[[legacy_image_328458]] Tenho dificuldades e receios ao classificar alguém como inteligente. Já convivi com pessoas e tive alunos com desempenho acadêmico exemplar que apresentavam dificuldades em outras competências, como, por exemplo, a inteligência emocional. O tema rende uma discussão saudável, mas o que vou falar aqui é sobre algo não muito saudável: as pessoas que se consideram inteligentes. E, por criarem esta autoimagem, se acham no direito de tripudiar sobre quem consideram seres inferiores intelectualmente. São os chamados sofomaníacos, indivíduos sem o conhecimento necessário para opinar com propriedade sobre um fato e que, mesmo assim, opinam, inclusive não aceitando que ninguém os contrarie. As redes sociais se transformaram no espaço preferido dessas pessoas. Mas o que é, para mim, uma pessoa inteligente? Não sei! Não acredito em convenções possíveis que possam classificar alguém de inteligente e desconheço a existência de uma “certificação” para isso. Tudo depende de um ponto de vista. Se utilizarmos como padrão, por exemplo, a gastronomia, qualquer candidato do programa MasterChef é mais inteligente que eu. Sou professor há 15 anos, tenho título de mestre e não me considero mais inteligente que aquele senhor que vende pastel na frente da faculdade. Não é falsa modéstia, é apenas uma constatação que desafio você a refutar. As redes sociais transformaram este conceito de inteligência relacionada à necessidade de opinar sobre tudo em uma busca incessante por autoafirmação. E o distúrbio, já diagnosticado no comportamento sofomaníaco, é não ter argumentos sólidos. Não os tendo, resta apenas a autodefesa envernizada como ironia, sarcasmo e violência. São comportamentos que me incomodam de tal maneira que não costumo postar nada sobre política, religião e futebol nas redes sociais. Não é que eu tenha receio de ser chamado de burro. Vá em frente! Me chamar de burro pode te dar uma baita satisfação pessoal, mas não vai torná-lo mais inteligente. É isso. Este texto é um convite para que você reflita. O mundo realmente precisa da sua opinião sobre o Bolsonaro, o Lula, a Anitta, o Neymar e o preço da paçoca? Não quero que você se autocensure, só pare de se achar tão importante nas redes sociais. Na maior parte do tempo, ninguém está interessado no que eu e você pensamos. Além de não se tornar mais inteligente, ficar opinando sobre tudo nas redes sociais pode te trazer aborrecimentos. Dos livros que mais me influenciaram nos últimos anos, destaco Ortodoxia, de G.K Cherterton, em especial o ensaio O Maníaco. Nele, o autor inglês defende que o que gera a insanidade é o excesso de razão, marca justamente dos comportamentos sofomaníacos. Quem se acha inteligente tem sempre respostas e opiniões sobre tudo. Vou embora e deixo um pouco de Chesterton para vocês: “Se você discutir com um louco, é extremamente provável que leve a pior; pois sob muitos aspectos a mente dele se move muito mais rápido por não se atrapalhar com coisas que costumam acompanhar o bom juízo. Ele não é embaraçado pelo senso de humor, pela caridade ou pelas tolas certezas da experiência. Ele é muito mais lógico por perder certos afetos da sanidade. De fato, a explicação comum para a insanidade nesse respeito é enganadora. O louco não é um homem que perdeu a razão. O louco é um homem que perdeu tudo, exceto a razão”.