[[legacy_image_213984]] Filho. Uma palavra pequena, de cinco letras, mas que carrega uma enorme responsabilidade. Você, provavelmente, já ouviu a famosa frase “quando nasce um bebê, nasce uma mãe”. Só que o que poucos sabem – ou o que muitos esquecem – é que a maternidade também envolve o seguinte: quando nasce uma mãe, “morre” uma mulher sem filhos. E essa mulher de antes, não importa o que digam, nunca mais volta a existir, a ser igual. Esse lado B da nova identidade da mãe – do “luto” pela vida sem filhos – por não ser falado abertamente, na maioria dos casos, costuma ser totalmente inesperado. Por isso, preparamos algumas dicas de como entender tal sentimento, amenizar a dor e ressignificar essa nova versão da mulher. “Nesse momento, é comum surgirem sentimentos ambivalentes: apesar da felicidade por ser mãe, pelo amor que sente pelo filho, as responsabilidades são novas”, diz a especialista em Ciência da Felicidade Denize Savi. Ela acrescenta que esse tipo de luto acontece quando a mulher deixa de ser dona absoluta do seu tempo, quando os planos mudam e, agora, dependem acima de tudo do filho. Essa mãe, portanto, não se dá mais ao luxo de tomar uma decisão pensando apenas em si mesma – e esse é justamente o retrato mais fiel da maternidade. É claro que, depois de um tempo após dar à luz, essa mulher pode voltar ao trabalho, a sair à noite, viajar sozinha... Porém, enquanto esse momento não chega, Denize afirma que é importante que ela se acolha. “A mulher precisa considerar o momento que está vivendo, o ambiente, as circunstâncias em que a gravidez aconteceu – se desejada ou não, se dentro de um contexto familiar ou não –, a realidade que ela vive, as condições financeiras e a sua rede de apoio”. A especialista diz que algo que pesa é a questão do apego. “Temos medo da mudança, porque somos apegados, gostamos de viver numa zona de conforto, onde tudo está funcionando, onde tenho uma certa estabilidade, um certo controle das coisas”. Sem falar da responsabilidade de colocar um novo ser humano no mundo, cuidar, educar, amar e estar sempre presente na vida dele. Isso demanda – além de muita energia – nosso ativo mais valioso: nosso tempo. Rotina balanceadaA mãe vive em função do bebê praticamente 24 horas por dia, mas é preciso saber balancear a rotina. “Quando dá, deve-se assistir a um episódio da série preferida ou a um filme. Deixar outro responsável com a criança, como o pai ou alguém da rede de apoio. Ler um livro e tentar relaxar. Se a mãe não conseguir ter alguns momentos só seus, pode acabar sobrecarregada”, afirma Denize. Por isso, não pode esquecer de si mesma. A mãe deve mais é aproveitar muito o bebê, mas, ao se cuidar, também estará zelando por ambos, garantindo saúde e bem-estar. E é importante não sentir vergonha de pedir ajuda. Algumas mães se cobram demais e acreditam que sempre precisam dar conta de tudo, mas a verdade é que não têm de agir sozinhas. ‘Romantizando’ a maternidadeÉ muito comum escutarmos pessoas “romantizando” a maternidade, destacando somente os aspectos positivos desse momento. Mas será que isso pode atrapalhar a mãe que acabou de ter filhos? Denize Savi explica que deve-se parar de romantizar a maternidade para se permitir que as mães tenham uma rotina mais digna e confortável. “A partir do momento em que nos tornamos mães, viramos ‘guerreiras’, como se isso fosse um elogio pelo número de atividades que desempenhamos. Mas desde quando estar sobrecarregada é motivo de orgulho? É exaustivo, temos de nos desdobrar em tantas rotinas, que elas acabam suprimindo a nossa individualidade”. O fato de a mulher ter menos tempo para ela, menos privacidade, menos liberdade, menos sono, menos vida social e menos intimidade com o parceiro impacta muito o seu emocional. E nesse sentindo, para viver esse processo de forma positiva, é fundamental desapegar de quem ela foi, para dar espaço para quem ela está se tornando. A nova identidade e o tal do “luto” também valem para pais adotantes? É claro que valem! “Afinal, a vida passa a ter um novo sentido com a chegada de um filho. Descobrimos o que é amor incondicional, o que é amar alguém a ponto de dar a própria vida por esse ser”, admite a especialista em Psicologia Positiva Denize Savi. “Ser mãe ou pai é lindo, intenso, mas, ao mesmo tempo, solitário. No entanto, entre inseguranças e alegrias, o que prevalece é o amor absurdo por nosso filho”.