Vacinação é importante para o combate à febre amarela (Adobe Stock) Um alerta para o aumento de casos de febre amarela em São Paulo, Minas Gerais, Roraima e Tocantins. Conforme o Ministério da Saúde, em São Paulo foram registradas 12 mortes este ano. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, em 11 deles o paciente não havia tomado a vacina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao todo, 18 casos foram confirmados no Estado, sendo que um deles foi contraído em Minas Gerais. A infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), explica que a febre amarela no Brasil ocorre apenas na forma silvestre, sendo transmitida por mosquitos de áreas de mata que utilizam primatas não humanos como hospedeiros. “Casos em humanos são esporádicos e geralmente relacionados a incursões nesses ambientes. Desde 1942, não há transmissão urbana, mas a intensa infestação pelo Aedes aegypti, demonstrada pela recente epidemia de dengue, aumenta o risco de reintrodução do vírus no ciclo urbano, possibilitando uma transmissão sustentada entre humanos”. Segundo a especialista, áreas periféricas próximas a zonas rurais e matas exigem atenção, pois desempenharam um papel importante nos últimos surtos. “No surto de 2017/2018, por exemplo, a maioria dos casos vinham de um bairro, em Mairiporã, uma área urbana, mas colada à Serra da Cantareira, o que reforça o alerta para a necessidade de vigilância nessas regiões”. A principal estratégia de prevenção, segundo a médica, é a vacinação. “A vacina contra a febre amarela é altamente eficaz e gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo recomendada para praticamente toda a população do País. Antes restrita a algumas regiões, a imunização passou a ser indicada de forma mais ampla devido à expansão da transmissão silvestre”, esclarece Lázari. Ela destaca que a alta cobertura vacinal impede a disseminação do vírus, protegendo tanto as pessoas quanto a coletividade. Os sintomas iniciais da febre amarela são semelhantes aos da dengue, incluindo febre alta, calafrios, cefaleia intensa e dores musculares limitantes. “O quadro pode evoluir para formas graves, com icterícia, hemorragias, insuficiência renal e hepática, e falência de órgãos. O histórico de exposição a áreas de mata e a ausência de vacinação são fatores-chave para diferenciar a doença de outras arboviroses”. Apesar de eficaz, a vacina possui contraindicações, incluindo crianças menores de nove meses, lactantes de bebês com menos de seis meses, pessoas com alergia a ovo, imunossuprimidos e pessoas com HIV com células CD4 abaixo de 350. “Nesses casos, a avaliação médica é essencial para decidir sobre a imunização”. Controlar a proliferação do mosquito vetor é uma medida fundamental. A população deve estar atenta aos sinais da doença e buscar orientação médica ao apresentar sintomas compatíveis, especialmente após visitas a regiões de mata. A prevenção é a chave para evitar novos surtos e proteger a saúde pública. O imunizante faz parte do calendário básico de vacinação para crianças de 9 meses a menores de 5 anos, com uma dose de reforço aos 4 anos de idade, além de dose única para a população de 5 a 59 anos que ainda não foi vacinada. Quem for viajar para áreas de maior risco deve tomar a vacina ao menos 10 dias antes do embarque. QUADRO Os sintomas iniciais da febre amarela: - Início súbito de febre - Dores no corpo em geral - Calafrios - Náuseas e vômitos - Dor de cabeça intensa - Fadiga - Dores nas costas - Fraqueza Complicações: Em casos graves, a pessoa infectada pode desenvolver alguns sintomas, como: - Febre alta - Hemorragia - Pele e olhos amarelados (icterícia) - Eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos Quem não deve se vacinar: - Crianças menores de 9 meses de idade - Mulheres amamentando <TB><TB>crianças menores de 6 meses de idade - Pessoas com alergia grave ao ovo - Pessoas que vivem com HIV e que têm contagem de células CD4 menor que 350 - Pessoas em de tratamento com quimioterapia/radioterapia - Pessoas com doenças autoimunes - Pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo) Doação de sangue Após 28 dias da vacina, as doações de sangue podem ser realizadas. Sugere-se que antes de tomar a vacina as pessoas procurem um hemocentro ou serviço de coleta para doação, evitando que haja desabastecimento dos estoques de bolsas de sangue Fonte: Ministério da Saúde