[[legacy_image_278366]] Indiana Jones e a Relíquia do Destino, filme que representa a conclusão de uma das franquias mais bem-sucedidas da história do cinema, me despertou sentimentos conflitantes. Primeiro, um tremendo sentimento de volta ao passado, com um Harrison Ford rejuvenescido por computador vivendo a clássica fórmula das aventuras em busca de artefatos arqueológicos com poderes mágicos (e, para variar, contra os nazistas). Conforme o filme foi avançando e encontrei um Indiana Jones já bem envelhecido, no fim dos anos 1960, e tendo que conviver com a contracultura e com uma sociedade que olhava cada vez mais para o futuro (com os americanos pisando na Lua) e não para o passado que ele tanto valoriza, fiquei triste. A idade chega para todos e Indy virou o velhinho chato que reclama do barulho, tal qual eu fiz com um pobre casal que não parava de falar atrás de mim no cinema. Depois, já no cenário quase setentista, eu acompanhei Indy reencontrando um antigo inimigo: o cientista nazista de quem ele havia, no preâmbulo da história, roubado um artefato. Esse cara, o vilão do filme, se juntou aos americanos após a guerra e foi um dos principais cientistas responsáveis pela chegada do homem à Lua. Achei legal, tem todo sentido histórico e, ainda por cima, reflete bem algumas camadas pouco inteligentes da nossa própria sociedade contemporânea. O fato é que esse cara, na verdade, nunca esqueceu a ideologia nazista e enxerga em um objeto, que teria poderes mágicos e está com Indiana e com uma jovem arqueóloga, a chance de viajar no tempo e mudar os fatos históricos a favor de sua ideologia. Esse artefato teria sido criado pelo grego Arquimedes muito antes da era cristã. E é por aí que se desenrola uma parte considerável da trama do filme. Que a certo ponto se torna chata. Afinal, por que todos os filmes precisam ter teorias complicadas à la O Código da Vinci? Isso durou quase até a metade do longa. Depois, comecei a me surpreender adorando as referências aos antigos filmes do herói, dos insetos de O Templo da Perdição aos beijos nos lugares onde não dói na clássica mocinha Marion, de Os Caçadores da Arca Perdida. Me peguei torcendo para o Indiana não morrer no final. Me peguei pulando na ponta da cadeira quando Indy vai parar em um lugar (ou tempo) que nem de longe imaginávamos que ele fosse. E, por alguns momentos, me senti de novo a criança que assistia, de forma pura e inocente, às aventuras do seu herói favorito nas telas. Gostei também do elenco do filme, que, além do sempre maravilhoso Harrison Ford, tem rostos conhecidos dos fãs como os de Karen Allen e John Rhys-Davies, e novas caras que se encaixaram perfeitamente na franquia, casos de Antonio Banderas (discreto no filme) e do dinamarquês Mads Mikkelsen, um vilão clássico! Outros elementos muito familiares, como a música de John Williams (bem além do tema tradicional), os clássicos chapéu e chicote e todo aquele clima de seriado dos anos 40, com mentiras bastante divertidas, completaram essa experiência que, creio, terá muito mais sentido a quem tem mais de 40 anos. Fato é que Indiana Jones e a Relíquia do Destino tem qualidade suficiente para passar os calos emocionais de um fã chato e emocioná-lo, relembrando os grandes momentos da franquia e representando uma conclusão bastante digna para um dos maiores heróis da telona. É o melhor Indiana Jones dos últimos 39 anos, e isso não é pouco!Nota do crítico: +++++