Neste episódio, casal que vive na pobreza adota um órfão com uma habilidade excepcional de trazer riqueza em seis dias. Mas, no sétimo dia, um grave perigo os espera (Divulgação/Netflix) Filmes e séries de terror têm uma lógica um pouco diferente de obras de outros gêneros. O que poderia parecer ridículo em um filme ‘sério’ pode virar até qualidade em uma daquelas produções em que tudo é tão ruim que até fica bom! É bem esta a sensação que tive ao assistir aos primeiros episódios de Pesadelos e Devaneios de Joko Anwar, série antológica em sete episódios independentes produzida na Indonésia e que acaba de chegar à Netflix. A direção de arte é ruim? Horrível, parece um terror ruim dos anos 70. As interpretações convencem? Nem de longe. Mas por alguma razão que não sei bem explicar, eu gostei e fui me envolvendo com a história do primeiro episódio, sobre uma família de pai, mãe, bebê e avó paterna, esta última sofrendo os primeiros sinais de demência senil. O rapaz quer internar a mãe em um asilo misterioso e que custa uma fortuna, mas que, por razões inexplicadas, tem uma vaga gratuita oferecida à idosa. A esposa é contra, mas quando a avó quase causa a morte do bebê, aceita que o marido interne a própria mãe. Também sem muitas explicações ou motivos claros, o rapaz começa a ter dúvidas sobre o lugar e retorna, na mesma noite da internação, para levar a mãe embora. Mas acaba se envolvendo em uma trama sinistra e, claro, sobrenatural que terá consequências imprevisíveis (nem tanto). Nas outras histórias teremos mais tramas de terror, fantasia ou ficção científica que, vistas em conjunto, revelam que têm intersecções inesperadas. Tem a da família que adota um menino com uma capacidade incrível de produzir riqueza mas descobre que no sétimo dia a tragédia vai se abater sobre todos. Tem a do rapaz que fotografa um ovni em uma comunidade de pescadores. Outro episódio conta as histórias do homem que resolve visitar o cinema abandonado onde trabalhava e da escritora que percebe que sua vida começa a se parecer demais com a da personagem do livro que está escrevendo. Tudo tem um clima que lembra demais Twilight Zone (Além da Imaginação), mas a impressão positiva inicial rapidamente dá lugar a uma leve decepção com a simplicidade e a inocência das tramas e dos desfechos, que só é piorada pela produção que não está à altura da expectativa, mesmo sendo da própria Netflix. Joko Anwar, produtor/diretor cujo nome está no título, é um realizador da Indonésia que tem trabalhos medianos já lançados recentemente, como o longa Escravos de Satã, disponível no Prime Video e cuja trajetória me lembra a de outras fraudes, como M. Night Shyamalan ou Jordan Peele, melhores no marketing do que no resultado entregue. A série está no top 10 da Netflix brasileira e dificilmente os fãs do gênero vão ficar imunes à tentação de assisti-la. A dica, então, é reduzir (bastante) a expectativa e incluir uma bela dose de bom humor. Afinal, rir pode ser o melhor remédio, mesmo no meio do horror!