[[legacy_image_239073]] No evento de tecnologia mais influente do mundo, a Consumer Electronics Show (CES), que aconteceu na semana passada em Las Vegas (EUA), um estande destoou. Nele, uma empresa francesa apresentou vasos de uma planta capaz de purificar o ar 30 vezes melhor do que suas similares. Como não foi o único lançamento com preocupações ambientais entre os 3,2 mil expositores de 173 países, os especialistas, acostumados com toda sorte de parafernálias digitais, estão prevendo uma possível guinada nessa bilionária indústria. Mesmo tímida, a tendência tem suas raízes na crescente preocupação da sociedade com a qualidade do meio ambiente que nos cerca. Assim, aos poucos, empresas como a francesa Neoplants roubam a cena antes restrita a tradicionais produtos como tevês e robôs inteligentes. A variedade desenvolvida pela equipe da França é uma planta que não só absorve dióxido de carbono (CO2), como também é capaz de retirar do ar de casas e edifícios de escritórios e residenciais, os chamados compostos orgânicos voláteis. Essa classe de produtos químicos, apesar de ser tóxica, está presente em uma enorme diversidade de itens de contato diário, como tintas, isolantes, colas, móveis, fiações, revestimentos, cosméticos etc. Estamos falando de substâncias como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos, conhecidos pela sigla BTEX, que podem causar desde simples irritações e dificuldades respiratórias até alterações nos genes e câncer. A Neo P1, o codinome da novidade, é capaz de absorver esses gases e ainda transformá-los em algo útil. O BTEX, por exemplo, é metabolizado em um aminoácido que a planta pode usar na produção de proteínas. Ela também captura o formaldeído, um álcool produzido a partir do metanol, muito tóxico à saúde, convertendo-o em frutose (açúcar). Entre outros, o formaldeído está presente em carpetes, vernizes e desinfetantes. A Neoplants pretende comercializar a Neo P1 ainda neste semestre. Na Europa e nos Estados Unidos, a previsão é que o custo de cada vaso deve girar em torno de R\$ 900,00. Para os padrões brasileiros, se mostra um valor aparentemente alto. Todavia, consiste em um sistema de purificação natural, que dispensa equipamentos e energia elétrica, requerendo apenas os cuidados tradicionais de qualquer outra planta: fornecer água e um pouco de sol. A empresa conseguiu captar milhões de dólares em investimentos e esse sucesso já atrai outros desenvolvedores de base biotecnológica, algo inédito nos quase 60 anos de existência da CES. Purificadores cultivados Muitos edifícios, visando reduzir o custo de energia elétrica, seja com aquecimento ou resfriamento, são cobertos, geralmente, por placas de vidro, sem abertura de janelas. Estudos demonstram que esses ambientes se tornam, com o tempo, sujeitos a problemas relacionados à má qualidade do ar. Mas é possível reduzir esses efeitos. Uma pesquisa feita pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) identificou 18 espécies de plantas que mais contribuem naturalmente para filtrar poluentes. Aloe vera, gerbera (foto), palmeira camedórea-bambu, crisântemo, espada-de-são-jorge, ficus, filodendro, jiboia, hera, lírio, diversas espécies de dracena e até a bananeira estão entre as mais fáceis de encontrar no Brasil. Além da purificação, plantas (e animais) melhoram o ambiente doméstico ou de trabalho, a produtividade e até reduzem conflitos.