Heloísa Capelas é autora dos best-sellers “Perdão, a Revolução que Falta” e “O Mapa da Felicidade” (Divulgação) Há quem marque na agenda o dia para começar a dieta, cumprir uma promessa ou colocar em prática um novo projeto. Mas, que tal se preparar para perdoar aquela pessoa que um dia te magoou, ou mesmo perdoar a si mesmo por algo do passado que até hoje traz dor? A escritora Heloísa Capelas, autora dos best-sellers “O Mapa da Felicidade” e “Perdão, a Revolução que Falta”, fala sobre o poder libertador do perdão. “É uma questão de inteligência”, sintetiza a autora. Especialista em inteligência emocional e inovação pessoal, ela é idealizadora do Universo do Autoconhecimento, primeira plataforma de treinamentos e conteúdo on-line sobre o tema, Heloísa é também coordenadora da Câmara Feminina do Instituto Êxito de Empreendedorismo. Perdoar pode ser uma atitude libertadora? Com certeza! Perdão é uma questão de inteligência. Perdoar é se sentir livre, é desejar que o outro siga a sua vida livre para que você também consiga seguir bem com a sua. Quando perdoamos alguém que nos fez mal, nos libertamos de mágoas e qualquer sentimento negativo que possamos ter dentro de nós. Esse processo nos traz uma sensação de bem-estar e nos faz seguir em frente, sem amarras. Por que perdoar é difícil? Perdão é um processo, é preciso fazer um exercício diário para se sentir seguro e conseguir melhor se apropriar dele. Muitas pessoas acham que quando perdoamos o outro, damos a ele uma espécie de carta de alforria para que cometa o mesmo erro outra vez. Mas não se trata disso. Sem perceber, somos envoltos por um ciclo de pensamento que mostra que, quando estamos magoados, ficamos com raiva e o próximo passo é desejar o mal para o outro. Quando conseguimos enxergar o quanto isso nos faz mal, nos libertamos para sermos mais felizes. O que o outro vai fazer com isso não sabemos e não temos controle, cabe a ele decidir. Quando fazemos a nossa parte, podemos seguir com o coração leve e sem culpa. Quais os reflexos que a falta do perdão pode trazer para a vida? Quem fica preso à falta de perdão nutre mágoa e isso impacta de uma forma negativa, até mesmo fisicamente. Há pesquisas que associam a falta de perdão até mesmo a problemas cardíacos. Por isso sempre reforço sobre a importância do autoperdão. Também cometemos falhas e, muitas vezes, conosco mesmo. As autocobranças, autoexigências e a sensação de não sermos bons o suficiente, entre tantos outros conflitos internos, acabam nos paralisando e limitando. A mudança envolve nos perdoarmos e acolhermos para começarmos a seguir em um novo caminho; caso contrário, ficaremos presos a velhas crenças, repetindo o mesmo refrão e sem sair do lugar. Importante frisar também que quando não nos perdoamos, é muito mais difícil perdoar ao outro. Quais benefícios no cotidiano para quem consegue perdoar? As pessoas que perdoam liberam espaços psíquicos, neurológicos, para novas aprendizagens, criatividades, mudanças emocionais, de comportamentos e ampliação de consciência. Todos esses níveis mudam notavelmente quando perdoamos. A sensação da compaixão nos dá uma experiência de igualdade com o outro. Foi como mencionei antes: aquele que não perdoa nutre uma mágoa e um ressentimento que travam a vida e impedem que coisas boas o atinjam. Dificuldade de perdoar tem a ver com as pessoas quererem controlar como os outros devem agir? Na verdade, quando não perdoamos, estamos dando poder ao outro, porque o ressentimento e a mágoa são sentidos pela gente. Arrastar isso conosco é como estar o tempo todo “revivendo” o mal-estar. Mas quando decidimos nos libertar, com o perdão, somos nós que estamos no comando. Para perdoar é preciso esquecer? Não é uma questão de esquecimento e sim de libertação, por isso sempre reforço a importância do autoconhecimento. Você não perdoa o outro, o perdão é seu. Tudo começa com o autoperdão. A compaixão consigo abre as portas para entender que todos estão fazendo o melhor que podem, de acordo com o nível de consciência e dos recursos internos que cada um tem. No processo de perdoar, chega um momento em que você lembrará, mas isso não te causará mais dor. Quais atitudes podem ajudar na jornada pelo perdão? Começa com nosso desejo de querer viver melhor e, para isso, de desejar exercitar o perdão. O autoconhecimento é o caminho que mais nos auxilia nessa jornada, vivemos a compaixão por nós e isso nos auxilia a viver a expressão da igualdade humana. Não espere que o perdão aconteça como num estalar de dedos, busque auxílio. No meu livro “Perdão, a Revolução que Falta”, aprofundo esse tema. Por que você decidiu escrever um livro sobre esse tema? Teve alguma questão particular? Eu me considero uma ativista do perdão, no meu primeiro livro, “O Mapa da Felicidade”, eu já falava sobre o tema, mas entendi que seria importante me aprofundar em um novo, já que o assunto é amplo e requer um olhar minucioso. Eu, particularmente, digo que o perdão mudou a minha vida. Quando descobri o autoconhecimento, pude entender coisas que até então, me pareciam sem solução. A partir do momento que decidi me perdoar, aconteceu virada de chave, pude olhar para os meus problemas de uma maneira mais ampla e buscar soluções e aprendizados para cada um deles.