[[legacy_image_249597]] Assim como nós, seres humanos, os animais de estimação também podem sofrer de muitas doenças, sejam elas clínicas ou psicológicas. A única diferença é que eles não conseguem comunicar o que estão sentindo de forma assertiva; bastando aos tutores perceberem atitudes estranhas ou comportamentos inadequados dos pets. Nem sempre esses sinais são perceptíveis aos olhos de quem cuida do animal. Por isso, com o avanço da Ciência, hoje existe um ramo da medicina veterinária especializado no comportamento e na saúde mental dos bichinhos de estimação: a psiquiatria para animais. A especialização ainda não é formalizada no Brasil, mas já é reconhecida fora do País. O psiquiatra felino Guilherme Dornelas atende gatos da Baixada Santista e da Região Metropolitana de São Paulo. Ele explica que a psiquiatria felina é o estudo neurológico voltado para a parte comportamental do bichano. “Quando ele sofre de ansiedade ou transtornos compulsivos, por exemplo, é aí que entra a importância do psiquiatra”. [[legacy_image_249598]] Como identificarNa psiquiatria felina são tratados muitos transtornos ligados à ansiedade e às agressões. Dornelas afirma que observa muito em felinos os comportamentos relacionados à limpeza, como a lambedura excessiva. “Quando aquele banho que ele faz normalmente se torna excessivo e o animal começa a apresentar até alopecia (falta de pelo), é um sinal de que o gato está precisando de tratamento”. Outra mania comum nos felinos que precisam de atenção voltada à parte comportamental é quando começam a se esconder demais, seja de humanos ou de outros animais, ou ficam bem agitados em situações comuns dentro de casa. Pantufa, o gato com manias“Nossa missão na psiquiatria felina é combater alguns mitos sobre gatos. Muitas pessoas ainda os tratam como se fossem cachorros pequenos, mas não tem nada a ver”, diz Guilherme Dornelas. O especialista explica que gatos gostam de ter uma rotina e que, se ela mudar, eles podem ficar estressados, caso não sejam estimulados. “O Pantufa foi um paciente meu que começou a perder pelo na região do abdômen, porque lambia muito esse local. Eu e os tutores ficamos procurando as causas: se estava tendo alguma obra em casa, se o Pantufa possuía alguma alergia. Não achamos nada”. Após um tempo, eles perceberam que o pet gostava de dormir em cima de um móvel que havia sido descartado pela família. “Quando notamos que a falta do móvel poderia ser a causa do problema, improvisamos um outro no mesmo lugar e foi isso que mudou o dia a dia do Pantufa. Ele parou de ter aquele comportamento compulsivo”. Dornelas acrescenta que isso é muito comum em gatos que recebem poucos estímulos em casa e boa parte do tratamento envolve manejo e cuidado do tutor. “Por isso que a consulta psiquiátrica costuma demorar um pouco mais do que uma consulta normal. É muita conversa. A anamnese com o tutor tem que ser bem elaborada para entender o estilo de vida do gato”. Dica de ouroPor acaso, você já viu gato passeando de coleira? Para o veterinário Guilherme Dornelas, essa cena deveria ser mais frequente. “Uma coisa que eu falo para os tutores fazerem é passear com o gato na coleirinha mesmo. Desenvolver esse hábito, principalmente em felinos ansiosos, é um dos melhores remédios”. Porém, diferentemente dos cães, o gato não é um animal de matilha. Então, passear com um bichano pode demandar mais tempo para ele se sentir confortável com aquilo. O especialista acrescenta que “para colocar uma coleira no gato é preciso ensiná-lo que não é nada de outro mundo. Será necessário deixar o pet confortável com aquele objeto”. O indicado pelo veterinário especializado em psiquiatria felina é passear com o gato em horários com menos movimento. “Você não vai sair com ele naquele horário que está cheio de gente passeando com o cachorro ou buzinando com os carros”. E o mais importante: é preciso respeitar o tempo do pet. “Existem gatos que vão conseguir super-rápido e há outros que vão dar muito mais trabalho. Tudo fica mais fácil quando a gente ensina cedo, desde quando o gato ainda é filhotinho”, finaliza o psiquiatra felino.