[[legacy_image_306123]] Criado para conscientizar a população sobre a prevenção da doença, o Dia Nacional de Combate à Sífilis foi celebrado na semana passada com um alerta da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da sífilis, principalmente nas gestantes, durante o período pré-natal. Regis Kreitchmann, vice-presidente da Comissão de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, explica que a sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum, que pode provocar feridas no genitais, na palma das mãos e planta dos pés, além de manchas no corpo, queda de cabelos e, com o tempo, à destruição das articulações, lesões nos vasos do coração e no cérebro. “Os sintomas não são específicos e, muitas vezes, podem passar despercebidos nas fases iniciais da doença”. A transmissão pode ocorrer por meio de relação sexual e também, entre mãe e filho, durante a gravidez, já que a bactéria é capaz de atravessar a placenta. A sífilis pode resultar em perdas ou lesões fetais potencialmente irreversíveis, inclusive com possibilidade de aborto ou óbito fetal. “Sem tratamento, o bebê pode nascer com sífilis congênita, com necessidade de internação para exames e administração de antibióticos como parte do tratamento da doença”. Régis Kreitchmann explica que o teste diagnóstico pode ser feito por meio de exames de sangue (VDRL ou RPR) no laboratório ou mesmo por meio de um teste rápido específico para sífilis no posto de saúde. “O teste precisa ser realizado pelas pacientes que estão planejando a gestação. No entanto, todas as gestantes devem passar pela testagem na primeira consulta do pré-natal e repetir o exame no terceiro trimestre e no momento do parto. O teste também deverá ser feito em situações de exposição de risco para sífilis, como ocorre nos episódios de violência sexual”, destaca o ginecologista. Durante a gestação, o tratamento da mãe e do bebê envolve o uso de penicilina benzatina por via intramuscular, com o número de injeções variando de uma a três doses, de acordo com o tempo de contágio. O parceiro também deve ser tratado. É fundamental seguir o tratamento prescrito e realizar exames de sangue para confirmar a eficácia da terapia Em mulheres, a sífilis tem o potencial de evoluir e provocar danos nos órgãos vitais, resultando em lesões cerebrais, articulares e cardíacas, que podem ser fatais. Já nas gestantes, a complicação mais séria de um tratamento inadequado é a possibilidade de transmitir a infecção para o bebê, o que pode acarretar consequências graves e sequelas ao longo de toda a vida da criança. “A sífilis não tratada pode causar abortos de repetição. Essas perdas possuem enormes impactos sociais, econômicos e psicológicos para a mulher e a sociedade. No entanto, a sífilis congênita pode ser eliminada se a mulher for diagnosticada e tratada corretamente”, alerta o especialista. Uma maneira eficaz de se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis é o uso de preservativos durante as relações sexuais. Além disso, a testagem regular para sífilis, HIV e hepatites virais, disponível em postos de saúde, é fundamental, especialmente para pessoas que praticam sexo desprotegido, devendo ser realizada anualmente. A testagem dos parceiros também é essencial para garantir uma camada adicional de proteção, especialmente para as mulheres. “Em situações de risco, como aquelas envolvendo violência sexual, é recomendado que as mulheres busquem serviços especializados o mais rápido possível, a fim de receber medicamentos de profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para pessoas que enfrentam exposição frequente a ISTs, a PrEP (profilaxia pré-exposição), que consiste em uma combinação de antirretrovirais orais, pode ser uma opção para prevenir a infecção pelo HIV”, finaliza o médico.