[[legacy_image_302704]] Os condomínios contam com cada vez mais recursos e serviços, que vão bem além de espaços tradicionais como piscina, academia e área kids. Alguns desses atrativos, dependendo do caso, ficam abertos 24 horas por dia. Ao percorrer os prédios da região, principalmente os de Santos, fica evidente que aumenta a quantidade de residenciais que têm opções como mercado interno, lavanderia no estilo americano, área para cuidar dos pets e até salão de beleza exclusivo para os moradores. Muitos desses negócios ganharam ainda mais força com a pandemia, já que, com as restrições sanitárias e o isolamento social que foram impostos especialmente no período mais crítico da covid-19, caiu como uma luva a possibilidade de não dispor apenas do delivery e simplesmente pegar o elevador para comprar, por exemplo, produtos de limpeza ou comida, no conforto e na segurança do próprio edifício. Hoje, além da comodidade, serviços como esses permitem atender demandas em horários em que o comércio tradicional se encontra fechado - como num sábado, às 23 horas, se acabar a cerveja em casa enquanto você recebe amigos… Esses serviços primeiro se estabeleceram nos prédios de São Paulo e, mediante a boa repercussão por lá, tais startups começaram a descer a serra, de olho nas cidades da Baixada Santista. Mas também houve casos de empreendedores aqui da região que criaram os próprios negócios nesses moldes ou, então, se tornaram franqueados de empresas da Capital. AutoatendimentoOutra característica é que boa parte desses serviços funciona com base no modelo de autoatendimento. O morador usa um aplicativo que baixa no seu celular ou uma estação de compras montada no local para pagar pelo que deseja. E contar com atrativos como esses nos prédios não valoriza apenas o imóvel. Os condomínios também encontram aí uma nova fonte de renda, por receberem um percentual das vendas desses negócios como contrapartida para o pagamento de despesas como luz e água e a não cobrança de aluguel pelo “ponto”. Sem falar que geralmente os custos pela implantação e manutenção do serviço ficam por conta de quem vai explorá-lo. Ah… Engana-se quem acha que esses benefícios envolvem somente novos empreendimentos, com plantas projetadas para isso. Modelos de negócios como os dos mercados prometem montar sua estrutura onde o condomínio oferecer, mesmo que se trate de uma área pequena num andar ou em um canto da garagem. Faturando em casaOs negócios de autônomos que vendem seus produtos inclusive onde moram também incorporam novas nuances. Por exemplo, a confeiteira Adriana Rodrigues, de 54 anos, costuma comercializar seus doces e bolos no condomínio onde reside no Marapé, em Santos, e é de lá que vem a maior parte de sua renda. “Anuncio meus produtos junto com a tabela de preços nos grupos de WhatsApp e sempre estou recebendo encomendas dos vizinhos”, relata. Adriana acrescenta que, no seu edifício, ainda usufrui da facilidade de, toda quinta, haver uma feira na garagem, que tem de frutas e legumes ao típico pastel. “É uma comodidade, porque dá para fazer a feira sem sair de casa”. Grupos de WhatsApp do prédio não são só confusãoQuando a maioria das pessoas pensa em um grupo de WhatsApp do condomínio, é comum vir à mente a ideia de que será repleto de avisos burocráticos sem-fim e confusões entre moradores. OK, isso de fato existe em muitos condomínios, mas também há casos em que o grupo de WhatsApp do prédio vira uma verdadeira corrente de solidariedade e da boa vizinhança. O advogado aposentado Marcos Teixeira de Mendonça, de 65 anos, conta que o edifício onde reside no Embaré, em Santos, tem um grupo muito unido e solícito. A ferramenta, criada pela gestão atual para dinamizar os avisos, contribuir com a preservação do meio ambiente ao poupar papel e facilitar a interação da administração com os moradores, foi aos poucos ganhando cada vez mais utilidades. Uma delas é o empréstimo de garagem. Inclusive, tornou-se comum quem necessita de uma vaga consultar os vizinhos no grupo e, em questão de minutos, surgirem duas, três ofertas de garagem. Como se isso não bastasse, Marcos é um morador que, quando vai viajar, divulga no grupo que sua vaga pode ser utilizada por quem precisar naquele período. “Também acontece de a gente trocar indicações de profissionais que consertam ar-condicionado, lugares para lavar cobertor etc.”, acrescenta. No grupo do condomínio de Marcos, os vizinhos ainda compartilham dicas de decoração, fotos de como montaram seus apartamentos, toques de segurança, doam objetos e itens dos quais estão se desfazendo e até recomendam professores particulares. Ajudando o próximoVizinha de Marcos, a empresária Juliana de Azevedo Ranieri, de 40 anos, está entre os moradores que aproveitaram o grupo do edifício para promover ações solidárias. Ela decidiu arrecadar dinheiro por meio de uma vaquinha virtual para o porteiro do turno da noite após descobrir que ele havia sido assaltado e que os bandidos levaram seu celular e parte do salário que tinha sacado. “Comentei o ocorrido no grupo para ver se os vizinhos topariam fazer uma vaquinha para ajudá-lo. Na hora, todo mundo se mobilizou e, em dois dias, a gente já tinha arrecadado R\$ 1.200”, conta Juliana. Dinheiro esse que permitiu comprar um telefone para o porteiro e repor parte do salário que foi roubado. “A gente sempre tenta fazer o que pode no prédio. Organizamos caixinha de Natal para os prestadores de serviços, e uma vez arrecadamos dinheiro para ajudar o coletor de lixo a dar um videogame para o filho, entregando também cestas básicas para essa família. A união faz a força”, conclui a empresária. Como manter a paz Os síndicos podem exercer um papel fundamental na promoção da boa convivência nos condomínios. Aqueles que incentivam a comunicação aberta e a resolução de conflitos geralmente fazem a diferença na construção de comunidades harmoniosas. Para o síndico e presidente do Sindicato dos Condomínios Prediais do Litoral Paulista (Sicon), Rubens Moscatelli, o principal problema dentro dos edifícios, hoje em dia, é a questão da convivência por conta das diferenças educacionais e de comportamento, e essas divergências aumentaram durante a pandemia, já que todos tivemos que passar a maior parte do tempo em casa. “A questão da convivência sempre foi um problema nos condomínios, porque muitos síndicos acabam não fazendo uma gestão adequada da parte comportamental. Ao mesmo tempo, aqueles que exercem seu papel de penalizar quem desrespeita as regras da convenção do prédio correm o risco de o morador não concordar com a punição ou achar que está sendo perseguido”, explica o presidente do Sicon. Ele observa que, para contornar esses problemas, é preciso mudar uma cultura que está enraizada na sociedade. “Muita gente acredita que, quando está no seu apartamento, pode fazer o que quiser. E não é bem assim”. O tamanho pesa?Também é normal as pessoas acharem que, quanto maior o condomínio é, maiores se mostram os seus problemas. Mas, segundo Rubens Moscatelli, costuma ocorrer justamente o contrário. “Os menores frascos têm os piores venenos”, brinca. O síndico e presidente do Sicon explica que isso acontece porque num condomínio muito grande, com várias torres, os moradores acabam não tendo tanta convivência próxima. “A ponto de haver vizinhos que você nunca nem viu na vida. Agora, em um edifício pequeno, geralmente todo mundo sabe o horário que o fulano sai para trabalhar e quando ciclano vai às compras. Se não houver um preparo psicológico, vira uma bola de neve, pois as pessoas se encontram com mais frequência”.