[[legacy_image_301000]] A vergonha da aparência da pele é um dos fatores que afetam a vida social, afetiva, sexual e profissional das pessoas que sofrem de dermatite atópica. A doença não tem cura, mas pode ser controlada com o uso de medicamentos específicos. Entre os principais sintomas estão forte ressecamento da pele, vermelhidão, coceira e descamação. Durante a crise, a doença pode acometer mais de 40% do corpo e cerca de 14% dos pacientes infantojuvenis acabam tendo necessidade de internação. “Antigamente, grande parte dos médicos acreditava que a dermatite atópica só acontecia em crianças”, ressalta Mayra Ianhez, médica mestre em Dermatologia e doutora em Medicina Translacional pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Conforme a especialista, o sofrimento de quem possui dermatite envolve a coceira, que acontece todos os dias, mas também o cansaço pelas noites maldormidas e a discriminação. “Além do prurido (coceira) e da hipersensibilidade a tudo que encosta na pele, a aparência da doença, que não é contagiosa, acaba tendo forte impacto negativo na qualidade de vida da pessoa, principalmente em crianças e adolescentes que, em alguns casos, são, inclusive, impedidos de ir à escola”, alerta Mayra. A causa da dermatite atópica é multifatorial e envolve hereditariedade, aspectos ambientais e imunológicos. Já o tratamento convencional demanda, além de muita hidratação tópica, que é a base do controle da doença, o uso de corticoides e fototerapia por cerca de duas vezes a cada semana. “Mas conter os sintomas é sempre um desafio para os médicos”, afirma a dermatologista Mayra Ianhez. PesquisaVergonha da aparência, episódios de bullying, hospitalizações, interferência no rendimento escolar e no desempenho profissional, baixa qualidade do sono e abalos no equilíbrio emocional são alguns dos fatores investigados em pesquisa, conduzida pelo Instituto Lumini, a partir de entrevistas com quase 900 participantes, divididos em dois grupos: pacientes adultos e pais/responsáveis por crianças e jovens com dermatite atópica. A dificuldade no diagnóstico é um agravante. “Em geral, os adultos buscam ajuda depois de várias ocorrências, muitas vezes diagnosticadas como alergia. Os números apontam que 10% dos portadores de dermatite atópica passam por anos de peregrinação em busca do diagnóstico correto”, ressalta Adriana Ribeiro, médica da Pfizer, empresa responsável por novo medicamento recém aprovado no Brasil e que está sendo utilizado em vários países, como solução inovadora no controle da doença. A novidade é a droga abrocitinibe (de nome comercial Cibinqo), que pode ser usada por pacientes com mais de 12 anos, faz parte de uma jornada de pioneirismo na área que abrange doenças inflamatórias e imunológicas, e foi lançada dentro do projeto A Realidade na Pele, que apresentou pesquisa inédita sobre os desafios que permeiam a jornada de adultos, crianças e jovens com dermatite atópica. “Basta um comprimido uma vez ao dia para que ocorra a diminuição das enzimas inflamatórias, que vão mediar as crises de dermatite atópica”, explica Adriana Ribeiro. Já nas primeiras 24 horas após a utilização do produto, há alívio da coceira, principal incômodo de quem tem a doença.