[[legacy_image_294231]] Ellen Milgrau deu os primeiros passos como modelo aos 15 anos. Ela chegou a morar em Paris (França), Milão (Itália), Londres (Inglaterra) e Nova Iorque (EUA) e trabalhou para marcas badaladas como Valentino, Prada e Paco Rabanne. Recentemente, em paralelo à carreira na moda, a também influenciadora digital - que tem mais de 3 milhões de seguidores entre Instagram, TikTok e YouTube - viu um vídeo seu arrumando a casa de um amigo com depressão profunda viralizar e, assim, criou para suas redes sociais o projeto Faxina Milgrau, com o qual já organizou e limpou cerca de 30 residências de pessoas com transtornos psicológicos. Na entrevista a seguir, a paulistana de 30 anos, que chegou a apresentar programa na MTV, fala da experiência com o Faxina Milgrau e relembra passagens curiosas da vida de modelo. Você viralizou nas redes sociais fazendo faxina nas casas de pessoas com transtornos psicológicos. Qual foi o pontapé inicial desse projeto?Eu sempre fui muito ligada a limpeza e organização. É algo que já vem de berço, de família. Para mim, casa arrumada e limpinha traz harmonia, paz. O ponto de partida do que se tornou o Faxina Milgrau se deu em fevereiro do ano passado, quando a pedido de um amigo que estava com depressão profunda fui dar uma arrumada na casa dele. Resolvi filmar e postar nas minhas redes sociais o que fiz no imóvel, porque consumo muito desse tipo de conteúdo que vem de fora do País e reparo que por aqui não há tanto material assim. Quando publiquei o vídeo, ele viralizou (mais de 1 milhão de visualizações em três dias). Na época, eu estava vendo de reestruturar os meus conteúdos na web e a grande repercussão do post serviu de empurrão para levar o Faxina adiante. Pensei que seria algo de uma vez só. Não imaginava que me renderia frutos até hoje. Depois do vídeo do meu amigo, passei a receber várias solicitações para ir fazer faxina nas casas das pessoas. De lá para cá, já foram cerca de 30 residências. Qual história mais marcou?Foi a de uma senhora com mais idade que é acumuladora. Ela estava vivendo em uma casa realmente insalubre, inabitável. Com certeza, foi a história mais forte e também a mais difícil e trabalhosa. Precisei de cinco dias para dar conta. Após tirar todo o lixo, foi necessário fazer uma reforma na casa. Havia infiltrações, fezes de insetos... Costumo manter contato com as pessoas que visito no Faxina. Essa senhora manda mensagens com frequência. Pode parecer clichê, mas me sinto tão bem ajudando os outros. Não imaginava como isso seria benéfico e terapêutico para mim num sentido mais amplo, sabe? Comecei a ver a vida de uma forma diferente. Antes, eu era de reclamar demais das coisas e, quando nos colocamos no lugar do outro e ajudamos o próximo, tendemos a nos tornar seres humanos melhores. Quais são as suas dicas de limpeza e organização? Escuto bastante das pessoas: “Não sei por onde começar”. Geralmente recomendo iniciar pelo lixo. De preferência, ao som de uma música da qual você gosta, para dar uma animada. Se quiser, a trilha pode ser até o seu podcast preferido. Coloque num saco tudo o que não serve mais. Se você nem lembra que tem algo, é sinal de que deve se desfazer daquilo. Na sequência, ponha no lugar os itens que vai manter em casa. Com isso pronto, é hora da limpeza pesada com vassoura, pano de chão, aspirador... Por último, indico acender um incenso e tomar aquele banho, pois não podemos deixar de lado o autocuidado. Observo que, na maioria dos casos, tudo parte do acúmulo de roupas, até que uma peça vai ficando em cima da outra e se formam pilhas, que, com o tempo, se misturam com outros objetos e, dependendo da situação, com lixo. O que mais pesou para você trabalhar como modelo? Quando eu tinha por volta de 15 anos, um olheiro abordou a mim e à minha irmã no shopping. Só que trabalhar como modelo não era algo que eu cogitava ou imaginava que um dia aconteceria. Nossa primeira atitude foi verificar se tratava-se de um olheiro sério, pois, muitas vezes, tudo não passa de um golpe. Infelizmente, existe esse mercado de gente que se aproveita das famílias e as faz vender bens para pagar um suposto book, com a promessa de que aquilo vai abrir portas para trabalhos na moda que nunca se concretizam. Acha que a maioria das pessoas só enxerga o “glamour” da vida de modelo e não se dá conta de como essa profissão pode implicar em uma rotina bem puxada? Sim. As pessoas tendem a ver apenas o resultado final da passarela ou de uma campanha e não percebem quantos passos - alguns realmente bem longos - foram necessários para chegar até aquele ponto. O trabalho mais importante e duradouro que tive enquanto modelo foi com a Valentino. Eu vivia viajando a Europa para atender as demandas e as apresentações da marca. As roupas, inclusive, eram feitas na minha medida, no corpo. Além de experiências como essa, que foram uma verdadeira escola, a moda me permitiu conhecer outras culturas e línguas. Ainda me trouxe amigos que mantenho até hoje em dia. É fato: o Brasil possui leis trabalhistas que protegem melhor os modelos, enquanto lá fora não existe um respaldo judicial tão eficiente como o nosso. Tanto que, em alguns casos, abusa-se da disposição do modelo com extensas e cansativas jornadas. Em contrapartida, o mercado internacional paga melhor do que o brasileiro. Hoje, posso escolher o que faço ou não na moda. Consigo separar bem os trabalhos de modelo dos de influenciadora.