[[legacy_image_322931]] Estamos prestes a entrar em um novo ano, um ano bissexto, mesmo que tudo isso seja apenas pura convenção. Afinal, nossa ciência e filosofia sequer se entendem sobre a própria existência do tempo. Mas vamos por partes – que, aliás, é como utilizamos o tempo. Por pura sobrevivência (e uma pitada de chatice), o ser humano sempre buscou referências temporais. Afinal, dependendo da estação do ano, você pode morrer congelado como um picolé ou estorricar como uma folha seca. Então, sempre foi prudente qualquer tipo de calendário. Alguns dos mais antigos datam de mais de 15 mil anos! São círculos feitos em ossos. Suspeita-se que marcavam o ponto em que o Sol nasce ao longo do ano no horizonte. Dessa forma, bastava marcar o ponto mais próximo da chegada do inverno e bingo!, era chegada a hora de ter casacos ou sair correndo. Assim, digamos, utilitariamente, marcar o tempo foi se tornando uma obsessão. Hoje, o relógio mais preciso do mundo é tão preciso que os cientistas estimam que levaria mais de 30 milhões de anos para que ele atrasasse um mísero segundo. Tamanha busca pela exatidão já nos levou até mesmo a sumir com o tempo. Foi no século 16, quando o papa Gregório 13 determinou que o dia seguinte ao 4 de outubro de 1582 passaria a ser o dia 15 de outubro. Isso se deu porque o calendário usado na época, chamado juliano (que, aliás, começava em março), não incluía os anos bissextos. Essa falha fazia com que a data da Páscoa não coincidisse com a data estabelecida pela Igreja. Lá se foram dez dias. Por essas e outras, fevereiro de 2024 terá 29 dias, o que só se repetirá em quatro anos. Tudo isso, hoje, é crucial para a vida que levamos, permitindo desde a existência de satélites orbitando o planeta até a entrega das suas compras. É tanta preocupação com o tempo que ele passa e por vezes nem percebemos. Para piorar, ainda veio Albert Einstein e bagunçou tudo. O tempo é relativo, nos ensinou o gênio alemão, acrescentando o conceito de espaço- tempo. Ele provou que o tempo pode ser diferente para duas pessoas. Tudo vai depender de onde estão e com que velocidade se movem. Por isso, para alguns filósofos, o tal tempo só existe por ser uma criação do intelecto humano. Ele só existe porque precisamos que as coisas façam sentido. E o tempo, ou a passagem dele, é a resposta de como o nosso cérebro percebe a realidade. Confuso? Bom, você pode pensar que amanhã é o primeiro dia do ano, sem problema. No futuro, porém, talvez em outros mundos, esse raciocínio já não seja mais válido. Mas, por enquanto, feliz Ano-Novo. ViajandoUm dia a mais de folga ou de trabalho. Você pode pensar dessa forma em relação aos anos bissextos, afinal, serão 366 dias em 2024. Tudo isso apenas por causa de apenas ‘0,24 dias’. Eu explico. Um ano é o tempo que a Terra completa uma volta ao redor do Sol e isso demora, precisamente, 365,24 dias. Os 0,24 restantes representam, ao final de cada ano, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos que, quando somados, representam um dia ao final de quatro anos. Daí a necessidade de repor essas 24 horas faltantes ao calendário. Resta-nos aproveitar. E você, já sabe o que vai fazer com seu dia extra?