[[legacy_image_216968]] Desde criança, Kley Tarcitano sabia que o seu futuro seria criando palcos e performances para grandes nomes do show business, e não mediu esforços para transformar esse sonho em realidade. O diretor criativo, hoje, vive entre Miami e Los Angeles, nos EUA, e tem no currículo trabalhos com estrelas como Jennifer Lopez, Britney Spears, Maluma e Anitta, além de ter atuado em premiações e programas badalados. A seguir, o paulistano de 38 anos conta curiosidades desse mercado e fala como foi participar da produção do show de Jennifer Lopez no Super Bowl (final da liga de futebol americano dos EUA), em 2020. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como foi o início nos EUA? A princípio, fui estudar inglês em Miami. Depois, solicitei visto de trabalho. Em 2010, a Flórida teve um boom de produções audiovisuais e entendi que a melhor forma de fazer contatos com profissionais do show business seria atuando como figurante. Fiz figuração em filmes, como Homem de Ferro 3, clipes, seriados e comerciais. Assim acabei me tornando amigo de pessoas do meio. Um dia, vi no Facebook de uma delas o anúncio de vaga de assistente de produção do American Idol. Eles me contrataram, só que o trabalho duraria cinco dias e seria em outro estado. Dirigi por seis horas até Savannah, na Geórgia, e, no primeiro dia, já virei supervisor dos assistentes. No final, a equipe do programa disse que seria ótimo contar comigo na seletiva da próxima cidade. Falei que, se me dessem a oportunidade, estaria lá. Eles comentaram que não pagavam voos de assistentes e disse que bancaria o meu. Desse modo, passei a acompanhar a equipe do reality show nas audições pelos EUA. Após a quinta cidade, eles começaram a pagar os meus aéreos. Na etapa seguinte, nos estúdios em Los Angeles, me tornei um produtor associado. Trabalhou em outros programas?Sim, no Dancing With The Stars e Little Big Shots. Só depois disso que passei a desenhar palcos. Por quatro anos, criei performances junto com outros produtores para o Grammy Latino. Graças a isso, conheci a equipe da Jennifer Lopez e fui chamado para trabalhar no clipe da música El Anillo. Aí, atuei nas premiações Billboard Music Awards, Billboard Latin Music Awards e MTV VMAs. Quais são seus outros clientes? Nos EUA, tenho entre meus clientes nomes como Britney Spears, Paula Abdul, J Balvin, Maluma e Disney. Já no Brasil, estou trabalhando com o Luan Santana e com a Anitta. Como foi produzir a performance da Jennifer Lopez no Super Bowl? Foi um processo complexo, que envolveu várias empresas, centenas de produtores, cerca de 170 bailarinos e milhares de pessoas. O Super Bowl e premiações como o VMA contam com muita tecnologia de ponta. Para você imaginar, o teatro onde ocorre o VMA possui cinco elevadores, desenvolvidos por um engenheiro de porta-aviões, que buscam e levam de volta os cenários das performances, que ficam pendurados em cima do palco ou em cinco andares subterrâneos. No Super Bowl, você tem três minutos para montar o palco no gramado. Na apresentação da Jennifer Lopez, em torno de 1,2 mil pessoas fizeram a montagem na hora. A desmontagem também precisou ser rápida, para não atrasar o jogo. O Super Bowl exigiu quatro meses de preparação, sendo dois de ensaios. Tudo começa com a concepção da performance; a seguir, você precisa ver se o que foi planejado está dentro do orçamento. Caso contrário, ou o artista assume os custos extras, ou o time do Super Bowl. A dinâmica muda muito em uma turnê? O trabalho é diferente, porque, por exemplo, você tem de criar algo que caiba nos caminhões que vão levar os itens do show. Na turnê mundial da Jennifer Lopez que fiz, havia 21 caminhões para carregar o palco. E tem artista que viaja com dois palcos se alternando. Qual foi a sua porta de entrada no show business? Desde pequeno, eu sempre gostei da área de shows. Com 9 anos, fui em uma excursão da escola ver o espetáculo Holiday On Ice e, quando cheguei em casa, montei uma réplica da pista de gelo da produção. Também costumava pedir para minha mãe cortar caixas de papelão ou, então, usava peças de Lego para fazer palcos. Foi difícil entrar nesse mercado, mas tudo fluiu de maneira natural. Com 18 anos, comecei a trabalhar com uma empresária da noite, produzindo shows e eventos em São Paulo. Fizemos, inclusive, o último espetáculo da Dercy Gonçalves e, na sequência, fui para os Estados Unidos, com 22 anos. Acabei aprendendo tudo na prática, não fiz nenhum curso. Até hoje tomo decisões por instinto.