Nicola Coughlan interpreta Penelope Featherington, na série Bridgerton (Netflix/Divulgação) Nicola Coughlan, a atriz que interpreta Penelope Featherington na série Bridgerton, da Netflix, é o nome do momento. Aos 37 anos, a irlandesa conquistou o público com sua atuação nas telas e seus posicionamentos na vida real. Com o reconhecimento após os 30 anos e prestes a alcançar 6 milhões de seguidores no Instagram, na esteira da atual terceira temporada em que ela é destaque com o ator inglês Luke Newton, Nicola é a representação de um termo que tomou a internet - e que se você ainda não falou a uma amiga para levantar a autoestima dela, falará: uma grande gostosa. Não sei quem inventou a brincadeira, mas adoro. Ser uma grande gostosa não é sobre padrões físicos e estéticos. É sobre amor próprio e ser interessante. A grande gostosa não tem medo de se expressar, assim como não teme demonstrar vulnerabilidade. É divertida e sabe se divertir. E quando necessário, entra de cabeça (e com bons argumentos) em conversas sérias, temas relevantes, com a certeza de que não dá para agradar todo mundo. Na verdade, ela nem se importa em agradar todo mundo. Estar confortável na própria pele ainda é um desafio para muitas mulheres. Em 2024, a sociedade segue nos dizendo como uma mulher deve ou não agir, se comportar, o que falar, para ser aceita nas mais diversas esferas. Românticas, familiares, profissionais. Até mesmo de amizade. Tantas de nós são capazes de ouvir as piores ladainhas referentes ao que seria uma mulher “direita” e dar risada na cara do interlocutor tamanho o ridículo da situação. Mas, para parte de nós, transforma-se em pressão que vira ansiedade, angústia, intimidação - matando nossa gostosa interna. No auge do sucesso, Nicola defende o que acredita mesmo correndo o risco de perder fãs. Criou, por exemplo, uma campanha que arrecadou mais de 2 milhões de euros para organizações não governamentais palestinas como Medical Aid For Palestinian’s, de recursos médicos para palestinos feridos na guerra entre Hamas e Israel, e Palestine Children’s Relief Fund, fundo de apoio às crianças palestinas. É abertamente a favor do aborto e já foi vista em marchas contra a estúpida e medieval crimina-lização das mulheres que passaram por tal procedimento. Também apoia iniciativas de proteção dos direitos LGBTQIAP+. Fashionista, tem estampado as capas das principais publicações femininas e de moda, além de divar em campanhas publicitárias como da Skims, marca de shapewear (os conhecidos modeladores, mas cheios de tecnologia e beleza) de outra famosa grande gostosa, Kim Kardashian - que tudo que toca vira ouro, goste-se dela ou não. Nic sabe colocar limites e dizer o que a incomoda pessoalmente. Pediu nas redes sociais para que parem de falar de seu peso e admitiu que tem dificuldades em lidar com questões sobre o próprio corpo. Rejeitou o título de novo ícone do body positive. Quando perguntada por uma pessoa na plateia em Dublin, durante a divulgação da terceira temporada de Bridgerton, como era ser uma mulher com seu tipo de corpo representado nas telas, sagaz e bem-humorada, ela replicou: “Olha… Nós, mulheres de seios perfeitos, realmente não costumamos ser representadas nas telas. Mas vocês poderão ver os meus e espero que gostem”. Que Nicola Coughlan siga nos lembrando das grandes gostosas que somos. P.S.: Nic ama as músicas de Beyoncé e vale ouvir depois do texto a música Cozy, do álbum Renaissance, na qual canta “confortável na minha pele, aconchegante com que eu sou, eu me amo, caramba!”.