[[legacy_image_288457]] Neste domingo de Dia dos Pais, conheça histórias de professores que têm entre os alunos seus filhos. Psicóloga mostra como conduzir essa situação da melhor forma possível. [[legacy_image_288458]] Pai e professor de MatemáticaLúcio Flavo Amado Ribeiro, professor de Matemática do Colégio Objetivo, de 56 anos, já deu aula para o filho, Gustavo Russo Martins Amado Ribeiro, de 18, e atualmente leciona para o caçula, Felipe Russo Martins Amado Ribeiro, de 16. Há mais de três décadas na Educação, Lúcio comenta que os filhos já se confundiram em sala de aula, o que acabou sendo cômico. “Eles sabiam que, em algum momento, seriam meus alunos. Em sala, algumas vezes, trocaram o professor Lúcio por pai. A classe adorou e riu junto”, se diverte ao lembrar do episódio. Felipe diz que gostava do fato de seu pai ser seu professor, pois podia contar com uma explicação adicional das matérias em casa. “Mas me sentia um pouco pressionado, porque, se fizesse algo de errado, não era um professor qualquer e, sim, o meu pai”. Já Gustavo conta que havia muitas brincadeiras dos colegas em sala de aula: “Logicamente, tentavam tirar um sarro como ‘Teu pai te passa cola?’, ‘Olha pra frente, teu pai tá dando aula’... Só que eu levava tudo na brincadeira. E o pessoal, no fundo, conseguia enxergar que era o professor no momento e não o meu pai”. Realização é o que Lúcio sente por ter recebido a oportunidade de lecionar para Felipe e Gustavo. “Nas primeiras aulas, foi bastante gratificante e emocionante ver os meus filhos em sala, aprendendo comigo. Uma realização como pai e professor. Tenho de agradecer em especial à minha esposa, Fernanda, que ajudou muito na educação dos dois”, comenta, emocionado. “O que eu sempre peço é que estudem, pois é algo que ninguém tirará deles. A nota é consequência do aprendizado”. [[legacy_image_288459]] Pai e professor de História e FilosofiaProfessor de História e Filosofia do Colégio Jean Piaget, Gilvan Leite de Oliveira, de 41 anos, também teve a chance de dar aula para o filho, José Ortega de Oliveira, de 12. Trabalhando com ensino desde que se tornou pai, o educador compartilha que é difícil lecionar para o próprio filho, mas que tentou tornar o processo natural. “Eu não o olhava como um aluno qualquer, sabia das suas particularidades, da sua individualidade. Ele sempre teve bom comportamento e carinho muito grande pelos professores”. Gilvan procurou deixar claro para José e aos outros alunos que não havia qualquer favorecimento ao filho. “As turmas em peso criaram um vínculo bem forte comigo. Talvez o fato de eles, a todo o momento, se reportarem ao José como meu filho deve ter gerado algum incômodo, porque o José é bastante reservado. E, claro, ele sabe que sou exigente e que não deveria ser fácil lidar comigo como pai e professor, ao mesmo tempo”. Inclusive, Gilvan admite que estendeu a postura de pai exigente para a sala de aula. “Costumo fazer cobranças quanto a comportamento e respeito e enfatizo a importância da Educação na transformação da vida da pessoa. Portanto, acredito que fui exigente e até duro algumas vezes, porque não via o José somente como filho. Ou a admiração dele por mim aumentou ou ele pensou: ‘Esse cara é chato demais’”. O professor acrescenta que exige disciplina e bastante estudo não apenas de José como de Maria, sua outra filha. “Costumo dizer que filho de professor tem de dar o exemplo e se dedicar mais do que os outros. Então, considero essa cobrança um processo natural, baseado na minha visão de mundo”. [[legacy_image_288460]] Pai e professor de jiu-jítsuO professor de jiu-jítsu do projeto social New Start, André Luiz Cabral dos Santos, de 42 anos, dá aula para os quatro filhos: Ana Beatriz Souza da Silva, de 21; Mariana Nascimento Souza da Silva, de 17; David Luz Souza da Silva, de 13; e Maria Luíza Souza Cabral, de 5. Além disso, Mariana também ministra aulas junto com o pai para as turmas infantis. Há 18 anos ensinando o esporte, André acha que o interesse dos filhos surgiu naturalmente. “Como é uma paixão da minha vida e está presente em quase tudo o que faço, os quatro começaram a acompanhar e frequentar aos poucos”. Hoje, eles não conseguem mais separar o esporte da rotina familiar, tanto que há até um tatame em casa. Mas André afirma que manter a disciplina é crucial. “A disciplina e o esforço têm que ser visíveis em tudo o que a gente faz. Disciplina é fazer o que tem que fazer quando você quer e quando não quer”. Para ele, as funções de pai e professor acabam sendo próximas. “O tempo todo a gente está ensinando e aprendendo, então não consigo sentir tanta diferença entre ser pai e professor dos quatro. O que muda é o tema. Afinal, ser pai é ser um professor para as coisas da vida”. Entre os filhos, David Luz e Maria Luíza possuem transtorno do espectro autista (TEA) com níveis de suporte 1 e 2, respectivamente. Para André, isso pede que ele vá com mais calma na hora de ensinar algo para os dois, “para equilibrar mais as coisas, conseguir estar presente para o que é necessário e além do necessário”. E tem mais: o esporte ainda permite que André fique mais tempo junto com os quatro filhos e proporciona momentos especiais no tatame e em casa. Antes, ele lecionava em escolas. Porém, nos últimos anos, se dedica integralmente à família e ao projeto social de jiu-jítsu. “Estar com os filhos passou a ser muito mais importante do que poder proporcionar alguns bens materiais. A gente vai buscando equilíbrio entre o tatame, a casa e a vida no dia a dia”. Como manter o equilíbrio nesse tipo de relaçãoO relacionamento entre pai e filho deve ser baseado no amor e na confiança. A criança precisa crescer se sentindo segura e sabendo que, mesmo em um mundo perigoso, terá a quem recorrer. E em alguns casos, isso vai além: o filho se depara com o pai no papel de professor, no colégio ou no lugar onde pratica determinado esporte, o que também pede alguns cuidados para que tudo flua bem e não haja uma mistura de sintonias. Segundo a psicóloga clínica especialista em relações familiares Márcia Atik, os benefícios e os malefícios de ter o próprio pai ensinando alguma matéria, esporte ou aplicando uma prova variam de acordo com a relação estabelecida fora do ambiente de aprendizagem. “Se for um filho que sente o pai superior e esse pai é um pouco mais bravo e de cobrar bastante as coisas, aquela criança ou adolescente vai sofrer, porque terá que se esforçar muito para satisfazer as expectativas do pai. O que nem sempre é possível e pode provocar uma dor, um sentimento de inferioridade bem grande”, observa. Agora, se há uma relação de admiração e carinho entre os dois, os resultados podem ser positivos e até estimulantes. “Se esse pai é um ídolo e admirado pelo filho, se ele se mostra acolhedor e entende as limitações daquela criança ou adolescente, ele pode se tornar uma grande fonte de estímulo para o filho”. A melhor forma de conduzir esse tipo de situação é que tanto o pai quanto o filho entendam que estão em estágios diferentes de vida. “Um é o protetor, o orientador, enquanto a criança e o adolescente têm o mundo todo para desbravar. Então, esse acolhimento e discernimento das diferenças que existem entre os papéis de pai e filho costumam ser muito importantes”, arremata Márcia Atik.