[[legacy_image_211981]] É muito comum vermos, principalmente em eventos geeks e em lançamentos de filmes de cultura pop ou de super-heróis, pessoas “fantasiadas” dos seus personagens favoritos. São os chamados cosplayers. Mas se engana quem acha que as produções deles acabam ficando restritas a personagens de séries, filmes, quadrinhos, mangás, animes e videogames. Na realidade, não existem limites para se fazer um cosplay. Também é preciso deixar claro que essa paixão não consiste apenas em se fantasiar. Originário do inglês, o termo cosplay é formado pela junção das palavras costume (fantasia) e role-play (encenação/interpretação). Portanto, o cosplayer não só se caracteriza de determinado personagem como passa a se comportar como ele. E para a maioria das pessoas, isso se transforma em um hobby que pode trazer reconhecimento, especialmente entre os amantes do universo geek. O estudante de Praia Grande Thiago Moreira, de 17 anos, por exemplo, ficou conhecido pelo seu cosplay de Homem-Aranha. “Eu me identifico muito com ele, desde pequeno. Sempre que posso, vou a eventos geeks para aproveitar cada momento e interagir com a galera que curte”. Thiago começou a se caracterizar como o super-herói em 2020, mas não pretende parar nisso. Já tem vontade de interpretar outros personagens, como Batman, Capitão América e Super Mario. “A melhor parte de tudo isso é poder alegrar as crianças. Sempre vou trajado de Homem-Aranha à praça da cidade para interagir e tirar fotos com quem está lá. A alegria, inclusive dos adultos, é algo contagiante”. [[legacy_image_211982]] O estudante já chegou a gastar cerca de R\$ 500,00 no seu cosplay de Homem-Aranha, o que, dependendo do caso, é pouco - ainda mais quando se fala em cosplayers que participam de competições e até do Mundial desse segmento. Mas, na opinião de Thiago, um bom cosplayer não é necessariamente aquele que investe na melhor fantasia e, sim, aquele que interpreta bem o personagem e se diverte com isso. Todas as idadesQuem acredita que o mundo do cosplay é apenas para crianças e adolescentes está equivocado. O segurança patrimonial de Guarujá Marcos Sciencio, de 46 anos, tomou coragem para driblar preconceitos e se caracterizar do seu personagem favorito: Darth Vader, da saga Star Wars. [[legacy_image_211983]] “Lembro que certa vez, no cinema, vi gente vestida de personagens do filme Matrix. Achei muito legal aquelas pessoas de sobretudo e óculos escuros. Por mais que nem todas estivessem tão idênticas aos personagens, não havia entre elas quem não estivesse na mesma vibe”, conta o segurança. Depois disso, mais exatamente em 2018, o morador de Vicente de Carvalho foi a um evento no Museu Pelé, em Santos, e se deparou com um cosplay de Darth Vader, que era um amigo seu vestido como o personagem. “A partir disso, minha esposa me incentivou e achei que meu filho, de 11 anos, iria gostar de me ver como Darth Vader”, explica. A estreia de Marcos Sciencio como cosplayer foi em 2019, antes da exibição de Star Wars: Episódio 9 - A Ascensão Skywalker no cinema do Ferry Boat. “A criançada fez a festa e ficou maravilhada. Só que os pais acabaram sendo os mais empolgados. Isso me deixou muito feliz”. A composição do personagem envolveu um cano de PVC velho, interruptores, botões de uma calculadora quebrada e um cinturão de um uniforme antigo de vigilante. “Existem cosplayers que compram a fantasia já pronta, mas, para mim, a satisfação de montar é maior. Acho algo na rua e logo penso: ‘Isso vai servir’”, afirma Marcos. OrigemMuitos acreditam que o cosplay teve origem no Japão, pelo fato de parte considerável das produções ser inspirada em animes e mangás. Porém, o cosplay surgiu na década de 1970 nos Estados Unidos, após uma convenção permitir que pessoas fantasiadas de super-heróis entrassem de graça. Aí, com o aumento da popularidade da cultura oriental, os personagens de animes e mangás se tornaram os mais disputados no mundo do cosplay. [[legacy_image_211984]] Prazer em entreter e ser vista“Eu sempre assisti a animes e decidi ir a um evento de cosplay em Santos. Fiquei apaixonada e fiz o meu primeiro cosplay em 2018”, conta a doméstica Letícia Neves, de 23 anos. Ela costuma se caracterizar de personagens como Hatsune Miku (um software de voicebank), Kagome Higurashi (do mangá e anime InuYasha), Sakurajima Mai (da série Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai), Megumin (anime KonoSuba, foto) e Chi (do mangá e anime Chobits) – esse último cosplay levou cerca de dois meses para ser finalizado. Para Letícia, fazer cosplay é muito mais do que se fantasiar para eventos ou para tirar fotos com as pessoas. “É sobre ser reconhecida e ver todos curtindo a mesma coisa que você. Eu até saio na rua de cosplay em ocasiões que vão além de encontros e feiras”. [[legacy_image_211985]] “É como se fosse uma terapia"O cubatense Welton Sales da Silva, de 32 anos, é novo no universo do cosplay, mas veterano no meio geek. Apesar de ter começado há apenas quatro meses a preparar produções baseadas em personagens, já chegou a investir mais de R\$ 3 mil nas fantasias. “Agora, estou aprendendo a economizar. Comprei muito material que poderia ser substituído por peças de brechó”, diz. Mileena, do jogo Mortal Kombat (foto), e Perona e Reiju, do mangá e anime One Piece, são apenas alguns dos personagens que Welton “incorpora”. Atualmente, ele está preparando a caracterização da Hera Venenosa, vilã dos quadrinhos do Batman, e de Rebecca, de One Piece. Sem falar que já planeja os cosplays de Rainbow Mika e Juri, lutadoras dos jogos da franquia Street Fighter. “A melhor parte de ser cosplayer é poder dar vida a um personagem que possui características com as quais me identifico. É como se fosse uma terapia, em que posso externar um lado que, no dia a dia, reprimo. Acabo esquecendo dos meus problemas por um tempinho”, arremata.