[[legacy_image_208103]] Escrevi há alguns anos, aqui mesmo em A Tribuna, a sensação que tinha (e ainda tenho) de que “roubaram” o meu futuro. Onde estão as bases lunares e as viagens para Marte que as revistas e livros do meu passado analógico davam como certas? Hoje, 50 anos após o último pouso tripulado na Lua, com a Apollo 17, a humanidade se apronta para... retornar à Lua! E apesar desse longo hiato, o novo programa recebeu o nome de Artemis, deusa grega irmã de Apolo. Essa “pegada de carona” na mítica missão dos anos 1960 reforça a ideia de como a Nasa avalia a empreitada. Em comunicado, ela diz estar “transformando a ficção científica em realidade”. Antes tarde...O foco é colocar seres humanos em uma base lunar, chamada de Gateway, ponto de partida para o estabelecimento de uma colônia e trampolim para Marte. Não que a exploração remota não dê resultados (e seja muito mais em conta). A sonda japonesa Hayabusa 2 retornou à Terra em 2020 com amostras do asteroide Ryugu. E a nave Roseta e seu robô, Philae, da Agência Espacial Europeia, desceram em 2014 no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. É que, além das limitações óbvias a serem diminuídas nos próximos anos com a inteligência artificial, os robôs figuram como embaixadores. Mas o personagem principal será sempre de carne e osso. Aí é quando a história ganha o drama. Nesse sentido, ligar a nova missão à missão Apollo pode se justificar, ainda mais se você quiser recolocar na ordem do dia a corrida espacial. A China, em 2019, anunciou que até o final desta década fincará sua bandeira em solo lunar – para ficar. A informação foi dada na sequência de grande feito: o primeiro pouso de sonda não tripulada no lado escuro da Lua. Para Marte, eles prometem ser os primeiros a trazer rochas do planeta vermelho, em 2031. Sobre colônias marcianas, a data é 2033. Aliás, a rápida evolução do programa chinês é o que impressiona os especialistas. No ano passado, o rover Zhurong pousou em Marte, um feito que consumiu décadas por parte da Nasa. Assim, impulsionados pelos foguetes da competição (e dos enormes ganhos científicos que a missão Apollo proporcionou), voltamos ao futuro. Não está sendo tão rápido como nos prometeram (ou como eu gostaria), no entanto ganhou ares de “agora vai”. ResultadosA exploração espacial está longe de ser uma aventura. Mas essa visão romântica se traduz em valiosas descobertas. A missão Apollo, por exemplo, proporcionou avanços científicos que foram decisivos na segurança aeronáutica e na evolução dos computadores, entre outros. Diversos procedimentos médicos só são possíveis graças à melhora na obtenção de imagens e seu processamento, além de subprodutos, como sistemas de filtragem e purificação, hoje imprescindíveis em vários tratamentos. Na linha de novos materiais, catalisou o desenvolvimento de tecidos que garantem a sobrevivência em um incêndio ou na mais gélida montanha. Para o espaço, agora, seguem a urgência por novas fontes de energia, os estudos em biotecnologia e as pesquisas em física, garantias da sobrevivência lá e cá.