[[legacy_image_228715]] A natureza e a vida selvagem costumam ser retratadas como uma competição sanguínea pela sobrevivência, com a luta do forte sobre o mais fraco, o predador contra a presa. Novos estudos, porém, revelam surpreendentes estratégias cooperativas, que os cientistas podem aplicar em áreas como a neurologia, a cibernética e a agricultura. As aranhas, quem diria, fazem parte dessas pesquisas. A maioria são criaturas de vida solitária, que no próprio acasalamento apresentam comportamentos agressivos – com exceção de um grupo, que representa 0,1% de todas as espécies de aracnídeos no mundo. Esse grupo desenvolveu uma intrincada técnica de caça. Para isso, espalham suas teias ao longo de dezenas de metros, sobre arbustos. Quem vê a cena, ao longe, tem a impressão de que se trata de uma nuvem pairando sobre a vegetação. Essas áreas podem abrigar centenas, até milhares de aranhas, que precisam decifrar as vibrações na teia, diferenciá-las entre um inseto e a queda de uma folha, por exemplo. Elas não apenas são bem-sucedidas nisso como também conseguem identificar a posição das parceiras, seguindo a mais próxima da presa, assim que esta se lança ao ataque. Tudo isso acontece em segundos e a taxa de acerto comprova a eficácia do método. Daí começam as perguntas. Como desenvolveram a técnica? Como surgiu o conceito de cooperação? As respostas, para os cientistas, ajudam a desenvolver novas técnicas para que robôs possam trabalhar em grupo, desenvolvendo e se adaptando a eventuais necessidades. Outra linha de pesquisa busca desvendar os mecanismos por trás desse comportamento, o gene que o define, as moléculas envolvidas, aplicando esse conhecimento em estudos que vão do alzheimer à esquizofrenia. Esses e outros desdobramentos se devem a essa curiosa capacidade de atuar cooperativamente, característica que se repete em algumas espécies, entre espécies e, até mesmo, no reino vegetal. São vários exemplos, de peixes a pássaros, orquestrando comportamentos inatos para reagir e se adaptar à dinâmica do ambiente. Uma riqueza de interações que vai muito além da imagem de uma natureza solitária e egoísta. Plantas solidáriasNão são só os animais. As plantas também cooperam e desvendar esse mecanismo pode melhorar a produção na lavoura. A cooperação, nesse caso, se dá quando, por exemplo, uma planta evita crescer muito alto ou espalhar suas folhas muito largas, gerando sombras sobre as demais. Os agricultores conhecem essa técnica e buscam selecionar esses indivíduos por meio de cruzamentos, evitando a competição. Agora, combinando análises genéticas, pesquisadores suíços estão desvendando esse processo e desenvolvendo novos cultivos, baseados no princípio da cooperação, aumentando o rendimento na mesma área plantada.