[[legacy_image_157005]] Há filmes que, não fosse pela exposição e destaque proporcionados pelo Oscar, nunca chegariam ao grande público. É bem o caso de A Felicidade das Pequenas Coisas, uma pequena pérola que está em cartaz nos cinemas da região, produzida há três anos e que só ganhou mercado porque está entre os finalistas ao Oscar de Filme Internacional deste ano, representando o pequeno e desconhecido Butão. Essa nação, aliás, tem uma população que está entre as mais felizes do mundo. Um pequeno reino budista no Himalaia, entre a Índia e a China, que tem a agricultura e a criação de iaques como grandes vocações além da religião. Essas informações são fundamentais para entendermos a trajetória de Ugyen, um jovem que está terminando a faculdade e atua como professor para o governo para custeá-la. No momento em que o conhecemos, ele despreza quase tudo o que o cerca: a avó com quem mora, o trabalho como professor, para o qual acredita não ter talento, e especialmente a cultura de sua terra natal. Seu sonho é morar na Austrália e ser cantor, mas ele ainda espera pelo visto para poder entrar no país. É nesse momento da vida que ele é enviado para Lunana, um povoado de apenas 56 pessoas no topo de uma montanha onde quase não há eletricidade e a vida é pacificamente simples. Ele vai ser professor da escola mais remota do mundo, a seis dias de caminhada. Apesar da postura arrogante, o rapaz é tratado, no lugar, com o respeito que nunca sentiu na “cidade grande”. E então, o filme se desenrola dentro da fórmula da redenção por meio do que o título sugere. Ugyen esquece da tecnologia de que tanto dependia para se ligar na pureza de seus alunos, nas tradições que desprezava e até no iaque que recebe de presente e que abriga no único lugar possível: os fundos da própria sala de aula. A história caminha até o momento, inevitável, em que o professor recebe a notícia de que seu visto para a Austrália foi aprovado. Será que o novo Ugyen, tão modificado por aquela realidade doce e simples, vai abrir mão do sonho que há tantos anos alimenta? Essa resposta eu obviamente não darei, só assistindo para descobrir. Tudo no filme tem um ritmo lento como o próprio ritmo de vida que retrata. Lento o suficiente para podermos absorver cada detalhe da paisagem exuberante. Destaque para o elenco formado por não profissionais, todos moradores do próprio local, em especial a pequena e carismática Pem Zam, um achado que simboliza a pureza e o otimismo daquele povoado. Feito para celebrar um estilo de vida mais simples e contemplativo, o filme não dá espaço a grandes conflitos e muito menos a sentimentalismos. Não é o tipo de obra que, apesar de toda a doçura, faz chorar, mas leva à reflexão e provoca aquele tipo de empatia muito prática: é apenas conhecendo e entendendo de verdade a cultura do outro que a respeitamos e evitamos conflitos. Algo, aliás, que o mundo precisa resgatar. +++ Euphoria em destaque A série, disponível no HBO Max, se tornou a segunda mais assistida da história do canal HBO, logo atrás de Game of Thrones. O drama adolescente, estrelado pela mesma Zendaya de Homem-Aranha e Duna, gira em torno de um grupo de estudantes do Ensino Médio e de seu dia a dia em meio às questões típicas da idade, como drogas, sexo, redes sociais e busca pela identidade. Cinema condena a Rússia Grandes estúdios de Hollywood cancelaram seus lançamentos na Rússia após a invasão à Ucrânia. A Warner, por exemplo, não vai exibir O Batman, novo filme do Homem-Morcego que chegou às telas de todo o mundo nesta semana. A Sony cancelou a estreia de Morbius e a Paramount não vai mais lançar Sonic 2 no país. Estatueta para Ariana? É cada vez mais forte o nome de Ariana de Bose como favorita ao Oscar de Atriz Coadjuvante pelo papel de Anita em Amor, Sublime Amor. Ela ganhou alguns dos principais troféus da temporada e faturou, no último domingo, o prêmio do Sindicato dos Atores, um importante indicador. Vale lembrar que, em 1961, o papel de Anita no filme original também rendeu o Oscar à atriz Rita Moreno.