[[legacy_image_306205]] Ainda longe do ideal, a ascensão feminina a cargos de liderança em instituições públicas, privadas e de terceiro setor é uma realidade. Pesquisa da consultoria Grant Thornton, divulgada em março deste ano, indicou que em 2022 chegamos a 38% desses espaços de decisão no Brasil. Em 2019, éramos 25%. Entre as vantagens para as organizações em terem mais mulheres no comando estão maior empatia, melhor comunicação com escuta ativa e diálogo, flexibilidade para adaptações aos contextos sempre em transformação e trabalho em colaboração. Características fundamentais para uma marca se manter inovadora e competitiva no mercado com times engajados. E se eu ainda não convenci você, atenção para esse número: 50% de aumento na rentabilidade é o que empresas com mais mulheres em cargos de liderança alcançam, segundo estudo da consultoria McKinsey na América Latina. Mas, quando falamos do feminino, também falamos de uma série de estereótipos que colaram em todas nós. Em se tratando de liderança, há dois caminhos de tentativas para enfraquecer a atuação de uma mulher à frente de uma equipe. Ou ela é grossa ou ela é boazinha. Extremos que mais uma vez buscam desmerecer capacidades, desestabilizar profissionais e, por que não, tirá-las do jogo. Vamos primeiro a um clássico da comparação entre liderança feminina e liderança masculina. Homens são assertivos. Mulheres são estúpidas. Quando um homem defende seus argumentos de forma firme, clara e objetiva, é um líder que sabe o que fazer. Quando uma mulher age exatamente do mesmo jeito (e eu já vi acontecer mais de uma vez), ela é seca, sem coração e (vejam só) parece um homem! Há uma confusão entre a mulher ser uma líder empática, justa e cobrar com menos firmeza. Uma vez na liderança, é preciso atingir metas, não importa o gênero de quem conduz o time. Não importa o gênero também, desrespeito e assédio moral jamais devem ser tolerados e precisam ser denunciados. No entanto, há uma ideia de que a mulher precisa ser maternal. Ser acolhedora e incentivadora não é ser maternal e passar a mão na cabeça. Ser acolhedora e incentivadora é levantar com elogio e cobrar eficiência geral para que resultados sejam positivos para todas e todos. No oposto absoluto está a ideia de que uma mulher admirada e querida pela equipe é boazinha. As pessoas gostarem de aprender e conviver com essa liderança é interpretado como alguém que cobra menos, deixa correr solto. Porém, temos os resultados para provar se é sobre uma troca de confiança que desperta autonomia e responsabilidade, com dedicação para orientar de forma cuidadosa e coerente, ou fazer vontades para ganhar a simpatia da galera. Já me disseram que alunas e alunos gostam da minha aula porque sou boazinha. Automaticamente, isso questiona minha competência e joga no lixo todas as horas que eu dedico para tornar assuntos e conceitos os mais diversos palatáveis e interessantes em um mundo em que temos a atenção desviada e a concentração afetada pelo excesso de informação. Sim, eu penso nisso quando preparo aula ou trabalho. Não é sobre ser boazinha. É sobre a responsabilidade de impactar o futuro de tanta gente. E claro, estudantes não são bobos e sabem quando um professor prepara aula de verdade. Mulheres são sobrecarregadas em todas as áreas de suas vidas. É uma luta constante equilibrar todos os pratinhos. Sermos cobradas pelo modo como lideramos, desse ou daquele jeito, é mais uma pressão típica de sociedades ainda desconfortáveis com o feminino dando as cartas e mudando cenários para que não seja favorável para poucos. Mesmo que um dos pratinhos caia e quebre, nós não vamos parar.