proporcionou investir nos projetos que eu acredito, então só tenho coisas positivas em relação ao programa. Me sinto muito grato pelo carinho dos fãs, eles estão sempre na torcida por mim, e valorizo muito isso! O que tem mudado nos últimos anos na cena gastronômica brasileira e o que ainda precisa acontecer?A gastronomia brasileira está mudando, influenciada pelos novos hábitos. A culinária vegetariana e vegana está crescendo bastante, ocupando cada vez mais espaços. Devemos continuar com esse movimento, incluindo todos na experiência da gastronomia. Esse ano lancei um menu vegano no Sal Gastronomia com opções deliciosas e acessíveis para quem ama a culinária plant based e, claro, para aqueles que possuem algum tipo de intolerância à lactose. O medalhão de beterraba com arroz 7 grãos e shimeji, um prato sem açúcar, lactose e glúten, faz parte desse cardápio. Fiquei muito feliz porque fomos incluídos no Guia Garfinho de Ouro, um símbolo importante de compromisso com a inclusão e acessibilidade. Depois da gastronomia molecular dos irmãos Adriá, não se viu nada tão revolucionário. O que destaca na cena gastronômica atual?A criatividade. Estar disposto a buscar alternativas e adotar soluções criativas faz parte da essência do nosso ramo gastronômico. Estar atento às novidades, às possibilidades e às demandas das pessoas. Hoje, apostar na diversidade alimentar da entrada até a sobremesa, é um caminho de sucesso. E é o que se destaca na cena atualmente. Você tem alguns restaurantes associados a seu nome e deve receber várias propostas e projetos. O que tem te interessado neste momento e quais projetos podemos esperar? Gostaria de ter mais restaurantes talvez, um ou dois. É uma missão árdua manter o padrão de um restaurante, e é algo que me motiva. Ainda tenho a intenção de levar a marca Cão Véio para outros lugares, para levar a nossa filosofia aos clientes. Um atendimento de qualidade, com uma pegada hardcore, um ambiente acolhedor, decoração canina, petiscos e cervejas artesanais. Estou com um projeto de retomar meu canal no Youtube, trabalhar em vários segmentos, além da gastronomia, isso em 2024. Além disso, o meu maior sonho é cada vez mais estar evoluindo, estando em paz espiritualmente com tudo que vivemos, tanto no mundo quanto na vida pessoal. Recentemente, você tem levantado a bandeira do Canabidiol. Qual a importância dessa luta para você? A condição da minha filha Olívia é rara, os médicos não chegaram a um diagnóstico conclusivo sobre a síndrome que ela tem, mas para mim se tornou uma inspiração. Cheguei a ouvir de alguns médicos que minha filha não iria sobreviver. Foi devastador. No entanto, eu tinha convicção que iríamos lutar e vencer juntos. Assim que eu conheci o tratamento com o Canabidiol. Muitas pessoas me procuram para entender sobre o assunto, porque o uso medicinal do Canabidiol ainda é um tabu no Brasil. Já nos Estados Unidos e na Europa o tema é mais abordado. Tenho como principal objetivo ajudar outras famílias com o acesso ao tratamento à base de Canabidiol e desmistificar o uso medicinal da planta. Olivia tem outra qualidade de vida desde então, e quero poder contribuir para que outras famílias possam oferecer aos seus entes queridos a mesma coisa. A vida de cozinheiro e empresário do ramo é agitada e tem ainda as gravações. Como você faz para conciliar com a família?Eu sou um cara movido por desafios, gosto de estar sempre em movimento, então me organizo para conseguir conciliar tudo e, claro, minha família, meus filhos, são minha prioridade. Mas para conseguir dar conta de tudo, eu conto com o suporte de uma equipe que me ajuda no restaurante, na empresa, no marketing, são muitas pessoas trabalhando juntos em busca do melhor resultado. Com os meus filhos, eu tenho guarda compartilhada, então nos vemos com certa frequência, costumamos fazer coisas juntos, brincar, cozinhar, como cada um está em uma idade (Maria, 8 anos; João, 15; e Olivia, 16), os momentos são bem diversificados, um gosta de cozinhar, o outro está na adolescência, então tentamos algo mais da idade dele, a Olivia adora ficar na piscina, passear… sempre tiro um momento para eles. Isso para mim é fundamental. Eu faço tudo que está ao meu alcance para vê-los bem e estar com eles.