[[legacy_image_228678]] É a partir dos 3 anos de idade que a criança já pode se beneficiar desse método terapêutico, que utiliza os cavalos para ajudar na reabilitação de pacientes com doenças neurológicas ou necessidades especiais. “Hoje temos 165 praticantes atendidos”, conta orgulhosa a presidente da Associação Equoterapia de Santos, Graça Silva. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os pacientes, em geral, são portadores de transtorno do espectro autista, síndrome de Down, paralisia cerebral, esclerose múltipla, doenças genéticas, ortopédicas e musculares, além de acidente vascular cerebral (AVC), trauma crânio-encefálico, falta de coordenação motora, deficiência visual e auditiva. “O receio do diagnóstico impossibilita que algumas famílias procurem por um profissional que faça as recomendações adequadas. Muitas vezes, os pais – quando defrontados sobre eventuais atrasos no desenvolvimento dos filhos – rejeitam a possibilidade de uma melhor investigação. No entanto, o tratamento tardio pode impedir a criança de receber os melhores estímulos”, alerta a presidente Graça Silva. A fisioterapeuta Tais Mayumi Kano, coordenadora da instituição, ressalta que a equoterapia é uma forma de reabilitação baseada na neurofisiologia e tem como base os padrões de movimentos rítmicos e repetitivos da marcha do cavalo. “Ao caminhar, o centro de gravidade do animal é deslocado tridimensionalmente, resultando em um movimento similar em 95% ao da marcha humana, alternando membros superiores e da pelve”. Conforme Tais, durante as sessões de equoterapia ocorre integração sensorial entre os sistemas visual, vestibular (que faz parte do labirinto) e proprioceptivo (que controla os músculos e articulações), além do envio de estímulos específicos às áreas correspondentes no córtex, gerando alterações e reorganização do sistema nervoso central e, consequentemente, ajustes posturais e padrões de movimentos mais apropriados e eficientes. “A aquisição de maior mobilidade da pelve, coluna, adequação do tônus, maior simetria e melhor controle da cabeça e tronco podem explicar porque crianças com paralisia cerebral, por exemplo, após sessões de equoterapia, demonstram melhora na função motora global e nos parâmetros da marcha”. A interação com o cavalo, os cuidados preliminares, o ato de montar e o manuseio final desenvolvem, ainda, novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima. “A atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para a melhora da força muscular, relaxamento, conscientização corporal e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio”, explica Tais. “Dar comida para os cavalos, aprender os comandos e montar. Tudo isso foi muito importante para a minha filha Lorena, paciente com transtorno do espectro autista, que evoluiu bastante com o tratamento”, diz a mãe Edenice Porto. “Ela aceitou muito bem o cavalo, dava carinho, fazia as tarefas. Regrediu um pouco durante um período em que ficou doente e parou de frequentar a equoterapia, mas fomos persistentes e a evolução novamente veio. É muito gratificante. Fico feliz por ela ter essa oportunidade!” O mesmo acontece com o David Bastos de Morais, de 8 anos. A mãe, Neriane, conheceu o trabalho pela televisão e fez a inscrição do menino em 2020, época difícil da pandemia. “Ele ficou pouco tempo na fila de espera e o tratamento durou um ano e meio. Foi um período de muito aprendizado, de conquistas e vitórias. Ele não tinha contato visual e foi com o trabalho da equoterapia que conseguiu superar tantos desafios. E lá não se trabalha apenas com a criança. Nós, pais, participamos de rodas de conversa e dinâmicas familiares. Hoje, o David é uma criança extraordinária, participa de atletismo e de skateterapia. Deu uma alavancada grande no que diz respeito à socialização, concentração e equilíbrio. Sou muito grata à família equoterapia. Eles me devolveram uma criança muito diferente e capaz. Hoje, meu filho melhorou a fala e o contato visual ”. O ortopedista Diego Abad dos Santos, que atua no Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual (CER) é quem faz a avaliação ortopédica das crianças. “Existe uma parceria entre a Associação Equoterapia e a Prefeitura de Santos. Faço a consulta ortopédica, inclusive, porque há casos em que esse tratamento é contraindicado, como nos pacientes com escoliose ou desvios acentuados de coluna e alterações anatômicas no quadril”. O especialista diz que há diversos estudos que apontam a melhora clínica no desenvolvimento dessas crianças com indicação para a equoterapia. “A interação com o cavalo promove melhora da motricidade e dos aspectos biopsicossocial, intelectual e comportamental. E os pais ficam felizes com impacto grande no desenvolvimento neurológico e até na autoestima”.