(Adobe Stock) Integrantes da geração Z - formada pelos nascidos entre 1995 e 2010 - geralmente são associados a comportamentos inadequados no ambiente de trabalho, como falta de comprometimento, dificuldade em se comunicar e em seguir regras corporativas. No entanto, para Igor Chohfi, cofundador da Rede Pavim, empresa especializada no recrutamento de jovens dessa geração, alguns exemplos são exagerados e não representam a maioria dos jovens brasileiros. Contundo, ele aponta um padrão recorrente durante os processos seletivos: a falta de preparo para as entrevistas de emprego. Chohfi, que contabiliza mais de mil entrevistas realizadas em sua carreira, relata alguns pontos fora da curva, como jovens se candidatando a um trabalho sem usar camisa em conversas de recrutamento, postulantes que chegam atrasados à entrevista e sequer se justificam e até jovens que simplesmente desligaram a ligação no meio de uma entrevista a distância. “Um ponto frequente é o desconhecimento básico sobre como apresentar sua trajetória. Muitos não sabem que precisam começar se apresentando. Quando tentam contar sua experiência, não conseguem organizar as informações. Essa confusão e falta de conhecimento são comuns, mas não são culpa exclusiva dos jovens. Reflete uma lacuna na formação acadêmica e na orientação sobre o mercado de trabalho”. Segundo o especialista em recrutamento e seleção, um dos traços mais evidentes da geração Z é a ansiedade, que acaba influenciando a forma de trabalhar. “Ela se manifesta, por exemplo, na busca por promoções rápidas e na tendência de gerenciar vários projetos e trabalhos ao mesmo tempo. É uma geração acostumada à velocidade e facilidade de acesso: pede comida no iFood e recebe em 30 minutos, compra na Amazon e a entrega chega no mesmo dia. Entre os pontos positivos, tem a busca por autonomia e proatividade, interesse pela inovação e habilidade com tecnologia. Por outro lado, temos falta de comprometimento e condutas inadequadas no trabalho”. A comunicação se tornou outro ponto crucial quando o assunto em pauta é a geração Z no ambiente profissional. Chohfi relata que já viu jovens realizarem um ótimo trabalho no dia a dia, mas não comunicavam seus avanços aos líderes, que sem retorno achavam que o serviço não estava sendo feito e precisava perguntar constantemente o que estava acontecendo. “Também noto que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho com uma certa acomodação, influenciada pelo ambiente acadêmico, onde há maior colaboração entre colegas e um ritmo diferente. Nem sempre os jovens conseguem se adaptar. Por isso, os líderes precisam orientar, ‘pegar pela mão’ e direcionar nesse primeiro momento”. Segundo ele, as empresas brasileiras podem ajustar seus processos de recrutamento e seleção utilizando a ansiedade do jovem a favor. “Se o jovem é ansioso, devemos fazer um processo extremamente rápido. Faça uma entrevista de 25 minutos. Antes disso, um formulário rápido em que o jovem vai levar uns 25 minutos para preencher. Não precisamos de testes extensos e cheios de fases. O ideal é manter o processo enxuto, com no máximo três etapas: um formulário inicial para análise curricular, uma primeira conversa de 25 minutos e uma última de 30 minutos”. O segundo ponto é educar. “Precisamos dar um passo atrás e lembrar que não podemos esperar que o jovem saiba de tudo. Por exemplo, criar uma cartilha pode ser uma solução prática. O RH investe 30 minutos para elaborar um material que pode ser usado com milhares de candidatos anualmente. Essa cartilha pode incluir orientações como o que a empresa espera, como o jovem pode se preparar para a entrevista, se apresentar e responder perguntas. Essas ‘regrinhas básicas’ ajudam o jovem a mostrar seu potencial e também facilitam o trabalho do RH”.