[[legacy_image_204637]] Nunca acreditei em destino, daqueles traçados pelo etéreo e certos de que serão reais algum dia, não importa o que houver. A história de “o que é seu está guardado” sempre me pareceu perigosa demais, quase uma desculpa, para permanecer na zona de conforto ou aceitar situações impostas que pouco ou nada nos levam adiante. Destino a gente faz a partir de escolhas. O que não significa que eu jamais tenha questionado decisões tomadas e pensado como seria se optasse pelo outro caminho que também estava à frente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A reflexão me lembra quanto meu coração desmanchou quando vi na Netflix o filme Como Seria Se…?, que está entre os dez mais assistidos dessas últimas semanas. Na trama, Natalie está a poucos dias de se formar na faculdade quando a narrativa começa a mostrar duas realidades paralelas e possíveis a partir de suas escolhas. E (minispoiler), invariavelmente, haverá felicidade. Não apenas por ser uma comédia romântica. Mas porque fala de conflitos e incertezas emocionais que rondam o sim ou não de cada contexto, de maneira realista, e, mesmo assim, dará “certo”. Certo aqui quer dizer que importa mais que os sentimentos que acompanham as decisões sejam genuínos. Quando eles são, somos capazes de responder algumas perguntas existenciais fundamentais ao longo do tempo, independentemente do cenário. Amei e fui amada? Me senti acolhida e apoiada? Tive propósitos e os coloquei em prática? Fechei ciclos necessários que tocaram com exatidão recomeços? Quando mergulhei em escuridões, havia quem me lembrasse das luzes que somente eu era capaz de (re)acender? Jamais me senti sozinha? Vivi experiências que fizeram meu mundo maior? Eu consigo responder sim para todas essas perguntas. O que transforma meus 43 anos e seis meses até aqui em uma vida fantástica. As escolhas que fiz sempre foram carregadas de sentimentos genuínos. Inclusive as que talvez não parecessem ideais a outros olhos. Ou eram para proteger os meus afetos quando assim entendi ser melhor. Ou sobre transmutar afetos – o que me leva a algo que acredito… Minha não aceitação do destino definido não me impede de observar que há quem esteja em determinadas fases da nossa existência por uma razão. Pode ser por algo que ainda tenhamos que aprender ou lembrar. Sentir ou trocar. Inspirar. Questionar. Retomar. Mudar. Pedir. Perdoar (sempre o mais difícil). Presenças que de alguma maneira nos despertam sobre o que deixamos para trás, entre escolhas. E que mesmo que tenham sido escolhas acertadas no passado, por lá devem ficar, abrindo espaço para o “se” do “como seria…”. Presenças que trazem novas perguntas essenciais para nos ajudar a medir com quanta paixão desejamos continuar vivendo. Com quanta coragem vamos enfrentar desafios. Nada programado pelas estrelas - mas que talvez enviem suas bênçãos diante da força daquilo que ainda esperamos encontrar ou superar.