(Adobe Stock) Já notaram que o Natal está logo aí? Acho até que já estamos liberados para começar o balanço de 2024! Ou melhor não? Durante muito tempo eu categorizei: tal ano foi bom, tal ano foi ruim, aquele ano foi difícil, outro ano foi surpreendente... Como se o peso de alguns acontecimentos fossem maiores, para o bem ou para o mal, em determinadas fases. De fato, certas passagens são marcantes, em especial quando há perdas avassaladoras. E elas existirão. Mas se a gente enxerga esses acontecimentos como aprendizados e mesmo preparo para entender as coisas bonitas que atravessam a vida, a divisão ano negativo x ano positivo se desfaz. As coisas bonitas que atravessam a vida surgem todos os dias, a qualquer momento. A contagem dos meses importa menos. A gente olha com mais carinho e atenção para o que estamos vivendo no presente. Se é para classificar e dar sentido ao que nos ocorre, vale experimentar listar o que alimenta nossa alma. Você pode fazer isso por dia, por semana, por mês. Não precisa esperar um ano inteiro para pensar. Pequenas reflexões recorrentes sobre como estamos lidando com tudo podem ser mais acolhedoras e revigorantes do que enumerar as grandes viradas. Porque em meio às grandes viradas a dor naturalmente dará as caras. Haverá frustração. Se mesmo em meio à frustração você for capaz de classificar o que acontece de bom, enfrentar dificuldades ganha outro significado. O problema é acreditar que o bom é grandioso, um superevento. Não precisa ser. Não deve ser. Esses dias classifiquei momentos recentes que me trouxeram alegrias. Uma amiga me ajudou a fazer a inscrição em um congresso latinoamericano de Ciências Sociais. Uma aluna me deu de presente um chocolate com morango e um abraço. Outra amiga me deu um retiro urbano de ioga e meditação de presente. E uma outra colocou uma foto minha com o filhinho dela de 7 anos em um vídeo da trajetória do pequeno que passou na festa de aniversário. Minha mãe passou uns dias aqui em casa. Passei uns dias com meu pai em uma cidade do interior. Meu casal de melhores amigos segue provando porque eles são os melhores. Reencontrei cinco amigas de infância - e a gente deu muita risada. Uma amiga da época da faculdade dormiu aqui em casa por causa do trabalho e preparamos o jantar juntas enquanto conversávamos sobre tanta coisa. Minha cachorrinha se recuperou bem de uma cirurgia. Meu sobrinho lembrou que falta menos de um mês para irmos ao show do Bruno Mars. Quando você percebe assim, no detalhe, tem muito mais. Eu teria muito mais para escrever. Inclusive e felizmente, também sobre uma atual fase em que experimento sentimentos especiais graças ao lançamento do meu terceiro livro. Desde junho, foram duas noites e uma tarde de autógrafos, participação na Feira do Livro e na Bienal do Livro, ambas em São Paulo. Em outubro, a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) me espera. O orgulho das pessoas que me querem bem e a admiração de leitoras e leitores do meu trabalho, os retornos sobre como minha escrita vem mexendo com emoções, são tão gratificantes. É o grandioso. Mas que só se sustenta e tem valor porque minha alma se alimenta dos pequenos detalhes amorosos do cotidiano. P.S.: a canção Beautiful Day, do U2, é uma ótima pedida para depois do texto. Como canta Bono: é um dia bonito, o céu desaba, e você sente que é um dia bonito, não o deixe escapar.