[[legacy_image_262236]] Da varanda da cabine do navio Costa Toscana, já era possível ver a cortina de arranha-céus, que fizeram de Dubai uma das cidades mais conhecidas do mundo. De longe, a arquitetura impressiona. E também consegui observar dezenas de prédios que ainda estão em construção. Há guindastes imensos, que passam a impressão de um gigantesco canteiro de obras. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A distância do terminal de passageiros para o Gold Souk Dubai, o mercado tradicional do emirado, era de aproximadamente 1,5 quilômetro. Eu e outros três jornalistas resolvemos fazer o percurso a pé. Mas, logo na saída do porto, percebemos que a cidade não foi feita para pedestres. No trajeto, não existe calçada. E é impossível atravessar as largas avenidas expressas. Tivemos que retornar para o terminal e sair de táxi. O percurso curto custou US\$ 15. No meio do caminho, uma cena chamou a atenção. Numa espécie de centro comercial popular, percebemos que homens se ajoelhavam nas calçadas e nas ruas, enquanto uma oração era entoada em alto-falantes, espalhados pelo bairro. Descemos do táxi ali mesmo. Os homens corriam pelas ruas, com tapetes nas mãos, que seriam usados no momento em que se ajoelhassem na rua. Ao mesmo tempo, o comércio era fechado. Em poucos minutos, a principal avenida do bairro foi interditada pelos fiéis. Comerciantes, operários, estudantes... pessoas de todas as idades se ajoelhavam no meio da rua. Os carros e ônibus esperaram parados, até o fim da oração. O bairro de comércio popular lembra muito a Rua 25 de Março, em São Paulo. A diferença é o ambiente bem limpo, sem paredes pichadas. Como a maior parte das lojas estava fechada, nos recomendaram seguir direto para o Gold Souk, onde o comércio estaria funcionando e que ficava muito próximo dali. Esse é um grande ponto turístico de Dubai. Reúne centenas de varejistas, em um comércio com bastante variedade. Há lojas especializadas em temperos árabes, como o açafrão vermelho, uma das especiarias mais caras do mundo. Encontramos ainda comércios mais luxuosos, que vendem joias, e lojas mais populares, com as tradicionais lembrancinhas da cidade. Caminhando pelo souk, é fácil perceber que os brasileiros representam uma parcela grande entre os milhões de turistas que visitam o emirado todos os anos. Os trabalhadores do comércio faziam festa quando descobriam que éramos do Brasil. E alguns comerciantes, inclusive, sabiam falar português. Eles mostravam vídeos da torcida do Palmeiras, que, no ano passado, disputou o Mundial de Clubes nos Emirados Árabes Unidos. Riqueza e modernidadeUm braço de mar divide os dois polos de Dubai: o antigo, onde vive a maior parte dos trabalhadores e está o Gold Souk; e o moderno, onde ficam os edifícios imensos, que abrigam shoppings centers, empresas internacionais e o centro financeiro. Para atravessar o braço de mar, utilizamos um pequeno barco, que lembra muito as catraias que fazem a travessia entre Santos e Vicente de Carvalho. Ganhamos as passagens de uma jovem imigrante camaronesa, que trabalhava no centro de informações turísticas. Ela atendia a todos com bastante cordialidade e o sorriso aberto. Dubai, aliás, tem imigrantes de vários continentes. Percebemos isso quando fomos ao metrô, que é considerado um dos mais modernos do planeta. Vimos muitos indianos e paquistaneses. A cidade também tem presença forte de europeus, que foram trabalhar no emirado durante a transformação que aconteceu no país nas últimas décadas. O metrô é o meio de transporte mais utilizado em Dubai. São 125 mil passageiros passando pelo sistema por dia. Hoje, há 90 quilômetros de metrô, em três linhas, que levam moradores dos bairros ao centro financeiro. E foi da janela do trem que vimos o conjunto de imensas torres, característica que torna a cidade uma das mais conhecidas do planeta, reforço. O Burj Khalifa é o edifício mais alto do mundo. Construído em 2010, tem 828 metros de altura e abriga um complexo comercial e residencial. Além dele, outros quatro edifícios de Dubai estão entre os 50 mais altos do planeta. Como o metrô não tinha linha até o porto, chamamos um motorista de aplicativo para retornar ao terminal de passageiros. A espera foi longa, porque não existe muito oferta desse serviço na cidade. Costa ToscanaDubai foi o último destino do Costa Toscana no Oriente Médio. Desembarcamos do navio no início da madrugada e seguimos para o Aeroporto de Dubai, onde embarcaríamos para Doha, no Catar. Um percurso curto, de aproximadamente uma hora. Passamos um dia na capital do Catar. Depois, embarcamos para o Brasil, após o roteiro de oito dias de viagem por três países que compõem o Golfo Pérsico.