[[legacy_image_290987]] Diogo Snow fez os primeiros grafites aos 14 anos, quando morava em Santo André (SP), mas acabou deixando essa paixão de lado por um bom tempo. Após mudar com o irmão para Toronto, no Canadá, há 21 anos e ver que não teria chance de dar sequência à sua carreira na música, resolveu retomar a ligação com a arte. Foi aí que o paulista de 41 anos entendeu que esse poderia ser seu novo trabalho. Aos poucos, levou suas criações para murais, quadros, esculturas, peças de roupa, exposições... E passou a contar com colecionadores, além de clientes famosos, como Neymar, Ronaldinho e os rappers Drake, Sean Paul e Megan Thee Stallion. Na entrevista, Diogo fala, entre outros assuntos, da amizade e dos negócios que mantém com o cantor canadense Justin Bieber. Você tem tornado a sua arte cada vez mais múltipla. Desde quando se dedica ao grafite?Eu comecei desenhando na escola e me apaixonei. Junto com um amigo de classe, passei a fazer murais em Santo André (SP). Para mim, aquilo era como uma terapia. Punha o fone para ouvir música e pintava a tarde inteira. Eu entrava num outro mundo, esquecia de tudo... Sem falar que ficava longe de problemas. Mas considerava o grafite um hobby; nunca imaginei que, um dia, ia viver de arte. Minha intenção, na verdade, era me tornar um baterista famoso. Eu e meu irmão, que é baixista, tocamos em várias bandas no Brasil. Quando nos mudamos para Toronto (Canadá) há 21 anos, em busca de uma vida mais segura, fui trabalhar na construção civil. Um tempo depois voltei a tocar bateria em paralelo ao trabalho e tentei achar uma banda para me apresentar junto com meu irmão, só que ele casou, teve filhos e parou com a música. Aí, decidi virar cantor e fiz, inclusive, aulas para isso. Por sete anos, me dediquei a essa carreira e gravei com gente do Canadá, da Europa e do Brasil. Só que meu filho nasceu e pensei em parar, porque não ia dar para continuar colocando o meu dinheiro da construção na carreira de cantor. De repente, surgiram dois empresários portugueses que quiseram assinar contrato comigo e, na empolgação, topei. Passado um ano e meio, nada de fazer música. Eu ficava apenas produzindo textos e outros conteúdos para as plataformas e veículos de comunicação que eles possuíam. Conseguiu romper o contrato?Sim, mas fiquei sem saber o que fazer dali em diante. Me veio à mente as memórias de quando estava no Brasil e lembrei a terapia que era preparar os grafites na rua. Por causa disso, comprei um quadro e pintei somente para desestressar. Quando postei o resultado no Instagram, passei a receber mensagens de pessoas interessadas em comprar o que estava produzindo. Pensei: “Este pode se tornar o meu trabalho a partir de agora, desde que me dedique e entenda melhor o mundo da arte”. Hoje, vivo apenas disso. Atualmente, você produz de murais e quadros a peças de roupa e acessórios, e ainda tem gente colecionando as suas obras, não é mesmo?Exatamente. O perfil das pessoas que colecionam o meu trabalho é bem variado. Para você ter ideia, o maior colecionador das minhas obras é dono de uma grande empresa de caminhões em Los Angeles (Estados Unidos). O número dois da lista mora em Miami (EUA) e aluga casas de luxo. Ele ficou conhecido como o Airbnb Milionário. Comecei pintando um mural na piscina da mansão dele; na sequência, vendi quadros. Já o meu terceiro maior colecionador é de Toronto (Canadá) e tem uma loja de carros exóticos. De modo geral, o grafite vem tomando uma proporção muito grande e o status de arte. Tanto é que, assim como eu, vários artistas vão dos murais de rua para quadros etc. Transformo tudo em arte. Basta ver que tenho minha escultura própria: o Snow Bear, um urso com lata de spray na pata. Também possuo uma marca de acessórios e roupas, que são todos numerados e assinados, para realmente ganharem a condição de peças de arte. Tem gente que fica esperando o lançamento das minhas novas coleções. Por exemplo: eu disponibilizei apenas 50 unidades de um boné e há quem compra, nem usa e coloca dentro de uma caixa de acrílico na estante da sala como enfeite. E como surgiu o seu estilo, que batizou de pink punk?Quando comecei a fazer grafite no Brasil, eu era novo, tinha 14 anos. Então, me chamava de Little Punk. No Canadá, comprei um piano para realizar o sonho de pintá-lo como bem entendesse para ficar na minha casa. No processo, criei uns cartoons com cabelo punk que pintei de rosa, pois é a minha cor favorita. Aí, utilizei o mesmo conceito para a camiseta que desenhei para o Ronaldinho usar quando ele foi para Toronto gravar o comercial da minha empresa de arte digital (NFT). Depois que ele apareceu com a camiseta num jogo de basquete, um monte de gente passou a querer uma igual. Isso só me deu a certeza de que deveria assumir o rosa como a minha cor. Hoje, todo mundo me identifica por ela. Você tem trabalhado junto com o Justin Bieber em alguns projetos?Sim. Tudo começou com o pai do Justin comprando uma obra de exposição que fiz em Toronto. Quando fui entregar o item, ficamos conversando e recebi o convite para ser o criador da logomarca e das artes e designs relacionados ao negócio que o Justin estava lançando: Bieber Industries, uma comunidade para ajudar e fomentar os mais variados talentos. Me tornei amigo da família do Justin. Vou, inclusive, pintar a quadra de basquete dele.