[[legacy_image_330404]] Pode parecer mais confortável ficar de fora de embates no cotidiano, com um falso sentimento de ter as situações na palma da mão. Mas não é bem assim. Com a chegada de uma nova edição do Big Brother Brasil (BBB), a gente assiste de camarote a participantes que não se posicionam e dão a impressão de estarem “engolindo sapos” ou não curtindo como deveriam. São as famosas plantas do BBB, que nunca agradam a audiência. E na nossa rotina diária, do lado de fora da casa mais vigiada do Brasil, como devemos agir? É melhor dar uma de planta, fazendo ‘fotossíntese’ diante de uma situação de antagonismo, ou ir para o embate e se posicionar, enfrentando opiniões contrárias? Este é um dilema que muitos têm no dia a dia. EquilíbrioA psicóloga Yasmin Calheiros diz que é muito comum questionar se devemos ou não enfrentar um conflito. Porém, a profissional afirma que, dentro desse impasse, o importante é buscar o equilíbrio entre contornar embates desnecessários e enfrentar aquilo que é importante. “O exemplo do BBB é muito claro, porque o público não gosta daqueles participantes que não se envolvem em nenhuma discussão, os chamados ‘plantas’, mas também não gosta de assistir aos participantes que só causam confusões e discussões, aqueles que pesam a mão. Na vida real também é assim, o equilíbrio é a base de uma convivência mais harmoniosa com os outros e até consigo mesmo”. O problema, diz a especialista, é que as pessoas estão constantemente preocupadas em serem julgadas pelos outros. Sendo assim, Yasmin explica que, dentro de uma situação de combate, expressam suas opiniões. E nem todos ficam confortáveis em se expor. “Podemos alterar nosso pensamento de que atitudes como enfrentar um conflito e se expor geram consequências negativas. Nem sempre é assim, um conflito pode ser uma oportunidade de se expressar e até resolver aquilo que estava desalinhado”. SofrimentoÉ sempre esperado de uma pessoa evitar aquilo que possa trazer algum tipo de sofrimento, seja físico, ou psíquico, diz a psicóloga Mariana Almeida Silva de Lima. A exposição é um desafio e se torna ainda maior a pessoas com dificuldade em exposição. Há também quem acredite não estar em posição de emitir suas opiniões ou até mesmo de reclamar seus direitos. Esse medo existe, principalmente, em relações de poder. Mariana cita o ambiente de trabalho entre empregador e funcionários ou até mesmo no âmbito educacional, entre professor e estudantes. “Casos em que existe um desequilíbrio entre as posições e, mesmo quando há o desejo de enfrentamento, a ponderação sobre as possíveis consequências leva à renúncia aos conflitos. Às vezes, não é questão de querer ou preferir a harmonia, mas de fazer escolhas consideradas mais adequadas para o momento que está vivendo, entendendo a sociedade desigual em que todos estamos inseridos. Entretanto, a depender das escolhas, não se pode desconsiderar o impacto delas na saúde mental das pessoas, porque, ao se silenciarem, há o risco de se colocarem - ou de permanecerem - numa posição de vulnerabilidade, mesmo quando não emitem suas opiniões”. No âmbito mais geral, Mariana diz que a preferência pela harmonia pode ter a ver com a própria forma de manutenção da saúde mental de cada um. “A frase ‘é melhor ter paz do que razão’ pode fazer sentido para algumas pessoas e se segui-la não trouxer um sofrimento maior do que emitir as próprias opiniões, então, tudo certo”. Hora de agir?Quando o impasse se torna medo ou ansiedade, as especialistas aconselham a terapia. Afinal, há momentos em que se posicionar é inevitável. Como sua mente reagirá antes, durante e depois disso ditará a necessidade de procurar um profissional. Buscar a harmonia consigo mesmo é tão importante quanto a harmonia em grupo, indica a especialista. Por isso, tem momentos em que é preciso se posicionar, diz Mariana. “Existe uma necessidade muito grande que habita em todos nós: poder falar o que está sentindo, tirar aquilo que estava “engasgado” na garganta. Quanto mais reprimirmos conflitos, evitamos discussões apenas para deixar um ambiente mais harmonioso, e, principalmente, quanto menos conseguimos nos expressar para outras pessoas, mais isso se afasta do saudável”.