[[legacy_image_337887]] São várias as causas capazes de desencadear um desclamento de retina, que pode, sim, levar à perda de visão. O oftalmologista Eduardo Paulino fala ao domingo+ sobre sintomas e tratamentos. Qual a função da retina?A retina é uma rede de células nervosas localizada no fundo dos olhos. E é ela que transforma a imagem, ou seja, a luz e a forma das coisas, em descargas elétricas que vão através do nervo ótico chegar ao centro da visão na parte posterior do cérebro. E ela é uma camada bem fina de tecido celular?Sim, a retina é extremamente delicada. Na verdade, é uma rede com várias camadas de células nervosas, principalmente cones e bastonetes. Os cones estão em maior número, localizados bem no centro, e que nos dão a visão de detalhes. Já os bastonetes estão mais na periferia da retina e nos proporcionam a sensação do campo visual maior, bem como a noção de adaptação ao claro e ao escuro. São eles os responsáveis por nos adaptar às mudanças de intensidade luminosa. O que pode causar o descolamento da retina?Com o passar dos anos, o humor vítreo (um tipo de gel que preenche o olho por dentro e está colado à retina) começa a ficar mais fluido e, muitas vezes, tende a se desprender da retina. Isso se chama descolamento posterior de vítreo, que, na grande maioria das vezes, não tem repercussão maior na visão, a não ser aumentar a visualização de pontinhos negros, que nós chamamos de moscas volantes. Mas, em alguns casos, ao se desprender, ele pode causar uma microtração, levando, então, a uma ruptura na periferia da retina, capaz de evoluir para o descolamento progressivo dela. Nesse caso, a situação é mais grave? Quando o problema se torna realmente progressivo, ele vai atingindo a parte posterior dos olhos, podendo descolar o ponto nobre da visão, que é a mácula, e causar o descolamento da retina como um todo. Uma pancada nos olhos pode causar descolamento de retina? Sim, é possível ter descolamentos depois de um trauma ocular, principalmente nos esportes de impacto ou em ferimentos oculares de origens diversas. Até em crianças isso pode acontecer durante algumas brincadeiras. Pacientes com doenças, como a retinopatia diabética, por exemplo, que criam tecidos que tracionam a retina como um todo, também são mais suscetíveis ao problema. O diabético, por alterações da microcirculação dos vasos da retina, criam vasos anormais, levando a sangramentos recidivantes e podem criar tecidos que se proliferam para o interior dos olhos e que se contraem. E isso pode levar a um descolamento tracional da retina. São causas bem diferentes que levam a um problema similar. Há outros fatores que predispõem a esse problema? Sim, um tumor sob a retina pode levar a esse processo por expansão tumoral para o interior dos olhos. Pacientes com altos graus de miopia, acima de 6 ou 7 graus, também estão mais vulneráveis a descolamentos de retina. O alto míope é um indivíduo que tem os olhos olho muito grandes e, às vezes, a periferia dos olhos é como se fosse uma cortina esgarçada. Daí, criam-se lesões chamadas predisponentes, ou seja, fáceis de se rasgar e levar ao descolamento de retina. Existe maneiras de se prevenir? Todo alto míope deve evitar impactos, como corridas intensas, e tudo que sacuda muito os olhos, favorecendo o risco de descolamento. Processos inflamatórios como as uveítes, que são doenças infecciosas no interior dos olhos, também podem levar à tração da retina, favorecendo essas contrações no interior dos olhos e o consequente descolamento de retina. Como é feito o diagnóstico? É importante realizar exames como o mapeamento da retina, ultrassom dos olhos e retinografia para identificar possíveis descolamentos, inflamações ou hemorragias. É fundamental que o paciente seja avaliado por um oftalmologista para obter um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado. E quais os recursos para tratar? Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de tratamento efetivo. O uso do raio laser para soldar a retina, sem a necessidade de uma cirurgia invasiva, é uma abordagem eficaz nesses casos. O gás SF6 também é usado para tratar o descolamento de retina, especialmente quando a ruptura está localizada na parte superior dela. O gás expande e comprime a retina, auxiliando na sua aderência. Já quando a lesão está localizada na parte inferior da retina, o uso do gás não é tão eficaz e o paciente pode precisar permanecer em repouso por um longo período, com posições específicas para ajudar na recuperação. A viretroctomia é uma cirurgia na qual são introduzidos microinstrumentos no interior dos olhos para remover o vítreo que está causando tração e, assim, tratar descolamentos tracionais. Além disso, o uso do raio laser para soldar e a aplicação de óleo de silicone para manter a retina aderida durante o processo de cicatrização são outros recursos de grande valia. É impressionante como a tecnologia e as técnicas médicas avançaram para oferecer opções menos invasivas e mais precisas para preservar a visão. Existem outras técnicas cirúrgicas para tratar o problema? A descrição das técnicas cirúrgicas utilizadas para tratar o descolamento de retina, como a cerclagem, por exemplo, que envolve a colocação de uma cinta externa de silicone e a drenagem do líquido sob a retina, juntamente com o congelamento da área afetada, é bastante detalhada. Essas abordagens visam promover a cicatrização e reconexão da retina, ajudando a restaurar sua função e a preservar a visão do paciente. O conhecimento e habilidade dos oftalmologistas nessas técnicas são fundamentais para o sucesso do tratamento. É grande o número de pessoas com esse tipo de emergência oftálmica? A proporção é de um caso para cada 10 mil pessoas. Isso representa um número significativo, especialmente em áreas densamente povoadas como São Paulo. Daí a importância de ficar atento aos sintomas e buscar atendimento médico imediato diante da suspeita. Quais são esses sintomas? Os primeiros sintomas podem ser o aparecimento das manchas flutuantes na visão (moscas volantes), flashes luminosos e perda progressiva da visão normalmente vindo da periferia. É importante procurar um oftalmologista após traumas oculares. Pacientes com retinopatia diabética e miopia alta devem fazer avaliações periódicas de controle. Compreender esses sinais e fatores de risco pode ajudar na identificação precoce do descolamento de retina e na busca por tratamento adequado. Qual a função da retina? A retina é uma rede de células nervosas localizada no fundo dos olhos. E é ela que transforma a imagem, ou seja, a luz e a forma das coisas, em descargas elétricas que vão através do nervo ótico chegar ao centro da visão na parte posterior do cérebro. E ela é uma camada bem fina de tecido celular? Sim, a retina é extremamente delicada. Na verdade, é uma rede com várias camadas de células nervosas, principalmente cones e bastonetes. Os cones estão em maior número, localizados bem no centro, e que nos dão a visão de detalhes. Já os bastonetes estão mais na periferia da retina e nos proporcionam a sensação do campo visual maior, bem como a noção de adaptação ao claro e ao escuro. São eles os responsáveis por nos adaptar às mudanças de intensidade luminosa. O que pode causar o descolamento da retina? Com o passar dos anos, o humor vítreo (um tipo de gel que preenche o olho por dentro e está colado à retina) começa a ficar mais fluido e, muitas vezes, tende a se desprender da retina. Isso se chama descolamento posterior de vítreo, que, na grande maioria das vezes, não tem repercussão maior na visão, a não ser aumentar a visualização de pontinhos negros, que nós chamamos de moscas volantes. Mas, em alguns casos, ao se desprender, ele pode causar uma microtração, levando, então, a uma ruptura na periferia da retina, capaz de evoluir para o descolamento progressivo dela. É grande o número de pessoas com esse tipo de emergência oftálmica? A proporção é de um caso para cada 10 mil pessoas. Isso representa um número significativo, especialmente em áreas densamente povoadas como São Paulo. Daí a importância de ficar atento aos sintomas e buscar atendimento médico imediato diante da suspeita.