[[legacy_image_326529]] Considerada a sexta maior doença incapacitante do mundo pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a enxaqueca, também conhecida como migrânea, é um dos tipos mais comuns de cefaleia. No Brasil, 31 milhões de pessoas sofrem com o problema, a maioria entre 25 e 45 anos. Segundo a neurologista Mirella Fazzito, de São Paulo, a enxaqueca é mais comum no sexo feminino, afetando cerca de três mulheres para cada homem. “É uma doença crônica, ainda sem cura”, ressalta a médica. Segundo ela, o paciente pode ter alguns sintomas gerais antes mesmo de iniciar o quadro de dor, entre eles irritação, alteração de humor, insônia e sonolência. “A partir daí, a dor se inicia, podendo surgir de forma leve e ir se intensificando ao longo das horas”. De acordo com a especialista, existem diversos tipos de enxaqueca, que podem vir com aura ou sem aura. Também há a enxaqueca menstrual, a que acompanha o estresse de provas e vestibular, entre outras. “Todas são muito incômodas e geralmente caracterizadas por dores latejantes, de predomínio unilateral (hemicranianas), com duração de até 72 horas. “Felizmente há medidas que minimizam o problema e permitem que o paciente viva com mais qualidade de vida”. As dores têm intensidade variável, mas costumam ser intensas, latejantes, pulsáteis e atrapalham muito a rotina das pessoas. “A dor é a principal e mais comum manifestação no quadro enxaquecoso e, geralmente, é acompanhada de outros sintomas como náuseas e vômitos, intolerância a sons (fonofobia), luzes (fotofobia) e até mesmo a cheiros fortes”, comenta a neurologista. Em cerca de 15 a 20% dos casos, as pessoas podem apresentar alterações na visão como embaçamento, manchas escuras (escotomas), pontos luminosos em zigue-zague, perda visual temporal (na lateral do olho), bem como formigamentos no corpo e, mais raramente, perda de força. Essas alterações visuais e sensitivas são chamadas de aura e, na maioria dos casos, precedem o início da dor. “Depois da crise, ainda pode ocorrer a chamada ‘ressaca’, quando o corpo está em fase de recuperação. Essa etapa é caracterizada por intolerância a determinados alimentos, dificuldade de concentração, fadiga, mal estar e algumas dores pelo corpo”, ressalta a médica. O principal tratamento para enxaqueca é a prevenção. Hábitos saudáveis são importantes para a saúde de forma geral e também ajudam nessa situação. “Atividades físicas, alimentação de qualidade e sono reparador são medidas importantes, mas o uso de medicamentos também pode ser necessário”, explica Mirella. Por isso, é importante a avaliação de um especialista, que vai avaliar cada caso e prescrever o tratamento adequado. De acordo com a intensidade da crise de enxaqueca e da frequência com que ela ocorre, a qualidade de vida do paciente é bastante afetada, já que a dor é intensa e, na maioria dos casos, impossibilita a pessoa de realizar suas atividades. “É por isso que a prevenção é tão importante e, dentro desse acompanhamento, identificar os possíveis ‘gatilhos’ para o início da crise”.