[[legacy_image_230679]] Nestas duas últimas semanas de 2022, vamos fazer dois exercícios que adoro: o de relembrar e o de gerar expectativa. Na coluna de hoje, os 10 melhores filmes e séries que comentei aqui neste espaço. Para a semana que vem, uma surpresa que revelo no final deste texto! Vamos a eles? Entre os filmes, a dificuldade foi maior do que entre os seriados, para onde grande parte da vida inteligente do entretenimento migrou já faz um tempo. Ainda assim, um filme de baixíssimo orçamento e de um país sem qualquer tradição cinematográfica me conquistou e lidera a lista: A Felicidade das Pequenas Coisas, do Butão, mostra um professor que rejeita a própria cultura, mas quando é obrigado a ir dar aulas em uma comunidade muito distante verticalmente (no topo de uma montanha), tem seu coração tocado para o que realmente importa. A destacar também outros filmes que concorreram ao Oscar deste ano, como o western Ataque dos Cães, os dramas A Filha Perdida e Mães Paralelas (este último do mestre Pedro Almodóvar) e o japonês Drive My Car, um drama incômodo sobre luto e superação, além do grande vencedor do prêmio, Coda, um drama muito leve sobre uma família de deficientes auditivos. É válido um destaque à biografia Antonia - Uma Sinfonia, sobre a primeira maestrina da história e sua luta por respeito e dignidade. Elvis, também uma biografia, deixa detalhes importantes de fora, mas é uma celebração à música e à figura do Rei do Rock. Fechamos a lista dos filmes com o ótimo Senhora Harris Vai a Paris, um lançamento recente, e a divertida continuação, tardia, de um grande sucesso dos anos 80: Top Gun: Maverick. Entre os seriados, a coisa foi mais difícil, com várias produções de muita qualidade chegando, especialmente, aos streamings. No topo da lista, escolhi a que mais me surpreendeu: Ruptura, série da Apple TV que mistura ficção científica e crítica social com maestria, abordando uma experiência científica com o cérebro de funcionários de um escritório que beira o sadismo e que flerta com a comédia, embora não eu não tenha tido a menor vontade de rir. Julia, a simpática e muito bem produzida biografia do ícone da culinária da tevê americana (e também da literatura), também é destaque, com os pratos deliciosos, a trilha sonora maravilhosa e a história (real) da simpática protagonista que vence o machismo para estrelar seu próprio programa de tevê. Na HBO Max. Andor, a produção menos Star Wars entre todos os produtos da franquia, mostra o início da rebelião contra o Império, em um momento em que nada estava muito organizado. E, por incrível que pareça, é das melhores produções e das mais inteligentes na timeline da saga. Da Disney+. Dentro da mesma linha de fantasia, destaque para duas franquias que voltaram às telas este ano: Os Anéis do Poder é a aposta bilionária da Amazon Prime para recriar o universo de O Senhor dos Anéis, mostrando acontecimentos anteriores a tudo o que já se viu. E House of The Dragon encheu os fãs de Game of Thrones (incluindo o colega Alexandre Lopes, um entusiasmado pela trama) de orgulho com uma história que conseguiu ter personalidade própria mesmo estando à sombra do maior sucesso da tevê das últimas décadas. Para quem gosta de histórias de terror e de seriados clássicos como Twilight Zone e Galeria do Terror, a estreia de O Gabinete de Curiosidades, de Guillermo Del Toro, da Netflix, é um presentão! A antologia tem oito histórias arrepiantes, daquelas de dar medo ou horror até nos mais experientes. Não dá para ver à noite, ok? Quem curte o gênero vai gostar da recente Wandinha, uma recriação do universo da Família Addams com toques bem adolescentes. Destaco ainda duas novas temporadas de shows já consagrados pelos fãs: The Crown não tem na quinta temporada a mesma qualidade das anteriores, mas o período retratado (o divórcio de Charles e Diana) também não favorece. E a comédia Brooklyn Nine-Nine se despediu com uma nona temporada que tem velhos personagens de volta, mas que já dá mostras de desgaste. E para terminar, indico a nova temporada de Borgen, série dinamarquesa que é uma abordagem madura e realista das mulheres na política. Na semana que vem, vou falar do que de mais interessante vem por aí em 2023!