[[legacy_image_254511]] A ascensão de grupos extremistas e de discursos de ódio na internet aumentou consideravelmente nos últimos cinco anos. Pensando neste Mês Internacional da Mulher, vale olhar como esses movimentos se revertem, na mesma proporção, em notícias de aumento de violência doméstica e de feminicídios no Brasil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na semana do dia 8, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou a pesquisa Visível e Invisível, mostrando que, ano passado, mais de 50 mil mulheres por dia no País foram agredidas, verbalmente ou fisicamente. Já um estudo da ONG Safernet indicou que, entre 2021 e 2022, as denúncias de misoginia no mundo virtual cresceram 184%. São conteúdos presentes, principalmente nas redes sociais, em fóruns de discussão e nos “cursos” on-line de influenciadores da “verdadeira masculinidade” – seja lá o que isso for. Misoginia é uma aversão patológica ao feminino, que sustenta comportamentos machistas: intimidar, desrespeitar, menosprezar, machucar, matar. Tudo em nome da preservação da desigualdade de gêneros, e que espera chancelar a superioridade e o poder masculinos (eu quase ri escrevendo essa última frase, mas o assunto é sério). Uma das constantes afirmações de tais conteúdos é que feministas são mal-amadas, ou não transam, ou são libertinas, estão ressentidas e elas, sim, são responsáveis pelo ódio aos homens. Entre as soluções sugeridas nos fóruns e redes sociais masculinistas para colocar feministas “no devido lugar” estão estupro, humilhações diversas e castigos físicos. E aqui está o que os seguidores dessa machosfera não aguentam lidar: mulheres que aprenderam a não se relacionar, em hipótese alguma, com esse tipo de indivíduo. Feministas são mulheres que buscam uma sociedade que seja boa para todas as pessoas, de todos os gêneros. O feminismo só nasceu porque tivemos que aprender a nos defender de um preconceito: o machismo. Se temos raiva? Claro que sim. Afinal, são gerações inteiras de mulheres que viveram com medo dentro da própria casa, da própria família, que foram subjugadas e relegadas, apesar de seus talentos e capacidades, a espaços menores, a menos direitos. A quem muito sofrimento foi imposto apenas pela condição feminina. Não queremos vingança. Queremos respeito e reconhecimento. Queremos ao nosso lado, inclusive, os homens que não temem rever comportamentos e desconstruir padrões tóxicos do que é ser homem. Tem muito cara legal nessa busca – e nenhum deles será cooptado por discursos que insistem em submeter mulheres a papéis que servem apenas para lustrar um (pobre) ego masculino. Bem-amadas são aquelas que sabem que amar dá trabalho e que relacionamentos são constantes desafios. Mas que amor não é sinônimo de dor, seja física ou emocional. Que afeto é sobre admirar, jamais menosprezar. Que apoiar e acolher o outro nunca será sobre se anular. Que seus sonhos são tão importantes como os de quem amam. Que é preciso saber ir embora quando todos os itens anteriores não funcionarem mais. Como nos ensinou bell hooks no livro O Feminismo é para Todo Mundo: “Quando aceitarmos que o verdadeiro amor é fundamentado em reconhecimento e aceitação, que o amor combina cuidado, responsabilidade, comprometimento e conhecimento, entenderemos que não pode haver amor sem justiça. Com essa consciência, vem a compreensão de que o amor tem o poder de nos transformar e nos dar força para que possamos nos opor à dominação”. Sem o pensamento e a prática feministas, não temos a base necessária para criar laços de amor. Assim, não somos mais atraídas e traídas por príncipes charmosos que se transformam em senhores feudais.