[[legacy_image_335644]] Jornalista, escritora, apresentadora de rádio e televisão. É autora de 18 livros sobre etiqueta, casamento, comportamento e etiqueta inclusiva. É uma especialista também em mesa posta. Seu último livro, Mesa Brasileira: Guia para Servir e Degustar Nossa Comida, aborda o tema da regionalidade. Claudia iniciou sua carreira na revista Casa Claudia. Também escreveu colunas sobre comportamento e moda para várias publicações nacionais e editoriais, incluindo o Jornal A Tribuna. Também foi chefe de cerimonial do Governo do Estado. Na televisão, apresentou um quadro semanal sobre etiqueta no programa Mais Você, na TV Globo. Atuou como atriz e cantora na novela Tempo de Amar, em 2018. Atualmente, ministra palestras, cursos e treinamentos de etiqueta empresarial, comportamental, acessibilidade e mercado do luxo e dá consultorias. Aqui, ela fala um pouco de regras de etiqueta nos tempos modernos, dominados pela tecnologia e pelos celulares. O que é ser chique?A palavra chique é sempre ligada muito à moda. E, na verdade, deveria ser ligada mais a atitudes, a sentimentos. Então, gosto muito da elegância de sentimentos, de quem tem sentimentos elegantes. Essa elegância passa muito por discrição. Uma pessoa verdadeiramente elegante sabe ficar calada, se impõe sem falar muito alto, não passa fofoca adiante, não fala mal dos outros, não emite juízos sem conhecer, ou gratuitamente, sem que lhe peçam. O que é exatamente o contrário do que acontece atualmente. Hoje, todo mundo quer dar a sua opinião e, pior, quer que essa opinião seja aceita como a verdade absoluta. Isso é muito cansativo e superdeselegante, é uma arrogância completamente anacrônica. Então, a verdadeira elegância passa por discrição. E, claro, por empatia. Passa pela pessoa se colocar no lugar do outro e saber ficar à vontade em qualquer ambiente. Existe uma regra de ouro da etiqueta?Algumas regras são importantes realmente para a gente se dar bem, nos dois ambientes: profissional e pessoal. Eu acho que essa coisa de você não emitir opiniões gratuitamente é importante. Não querer impor a sua opinião é muito importante. Claro que você tem que ser participativo, tem que ser atento ao que é importante para o outro. Perguntar sobre a pessoa, e quando a pessoa responder, ouvir de fato. E, na próxima vez que encontrar, fazê-la lembrar que você a ouviu, justamente perguntando sobre alguma coisa que você lembra, que era importante para ela. Esse tipo de atenção se tornou tão rara que quando a pessoa percebe que alguém está atenta, está sendo empática com ela, se sente muito tocada, fideliza esse vínculo. Isso tanto no profissional quanto no social. Hoje, a vida das pessoas é muito exposta nas redes sociais. Como fica para o gestor e também para o empregado no mundo corporativo? O que acontece fora do ambiente de trabalho pode interferir na relação profissional?O mundo ainda está se ambientando a essa invasão da rede social que foi enorme, muito rápida, um fenômeno. Na vida real, isso criou vários impactos negativos. Tem alguns positivos, evidentemente, mas tem muitos negativos. As pessoas ainda estão tentando entender como é que isso funciona e como se preservar disso. Porque é preciso se preservar. Você não é obrigado a se expor nas redes sociais, embora você possa ter as suas redes, falar o que acha, ter um perfil. Agora, o que você faz com esse perfil é que precisa ter um certo cuidado. Então, você pensa assim: “ah, mas o que eu faço na vida pessoal não interfere na minha vida profissional.” Em tese, não, mas na prática interfere muito. Você tem que entender que o seu perfil, por isso que chama perfil, ele mostra quem você é. Traz uma radiografia sua. Não adianta você ser uma excelente profissional e depois postar um monte de coisas com duplo sentido ou com excesso de intimidade. As pessoas não entendem, não são obrigadas a entender. Vão decodificar aquilo da forma como é. Acho que redes sociais é uma coisa que quanto menos você se expor, melhor. A não ser que você viva disso. Tem quem vive disso, tem quem é influencer, aí é diferente. Mas na vida real não é bem assim. Qual é o lugar certo do smartphone em reuniões, eventos e almoços de negócios ou de relaxamento?Smartphone em reunião de trabalho, em eventos profissionais, é claro que faz parte. Mas, quanto mais discreto ficar, melhor. Se ficar no vibra, é bom. Aí procura olhar e checar só se for muito necessário. Dependendo da reunião, você tem que estar inteiro ali. Mas se é um evento grande, se é uma coisa mais social, você pode checar o smartphone de tempos em tempos. Agora, não é para ficar com ele na mão, tirando foto, postando, deixando de dar atenção para quem está lá ao vivo, porque você tem que lembrar que o importante é o ao vivo. Em locais de relaxamento, de lazer, decididamente, a gente não deve falar alto no celular, não ouvir áudio alto e não gravar áudio, a não ser que seja uma coisa muito curta. Deve sair para outro lugar. Na sauna, no spa, em um clube, na praia. É uma coisa que a gente tem que fazer meio separado da galera. Em um jantar, seja de trabalho ou social, o smartphone não fica sobre a mesa. Fica no bolso, dentro da bolsa, no vibra, ou com luzinha que pisca para a gente ver que tem alguma coisa chamando ali. Qual é o pior tipo de convidado em uma festa?Tem uns convidados pragas que estão se alastrando hoje em dia. Há uma epidemia de convidados que, apesar de serem convidados, vão cobrando que a festa tenha isso, aquilo, aquilo, outro. Cobrando que quer comer isso. Cobrando que quer beber aquilo. Exigindo um tipo de comida. Então, este é um desastre. Soube de uma pessoa que estava vendo a dona da casa montar a salada e falou. “Tira isso que eu não como”. Como tira isso? Separa você no prato. Claro que convidado inconveniente, que bebe, que dá vexame, é sempre muito ruim. E o que é indiscreto, às vezes nem bebe, mas fala bobagem, quer ser o engraçadinho. É muito chato. Isso desanda qualquer festa. Você é uma especialista em mesa posta. O que está em alta? Quais as dicas para receber bem? A tendência agora, depois de muita porcelana, é uma louça mais rústica. Na verdade, trata-se da antiga louça, na cor off-white, ligeiramente mais porosa e com muito dourado. Fica um contraste bonito porque é um rústico, mas com filetes dourados ou estampas douradas que deixa a mesa muito acolhedora. Há agora pratos de vários formatos. Mas eu, particularmente, gosto de uma mesa com menos coisas, mais minimalista, e valorizando a comida, o alimento, as travessas, Nada de muita flor nem de muito acessório que não será utilizado.