[[legacy_image_288509]] Esperar pelo novo filme de Wes Anderson se tornou, para mim, uma tradição, da mesma forma que aguardo os novos trabalhos do Woody Allen. O diretor texano, um dos mais interessantes do cinema americano atual, é responsável por pérolas como Moonrise Kingdom, Os Excêntricos Tenenbaums, O Grande Hotel Budapeste e Viagem a Darjeeling, filmes que estão entre os que mais gostei nos últimos anos. O jeito dele de contar as histórias é único! Nem o fracasso de A Crônica Francesa, último filme do cineasta (bem chatinho, por sinal), me tirou a expectativa. Wes Anderson é um ótimo contador de histórias. Muito mais focado em como ele conta do que na história em si, é verdade, mas ainda assim um sujeito cujo trabalho merece ser acompanhado. Em comum, todos os seus filmes têm o elenco que quase sempre conta com Bill Murray, Owen Wilson e Adrien Brody, e possuem um estilo muito singular, com longas pausas, panorâmicas, design de produção único e interpretações muito… contemplativas, digamos. Asteroid City, que chegou nesta semana aos cinemas da região, entrega quase tudo o que a minha expectativa esperava. Teria sido tudo se não fosse por Bill Murray, que bem no comecinho das filmagens foi acusado de conduta imprópria por uma moça da produção e deixou o projeto. Mas o estilo, potencializado algumas vezes, está todo lá: a música de Alexandre Desplat, a fotografia toda “apastelada”, o humor sempre muito presente e aqui mais assumido… É, definitivamente, um filme de Wes Anderson. A história, escrita em parceria por Anderson e Roman Coppola (filho do diretor Francis Ford Coppola), é tão surreal quanto possível: nos longínquos anos 1950, naquele período pós-guerra em que uma parte da inocência do mundo já havia se perdido com os conflitos, mas que ainda havia uma considerável pureza, um concurso estudantil de observação astronômica acontece em uma cidade fictícia no deserto. No meio da confusão juvenil, há um fato histórico: um alienígena, simpaticíssimo, aparece, deixando todos os presentes espantados e sem saber o que fazer. E é claro que, logo depois da chegada do alien, o exército americano também surge, negando que o que todos viram tenha acontecido e agindo da forma ridícula como se espera do exército dos Estados Unidos. É a partir desse acontecimento que se desenrola a trama e desfila uma lista interminável de atores muito conhecidos: Bryan Cranston (de Breaking Bad), Scarlett Johansson, Willem Dafoe, Tom Hanks, Margot Robbie, Jeff Goldblum, Edward Norton, Tilda Swinton, Liev Schreiber e Adrien Brody. Dá para se divertir apenas prestando atenção nessas participações especiais de tantos astros! Não espere grandes lógicas, nem coerência, o filme não foi feito para isso. Se você curtiu os trabalhos anteriores do diretor, já sabe bem o que aguardar. Se não assistiu, vá ao cinema para garantir essa experiência em tela grande e, depois, maratone os filmes anteriores, que estão por aí nos streamings da vida. Assistir a uma obra de Wes Anderson é sempre uma experiência!