[[legacy_image_224535]] Algumas pessoas parecem ter um ímã para mosquitos. Você é uma delas? Pois um estudo que acaba de ser publicado oferece uma explicação. Essa predileção por determinados indivíduos parece ter relação com as gorduras presentes na pele, mais especificamente os chamados ácidos graxos. Os odores por eles emanados funcionariam como um irresistível perfume para essas criaturas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores selecionaram um grupo de pessoas, as quais pediram que usassem meias de nylon nos braços por alguns dias. Em seguida, as meias foram colocadas em caixas com Aedes aegypti – a principal espécie de mosquito vetor de zika, dengue, febre amarela e chikungunya. Para surpresa dos pesquisadores, um dos tecidos selecionados se mostrou o alvo mais atraente para o Aedes: quatro vezes mais do que o segundo mais atraente do estudo e, surpreendentemente, 100 vezes mais do que o menos atraente dos tecidos avaliados. Tamanha discrepância não poderia ser ignorada. O próximo passo foi estudar as substâncias presentes nas peles desses três indivíduos. Todo esse trabalho levou três anos e foi repetido duas vezes. Ao todo, 50 compostos moleculares foram mapeados, evidenciando que nas pessoas com maior propensão a atrair mosquitos, maiores eram a presença das gorduras. Essas substâncias estão na camada superficial da pele e são usadas por bactérias, o que resulta em nosso odor corporal, um perfume único, que nós, seres humanos, não captamos. Entre as conclusões, duas delas chamaram a atenção dos cientistas. A primeira é que as pessoas que mais atraíam mosquitos permaneceram com essa curiosa característica ao longo de todo o estudo. A segunda descoberta, mais do que curiosa, foi frustrante. Os pesquisadores isolaram as moléculas que acreditavam ser as mais atraentes e criaram mosquitos mutantes, incapazes de captá-las. Mas, mesmo assim, apesar de uma certa incapacidade, os insetos mutantes continuaram conseguindo localizar os indivíduos mais propensos a atraí-los. Essa constatação acabou por confirmar um outro estudo, que apontava a existência de uma espécie de mecanismo de redundância no sistema olfativo de certos mosquitos, entre eles o Aedes aegypti, algo como uma estrutura à prova de falhas, resultado provavelmente da evolução da espécie. A batalha, afirmam os pesquisadores, não está perdida. Um outro grupo de cientistas decidiu focar não nos odores, mas nos sons produzidos pelos mosquitos machos e fêmeas para o acasalamento. As conclusões apontam que a serotonina, um neurotransmissor que atua no cérebro, é responsável pela variação no ruído, a qual os machos utilizam para encontrar as fêmeas. Agora, eles buscam um inibidor da serotonina nos insetos, capaz de reduzir o acasalamento. O desafio, porém, é grande. Estima-se que existam 3.500 espécies de mosquitos no mundo e cerca de 200 transmitam doenças aos humanos. O som, portanto, precisa ser seletivo, pois, apesar de tudo, muitas dessas criaturas são responsáveis por ações ecológicas importantes, como a polinização. Sendo assim, ruim com eles, muito pior sem eles.