[[legacy_image_242353]] Há muitas histórias dentro de Babilônia, novo filme do diretor Damien Chazelle ambientado na Los Angeles (EUA) dos loucos anos 1920. Para acompanhar qualquer uma delas, é preciso estar preparado para o caos, o exagero e também para altas doses de escatologia. O filme é uma homenagem (e ao mesmo tempo um retrato bem pouco elogioso) dos primórdios de Hollywood e suas estrelas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Já em seus primeiros minutos, o filme entrega um banho de fezes de elefante e uma orgia regada a cocaína. É nesta festa caótica que somos apresentados aos principais personagens da história: a jovem aspirante a estrela do cinema Nellie La Roy (Margot Robbie), o astro do cinema mudo Jack Conrad (Brad Pitt), o dedicado e ambicioso latino Manny Torres, a misteriosa cantora chinesa Lady Fay Zhu e o talentoso trompetista Sidney Palmer. É por meio deles e de suas histórias pessoais que somos levados a uma viagem pelos primeiros anos do cinema como indústria, já em um momento próximo da transição do cinema mudo para o falado (e cantado), mas ainda muito longe do nível de profissionalismo que a indústria desenvolveu nas décadas seguintes. Essa mudança que a indústria sofreu com o advento do som vai afetar a vida de todos eles, provocando a ascensão de alguns e a inevitável queda de outros. É o exato momento histórico retratado em Cantando na Chuva, clássico que, aliás, terá um papel importante no desenrolar da trama. Chazelle, que já nos entregou ótimos filmes como Whiplash e o musical La La Land, aqui segue um caminho muito parecido com o de diretores como Federico Fellini ou Baz Luhrmann. O ritmo frenético, as sequências em que fica até difícil perceber tudo o que está acontecendo e o trágico e desagradável desenrolar dos fatos levam ao nojo e também ao riso. Em meio a toda a loucura e às histórias principais, temos em Babilônia um grande desfile de coadjuvantes, como um irreconhecível Lukas Haas, o baixista Flea (da banda Red Hot Chilli Peppers) e a grande surpresa que Tobey Maguire, também produtor do filme, provoca com sua aparição, digamos, vampiresca. Como em outros filmes do diretor, o jazz também tem um espaço importante na história, na figura do trompetista que, com a chegada dos filmes sonoros, é alçado à categoria de estrela, mas não se encaixa em uma sociedade na qual o racismo pode ser disfarçado, porém nunca eliminado. No aspecto técnico, o filme é ótimo: direção de arte, figurinos, maquiagem são perfeitos. A música, do mesmo Justin Hurwitz de outros filmes do diretor, é ótima, mas em muitos momentos lembra - demais - alguns temas de La La Land. Babilônia é apresentado como uma comédia e você pode até rir, mesmo, ou de nervoso ou pelo absurdo de certas situações, mas a sensação que fica ao final do filme é de melancolia com as histórias de tantas estrelas e anônimos que, ao longo de mais de um século de história, foram usados e jogados fora na busca de uma indústria que começou como circo pelo patamar de arte. Longe de ser ruim, o filme não é para qualquer público e quem decidir assistir deve estar avisado que a jornada é tudo, menos agradável. É a outra face da mesma moeda de La La Land. Mas enquanto lá eram a poesia e a inocência que imperavam, aqui é são a decadência e tragédia.