[[legacy_image_263592]] Você já viu um ferreirinho-relógio? E um benedito-de-testa-amarela? Essas aves fazem parte de um enorme acervo ao ar livre, um espetáculo diário que nos rodeia e que acaba de ganhar um clube dedicado a observar esses animais. O Clube de Observadores de Aves de Santos (COASantos) foi criado há poucas semanas e a próxima reunião acontece em maio, no Orquidário. Na ocasião, o biólogo e fotógrafo santista Leonardo Casadei será o palestrante. Ele acaba de lançar o seu segundo livro, Tucanos e Pica-Paus da Costa da Mata Atlântica, no qual retrata 15 espécies. A obra, fruto de meses de observação ininterrupta, revela um pouco dessa biodiversidade por meio de fotos e pequenos textos, captando momentos únicos que fazem desse universo um dos passatempos mais apreciados do mundo. No Brasil, país com a terceira maior diversidade de aves do planeta (1.971 espécies), atrás somente da Colômbia e do Peru, observar pássaros, paradoxalmente, ainda é uma atividade pouco praticada. Essa experiência, em diversos outros países, movimenta bilhões de dólares em produtos como guias, vestuário, lentes, binóculos, viagens etc. E gera muito conhecimento. Atualmente, universidades como as de Zurique e Genebra (ambas na Suíça), Paris (França) e Milão (Itália) utilizam os dados dos observadores para avaliar até mesmo a evolução (ou não) da qualidade de vida dos centros urbanos. É como a velha história do pardal na mina. Assim como um alerta para os mineiros, as aves podem ser um sensível bioindicador para toda a nossa sociedade. Por aqui, os objetivos do clube, aberto e gratuito, são instigar a curiosidade, aguçar a percepção e integração à natureza. Afinal, não se valoriza o que não se conhece. E conhecer é conservar. Esse é o princípio de clubes como o recém-formado em Santos. E há muito com o que se divertir. Do tuim, um periquito verde com asas rajadas em azul, ao bico-de-lacre, com a sua inconfundível “máscara” vermelha, uma faixa que cobre os seus olhos e empresta cor ao seu bico... Imagine, então, encontrar uma saíra-sete-cores? Existem mais de 300 espécies apenas em Santos. Boa parte dessa biodiversidade está associada às áreas úmidas e à Mata Atlântica – biomas dos quais dependem tanto as aves quanto nós, humanos, enquanto habitantes dos centros urbanos a elas associados. EncontroNo próximo dia 10 de maio, às 16h30, quem quiser aprender um pouquinho mais sobre como observar aves tem um encontro marcado com o Clube de Observadores de Aves de Santos (COASantos), no Orquidário (Praça Washington, s/no , José Menino). A entrada é gratuita, não há necessidade de inscrições, e a conversa acontece no auditório do parque. Na ocasião, haverá um bate-papo com o biólogo Leonardo Casadei, autor do livro recém-lançado Tucanos e Pica-Paus da Costa da Mata Atlântica. Um trabalho de fôlegoTucanos e Pica-Paus da Costa da Mata Atlântica é o segundo livro do biólogo santista Leonardo Casadei. O primeiro, Guia de Campo: Aves da Costa da Mata Atlântica, está esgotado. Tratam-se de um trabalho de fôlego, que, além de muita técnica, exige uma boa dose de paciência, pois os astros desse show são desconfiados, alguns bem camuflados. “Podem demorar meses até conseguir captar o momento certo para a foto”, explica Casadei. Isso depois de localizar os esconderijos, “que nessas espécies são sempre em ocos de árvores”. Mas detectar a família e achar o ângulo correto ainda não garantem o flagrante, que exige total atenção. “As aves entram e saem muito rápido do ninho, para passarem totalmente despercebidas”. Mesmo nos centros urbanos, a natureza não costuma perdoar aves descuidadas (e nem fotógrafos desatentos). “Cheguei a ficar horas totalmente focado. O corpo adormece e você nem vê o tempo passar. São momentos de êxtase”. Para quem quer observar aves, aí vai um conselho de profissional: “Participe de grupos de observação, treine o seu olhar. Quando puder, faça excursões para a mata. É uma atividade que reconecta o ser humano à natureza”.