[[legacy_image_209879]] Sidney Santiago Kuanza é um dos atores da região que vêm ganhando projeção nacional. No momento, ele pode ser visto na série Rensga Hits, do Globoplay, no papel do cantor Theo, que ganha mais do que a irmã, com quem forma uma dupla sertaneja de sucesso. Mas esse não é o único trabalho de repercussão de Sidney na Globo - na emissora, ele fez, por exemplo, a novela Caminho das Índias e as minisséries Carandiru - Outras Histórias e Queridos Amigos. Sem contar que o ator de 36 anos divide com Luis Miranda o papel de protagonista de Lima Barreto, ao Terceiro Dia, filme que será lançado na quinta-feira, e já recebeu vários prêmios de cinema, por longas como Os 12 Trabalhos e Diamante, O Bailarina. Na entrevista, Sidney, que participou da recente edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, fala sobre como descobriu a paixão pela interpretação em Guarujá e Bertioga, dos seus próximos projetos - entre eles um filme da Netflix -, do engajamento no movimento de teatro negro e da Cia Os Crespos, da qual é cofundador. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como tem sido a repercussão da série Rensga Hits?Muito positiva. Fiquei aproximadamente seis meses envolvido nesse projeto. Gravamos os episódios em Goiânia (Goiás), no período de maior isolamento da pandemia. Portanto, enfrentamos várias dificuldades. Ao mesmo tempo em que entretem, a série aborda assuntos importantes, como o debate racial, as desigualdades de gênero e outras questões femininas. O meu personagem, o Theo, tem uma dupla sertaneja de sucesso com a irmã, Thamyres (Jeniffer Dias), e ao contrário do que a gente imagina, ele ganha mais dinheiro, por ser homem. Isso leva as pessoas a entenderem que o machismo e esse tipo de desigualdade estão presentes não só no show business, mas em todos os segmentos da sociedade. O que despertou o seu interesse pela interpretação?Eu nasci no Berço dos Peixes, colônia de pescadores que fica na Praia do Perequê, em Guarujá. Lá, sempre houve programação cultural ligada a datas religiosas – quermesses e festas juninas. E na transição dos anos 80 para os 90, a única manifestação artística que ia até lá era o circo. Por meio dele, comecei a me familiarizar com a dança e as artes cênicas. Aí, passei a fazer atividades extracurriculares de teatro e coral nas escolas estaduais em que estudei na cidade. Com 12 para 13 anos, me mudei para Bertioga e, no colégio, participei de uma peça. Foi assim que o “bichinho” do teatro me mordeu para valer. Preparei um book e fui atrás de trabalhos em publicidade em São Paulo. Quando completei 14 anos, pedi a meus pais para estudar teatro na Capital e, com a ajuda deles, aluguei um kitnet. No ano seguinte, consegui papel na novela Caminhos da Fama, da transição da TV Manchete para a RedeTV!, e nunca mais parei. Fui emendando novelas, filmes e peças. Com o meu trabalho, passei a me sustentar e a pagar os meus estudos. Como é sua atuação no movimento de teatro negro?Quando entrei na Escola de Arte Dramática (EAD), da Universidade de São Paulo (USP), em 2005, só havia eu e mais outros quatro negros na sala de 20 alunos, ou seja, existia ali uma diferença brutal. Nós cinco começamos a propor diversas ações na EAD, como revisão da bibliografia e da metodologia, e pleiteamos maior relação da escola com a memória negra dos palcos brasileiros. A gente ainda fundou a Cia Os Crespos, que há 17 anos faz teatro pensando em formação de público, de novos artistas e narrativas que contemplem os negros. Também buscamos a democratização dos acessos, principalmente nos editais públicos, e temos uma revista. A companhia se tornou referência nacional no teatro negro. É importante dizer que dois dos outros quatro alunos negros da minha turma que fundaram Os Crespos são de Praia Grande: Lucelia Sergio e Tairone Porto. Atualmente, no teatro e no cinema brasileiros, existe uma quantidade considerável de atores negros de Guarujá, Santos, Praia Grande e Cubatão, e parte deles vem obtendo êxito relevante. Você tem mais projetos em andamento?Estreia na quinta o filme Lima Barreto, ao Terceiro Dia, em que interpreto o escritor até os 25 anos e o Luis Miranda o faz na fase adulta. Sou muito fã desse autor, pouco destacado na história. No final do ano, ainda vou fazer peça sobre ele. Além disso, de um tempo para cá, tenho escrito roteiros, pois entendi que, quando você se produz, tem mais autonomia. Transformei o espetáculo que escrevi sobre as Mães de Maio – com o qual excursionei por três anos – no documentário Negror em Paisagens, que tem lançamento previsto para dezembro e aborda a violência racial no Brasil. Trata-se de projeto solo e autoral, que viabilizei com a minha produtora, a Selo Homens de Cor. Para completar, entre dezembro e janeiro, vai estrear na Netflix a comédia musical da qual participei, sobre os 50 anos de casamento do Sidney Magal.