[[legacy_image_223488]] Pedido de casamento aceito. Agora, vamos à vida prática. Descobrimos que em Portugal é possível iniciar o processo de casamento pela internet. Comemoramos (cedo demais) o alívio da burocracia. Nos divertimos fazendo e aceitando o pedido num espaço destinado à mensagem do noivo para a noiva e vice-versa, ao fim do preenchimento de um formulário. Chegou a hora da escolha da data. Tínhamos pressa por conta da validade do meu visto, então escolhemos o dia da nossa última folga antes desse prazo. Na brincadeira (ou não), conferimos a numerologia, just in case... e pronto! Na nossa ingenuidade eufórica e completa ignorância no que se refere a casamentos em Portugal, achamos que bastaria iniciar o processo e comparecer na data agendada com os nossos documentos de identificação. Mas, no dia seguinte, recebemos um e-mail da Conservatória (o Registro Civil dos brasileiros): “A ‘nubente’ (é assim que chamam os noivos) Elizabeth necessita apresentar certidão que comprove o estado civil...” Nem terminei de ler. Fui ao advogado mais rápido, o Dr. Google, e digitei: como conseguir comprovante de estado civil rápido. Resumo das respostas: não havia meios rápidos. No site do Consulado Brasileiro, li sobre a possibilidade de solicitar um documento similar a este, mas o atendimento só estaria disponível uma semana após a data que agendamos o casório. Decidi não agendar: o plano era chegar ao consulado o quanto antes, com a outra lista de documentos exigidos para pedir o bendito comprovante de estado civil. Mas não havia jeito; um deles teria que vir do Brasil. Descobri que aí também existem cartórios on-line, mas eles não emitem documentos com a apostila de Haia, uma exigência para que os documentos brasileiros tenham validade em Portugal. Sem ver outra saída, fiz o pedido. Foi quando o nome de uma amiga acendeu na minha mente em neon. Ruth já me salvou algumas vezes quando o assunto envolve documentação, certidões e afins. Corri para o WhatsApp e enviei a ela uma mensagem desesperada, falando da certidão on-line e da minha dúvida sobre ela ser aceita. — Cancela! Essa não tem validade, mulher! Deixa comigo que eu vou te ajudar! — Ah, meus anjos da guarda! — pensei, aliviada! Mas será que dá tempo de chegar a Portugal a versão em papel? — Dá, sim! Vou correr para resolver por aqui e te envio quando estiver tudo pronto! Eu abracei a Ruth tão apertado em pensamento que foi sorte a dela estarmos a milhares de quilômetros de distância. Foram dias tensos: documentos indo e vindo em PDF pelo WhatsApp, elucubrações sobre pagar a taxa (bem) mais alta do envio rápido... e faltando uma semana para o prazo, chega, enfim, a certidão! Ao ligar na Conservatória, descobri que não era necessário ir ao consulado, pois o documento vindo do Brasil já serviria como comprovante de estado civil. Ótimo! No mesmo dia, o Miguel, agora meu noivo, recebe a excelente notícia de que o contrato de trabalho dele seria renovado! Dia das boas notícias! — pensamos. De certidão brasileira nas mãos, fomos quase saltitando de felicidade dentro do metro (em Portugal pronuncia-se “métro”), rumo ao centro do Porto, rindo à toa no trajeto até a Conservatória. Mas, novamente, comemoramos o dia de sorte antes da hora. — Falta a outra certidão — informou-nos uma funcionária. — O quê? Mas essa é de inteiro teor, toda a minha vida está aí! — É, mas é uma exigência! Sem isso, não tem casamento! Liguei para a Ruth imediatamente e ela disse: — Beth, vai ser impossível fazer esse documento chegar aí em uma semana. Preciso de pelo menos mais dez dias. Voltamos para casa desolados. Sem o documento nas mãos antes do dia agendado, não poderíamos dar prosseguimento ao processo de casamento e eu teria que escolher ficar em Portugal ou voltar ao Brasil. Mas um português do Porto e uma brasileira de Santos não desistem facilmente. Essa história ainda não acaba por aqui!