[[legacy_image_223509]] Santé! Vin Santo, ícone da região da Toscana, tem história que se perde nas lendas. A tese mais célebre remonta ao ano 1439, durante um concílio ecumênico em Florença, quando foi oferecido um banquete pelos Médicis e servido um vinho de uvas-passas. O Bispo de Nicea exclamou: “Hoc Xanthos est!”, pois era um vinho “xanthos”, “louro”, amarelo, como certos vinhos de uvas-passas, ou porque tinha o sabor de um vinho produzido na Ilha de Xanto/Santo, Santorini, Grécia. Isso foi imediatamente assimilado pelos participantes como adjetivo “sanctus” ou “santo”, precisamente. Acredita-se, também, que a origem da palavra está ligada ao ciclo de produção, que sempre esteve entrelaçado com festividades do calendário litúrgico cristão. Com Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) desde 1996, o Vin Santo del Chianti geralmente é produzido com uvas brancas, que passam por delicado processo de desidratação e de maturação de pelo menos três anos, já na versão “Riserva”, a maturação deve ser de, no mínimo, quatro anos. E ela acontece em minibarris de madeira chamados “caratelli”, que têm uma pequena capacidade e são muito usados (há algumas centenas de anos), e de madeiras diferentes, pouco usuais, como castanheira, cerejeira, amoreira e acácia e pequena quantidade de carvalho. Os diferentes tipos de madeira dão maior complexidade e personalidade ao vinho. Trebbiano Toscano e Malvasia Bianca Lunga del Chianti são as cepas brancas autóctones mais utilizadas. Por lei, elas devem atingir, juntas ou individualmente, pelo menos 70% do blend. Por vezes, são misturadas com outras uvas locais, como San Colombano ou Canaiolo Bianco, ou com a própria Sangiovese, que não pode exceder 30% na versão clássica. Quando Sangiovese excede 50% do blend, o vinho denomina-se Vin Santo Occhio di Pernice D.O.C. Após a seleção dos cachos, as uvas são escolhidas à mão e transportadas para a “vinsantaia”, um local fechado da adega, bem posicionado e ventilado (tradicionalmente no sótão com aberturas para perfeita ventilação). Em seguida, acontece a secagem ou apassimento, que ocorre com as uvas dispostas em uma esteira ou penduradas em suportes. A circulação de ar em torno dos cachos somada à distância adequada entre eles vai ditar o sucesso do procedimento. Essa desidratação lenta e suave começa no mês de setembro e pode durar de três a seis meses. O lendário Vin Santo del Chianti foi o protagonista de uma masterclass exclusiva em evento de que participei recentemente, Chianti Lovers Americas Tour, em São Paulo, sob a coordenação da Ch2a Comunicação. A degustação foi promovida pelo Consorzio Vino Chianti e conduzida pelo wine ambassador de Chianti, Luca Alves, junto com o especialista Jorge Lucki. Uma prova de sete exemplares do Vin Santo del Chianti demonstrou aos participantes toda a riqueza do néctar. Transcrevo as palavras do Luca Alves, que nos apresentou a história e as informações desse vinho que faz parte da tradição toscana, e é especial e único. Um vinho artesanal, que exige precisão em cada fase da elaboração. Acima de tudo, ele se mostra bastante doce hoje, mas já foi seco no passado. É o vinho da hospitalidade e da amizade na Toscana. “O Vin Santo requer uma rigorosa precisão em cada uma das fases de sua elaboração. Com cores de ouro e âmbar, no nariz, é de outro mundo! Uma vasta gama de aromas com concentração e densidade surpreendentes: notas de frutos amarelos secos e doces, como damascos, uvas-passas, figos e tâmaras, além de matizes de mel, notas resinosas e balsâmicas, como a do eucalipto. No paladar, é um mil-folhas de camadas degustativas. Pleno, intenso, persistente, com contrastes perfeitamente harmonizados. De sabor irrepetível, envolvente, de rara complexidade. Incontestavelmente, é a mais alta expressão líquida da Toscana”, detalhou Luca Alves. Se você ainda não experimentou, procure no supermercado ou na sua adega de confiança e prove desse néctar. Além de intenso e especial, é mais acessível do que a maioria dos vinhos doces. No site www.consorziovino chianti.it, você tem acesso a mais detalhes e a todos os produtores italianos. No meu Instagram @claudiaenoamigos, você confere as fotos do evento. Até a próxima taça! momentodivino@atribuna.com.br