[[legacy_image_304478]] No equilíbrio entre criar os filhos e cuidar dos pais, um fenômeno demográfico está se tornando cada vez mais evidente: a chamada geração sanduíche, composta por pessoas em torno de 40 a 50 anos que precisa lidar com malabarismos familiares, pois cuidam não apenas de seus filhos, muitas vezes devido à maternidade e paternidade tardias, mas também de seus pais, que desfrutam maior longevidade. Trata-se de uma situação que merece atenção, ainda mais na Baixada Santista, onde 17,3% da população é idosa. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma pesquisa denominada Sandwich Generation Survey, realizada nos Estados Unidos, mostra que 66% dos entrevistados-sanduíche (pessoas de 40 a 50 anos que precisam criar os filhos e tomar conta dos pais) se encontram sob estresse pelas obrigações financeiras postas à mesa por sua composição familiar. Cerca de 54% dos americanos têm um pai vivo com mais de 65 anos e um filho com menos de 18. Entre duas gerações que precisam de assistência, os ‘sanduíches’ funcionam como pilares. Porém, lidar com esses desafios familiares pode trazer uma sobrecarga de responsabilidades que pode levar a impactos psicológicos significativos. Segundo a psicóloga Ariane Couto, os impactos psicológicos podem variar desde sobrecarga emocional até depressão. “Os membros dessa geração muitas vezes se sentem inteiramente responsáveis por seus familiares, pois acreditam ser os únicos capazes de desempenhar esse papel”, explica. Ariane afirma que, conforme a responsabilidade do cuidador, isso pode desencadear vários fatores como stress, fadiga, conflitos conjugais, sentir que não está vivendo a própria vida, pois tempo, energia e finanças são investidos nesse contexto familiar. Porém, nem tudo está perdido. Há estratégias eficazes para lidar com o estresse e a sobrecarga emocional que muitos da geração sanduíche enfrentam. Desafios Para aqueles que vivem essa realidade e buscam enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que ela oferece, a psicóloga oferece alguns conselhos gerais. Ela destaca a importância de cuidar da saúde física e mental, encontrando momentos de prazer. Cuidar do outro é um ato de amor, e ao cuidar dos pais na velhice, manifesta o desejo de ser tratado com carinho, amor e respeito na própria longevidade. Ariane ressalta também a importância de expressar sentimentos e frustrações e sugere a psicoterapia como uma alternativa. “Quanto mais a família for participativa, melhor. Isso porque o filho cuidador pode não verbalizar toda a sobrecarga emocional, porém, pode manifestar no comportamento. Portanto, a empatia por parte da família e amigos é essencial”. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a expectativa de vida está em ascensão, refletindo o aumento da longevidade da população. Isso significa que um número crescente de indivíduos na faixa etária de 40 a 50 anos se vê em uma posição única, gerenciando as necessidades de pais idosos, muitos dos quais estão desfrutando de uma vida mais longa e saudável, ao mesmo tempo em que criam seus próprios filhos. Na regiãoNa Baixada Santista, esse cenário é ainda mais expressivo. De acordo com dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), as nove cidades da região – Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente – possuem 1.874.118 habitantes e 324.047 deles estão com 60 anos ou mais, representando 17,3% do total. Em 2000, ainda de acordo com a Fundação Seade, a população idosa na Baixada Santista representava 10,2% dos habitantes. Dos 324.047 idosos nos nove municípios da região em 2023, a Fundação Seade aponta que 189.559 são mulheres (58,5%) e 134.488 (41,5%) são homens.