[[legacy_image_260662]] Comer muito rápido e em grande quantidade e, logo após, se sentir culpado é um dos sintomas da compulsão alimentar. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), transtornos alimentares afetam quase 5% da população brasileira e têm causas multifatoriais, que podem ser de origem genética, psicológica ou social. Entre os jovens, o índice é ainda mais alto e pode chegar a 10%. Conforme o médico nutrólogo Tasso Carvalho, as práticas de emagrecimento vêm aumentando de forma alarmante a incidência de transtornos alimentares. “Já está se tornando um problema de saúde pública”, afirma. Entre os distúrbios mais comuns, segundo o médico, estão a anorexia e a bulimia nervosa, além da compulsão alimentar. Caracterizada pelo consumo de uma grande quantidade de alimentos em um curto espaço de tempo, a compulsão faz com que a pessoa chegue a se alimentar escondido, por vergonha dessa situação. E em momentos de ansiedade, ela tende a “descontar” os seus sentimentos na comida. “O tratamento acaba sendo tardio pela demora no diagnóstico”, observa Tasso Carvalho. Autocondenação e tratamentoApós um episódio de compulsão alimentar, a pessoa costuma se sentir culpada por não ter conseguido se controlar diante da comida e exagerado na alimentação, mesmo sem estar fisicamente com fome. “Daí vêm a autocondenação e a autorrecriminação”, ressalta o nutrólogo. “Isso acaba gerando ainda mais ansiedade e fazendo com que o ciclo se repita, parecendo não ter fim. Mas tem!”, complementa o médico. De acordo com o Ministério da Saúde, as metas ao tratar transtornos de alimentação incluem principalmente a regularização do padrão alimentar, a suspensão das práticas purgativas e restritivas, e orientação nutricional, além do tratamento psicológico e psiquiátrico. “Comer corretamente e ajustar os horários da alimentação são medidas que evitam a compulsão. O acompanhamento multiprofissional é fundamental para esses casos”, finaliza Tasso Carvalho. A mente pede socorro O tratamento de quem tem compulsão alimentar, entre outros distúrbios alimentares, vai além da supervisão do cardápio. “A atuação do psicólogo cognitivo comportamental é muito importante, sendo complementada por um médico psiquiatra como parte integrante do tratamento”, explica o psicólogo santista Pedro Quaresma Cardoso, mestre em Ciências da Saúde e especialista em terapia comportamental. Segundo ele, o psicólogo trabalha com a modificação de comportamentos disfuncionais, auxiliando o paciente a desenvolver estratégias de controle dos impulsos alimentares e a adotar hábitos alimentares alternativos aos do padrão vigente. Já o psiquiatra participa orientando e prescrevendo medicação, quando necessário. “A abordagem integrada do psicólogo comportamental e do psiquiatra permite que o tratamento seja mais abrangente e eficaz, e é considerada o padrão ouro de tratamento para transtornos alimentares”, destaca Pedro Quaresma Cardoso. Dessa forma, serão considerados os aspectos comportamentais, culturais e biológicos envolvidos na compulsão alimentar, o que contribui para o tratamento efetivo desse quadro.