[[legacy_image_157015]] Os números do Mundo Bita impressionam. Seu canal do YouTube, com mais de 90 clipes, tem mais de 9 bilhões de visualizações. Os conteúdos do projeto também estão no streaming HBO Max, no canal Cartoonito, na Rádio Bita (via Apple Music e Spotify) e inspiram peças, livros, shows e itens licenciados – já são 1,8 milhão de produtos vendidos. Sem falar que o primeiro álbum do Mundo Bita, chamado Bita e os Animais, foi indicado ao 19º Grammy Latino como melhor álbum infantil. E tudo começou de forma despretensiosa, em 2010, quando o designer e músico Chaps Melo desenhou o personagem Bita na gravidez da primeira filha, Anabel. No ano seguinte, se uniu a três outros pais – João Henrique Souza, Enio Porto e Felipe Almeida – para criar em Recife (PE) a Mr. Plot, produtora de conteúdos educativos para crianças de 1 a 5 anos. Ao domingo+, o fluminense de 42 anos adianta novidades do Mundo Bita. Como surgiu a ideia para criar o Mundo Bita? O Bita nasceu durante a gravidez da minha primeira filha, a Anabel, em 2010. Sempre gostei de desenhar. Um dia, estava no quarto que montamos para ela e comecei a rabiscar o personagem. Durante um ano, ele, que ainda nem tinha nome, ficou pendurado na parede, descansando, como uma ornamentação carinhosa do quarto, que ilustrava e iluminava a nossa vida em família. Em 2011, como o mercado de tablets estava se estabelecendo e havia demanda por e-books, eu e mais três sócios resolvemos montar uma empresa focada em produzir livros digitais infantis, pois os quatro tinham se tornado pais recentemente e queriam fazer conteúdos educativos, que auxiliassem na criação dos filhos. Foi tudo novo para nós. Afinal, vínhamos de outras áreas. Trabalharam quanto tempo com os e-books? Um ano. Sugeri que nosso primeiro livro fosse sobre o Bita. Assim, escrevemos a história de O Circo Mágico do Bita. Depois, teve mais um e-book dele. Também produzimos alguns aplicativos interativos para crianças, com jogos etc. Mas, com o tempo, a gente acabou se cansando dos livros digitais e dos apps, porque era difícil nos sustentarmos com eles. Tivemos a ideia de fazer músicas para o público infantil, aproveitando o Bita, como uma espécie de última tentativa para manter a empresa. Algo que ajudou foi o fato de eu ter a música como hobby. Preparamos as canções Fazendinha, Fundo do Mar e Como É Verde na Floresta e as mostramos para famílias que conhecíamos. Como a aceitação foi boa, a gente se entendeu como projeto musical e audiovisual e o Mundo Bita nasceu. Fomos, então, atrás de uma gravadora e de um canal de TV. No final de 2012, fechamos parceria com a Sony Music e o Discovery Kids. Ainda abrimos o nosso canal do YouTube. Montar um negócio assim fora do eixo Rio-São Paulo tornou o processo mais desafiador?Sem dúvida, já que o mercado de animação se concentra basicamente nesses locais. Mas a gente dá os nossos pulos. Desenvolvemos os conteúdos na Mr. Plot, em Recife, onde moro desde os 18 anos (Chaps nasceu em Angra dos Reis, no Rio, e é filho de nordestinos) e, quando necessário, viajamos para fazer negócios. Com isso, contribuímos para fortalecer o mercado de animação em Pernambuco. Os filhos de todos os sócios participam da elaboração do Mundo Bita?Sim, as crianças sempre dão pitacos. Algumas até fazem backing vocal nas músicas. Sem falar que incluímos nos personagens características dos nossos filhos e de outras crianças. Tem história especial com os fãs? Alguns relatos são bem tocantes, em especial os que envolvem crianças com deficiência. Teve uma criança com autismo que nunca havia falado, por causa do Bita, começou a falar. Outro feedback que mexe bastante com a gente é o relacionado a crianças em hospitais. As famílias comentam que o Bita traz um pouco de alegria em meio a momentos tão difíceis. Aliás, procuramos criar os nossos conteúdos a “quatro mãos” com o público. Pelas redes sociais, as pessoas pedem que abordemos determinados temas e tentamos atendê-las. O Mundo Bita já repercute fora do País? Hoje, os nossos conteúdos se encontram no YouTube, no streaming HBO Max e no canal Cartoonito, mas a grande maioria do nosso público ainda é brasileira. Do ano passado para cá, estamos estudando o mercado internacional e queremos investir nele. Já fizemos versões de algumas músicas em inglês, espanhol e em português característico de Portugal. O que mais planejam? Estamos desenvolvendo Imagine-se, série animada do Mundo Bita que estreia em outubro no HBO Max e no Cartoonito. E vamos lançar mais três músicas do projeto que comemora os 80 anos do Caetano Veloso. Na Rádio Bita, temos feito releituras de grandes artistas. Muitos deles acabam conhecendo o Mundo Bita por meio dos filhos, netos e sobrinhos.