[[legacy_image_281648]] O ciúme é o tipo de sentimento que, em algum momento, vai afetar todo mundo. E ele não se limita aos relacionamentos amorosos. Pode dar as caras entre amigos, familiares… Aí, como parte da complexa teia das relações humanas, tende a despertar medos, inseguranças. A psicóloga Gabriela Helena da Costa explica que o ciúme costuma ter um impacto significativo em todos os tipos de relacionamento. “Tudo vai depender da intensidade com que ele se manifesta. Se for muito frequente, pode trazer vários reflexos negativos, como o desgaste da relação, levando a desentendimentos, brigas e até a um rompimento, no caso de um envolvimento amoroso”. De acordo com Gabriela, o ciúme está fortemente relacionado ao sentimento de perda, ao medo de ficar sem aquela pessoa ou sem o amor e o reconhecimento dela, seja um colega, amigo, parente, chefe, namorado (a)... A psicóloga acrescenta que geralmente existem três pontos principais nesse contexto: quem sente ciúme, o seu “rival” e a pessoa de quem o ciumento deseja receber amor e reconhecimento. “Nesse processo, é comum que o ciumento adote atitudes depreciativas em relação ao suposto rival, como fazer comentários negativos com o intuito de afastá-lo. Esses comportamentos acabam desgastando ainda mais o relacionamento”, afirma a especialista. Consequências e soluçõesO impacto mais comum do ciúme é o desgaste da relação. Isso costuma inspirar pensamentos de desvalorização e insegurança, a ponto de a pessoa ciumenta passar a duvidar da sua capacidade. “Quando a gente começa a ter esse sofrimento, é muito interessante buscar a ajuda de um profissional, de um psicólogo, que possa auxiliar no processo de autoconhecimento. É importante entender por que o ciúme está presente, de onde ele vem e o motivo de a pessoa se sentir ameaçada”, diz Gabriela da Costa. No âmbito familiar, a psicóloga sugere que quando algum parente demonstrar ciúme constantemente, é bom tentar conversar com ele de uma maneira assertiva sobre as consequências que aquilo pode trazer para a relação que mantêm. Já no ambiente corporativo, o ciúme é capaz de motivar uma competição pela atenção do chefe ou pelo reconhecimento do trabalho que a pessoa faz. O que pode levar a autocríticas excessivas, insegurança, desentendimentos entre as equipes e até mesmo baixo rendimento. Gabriela observa que o ciúme no trabalho ocorre muito quando a pessoa sente que o seu lugar na empresa está sendo ameaçado por um de seus colegas. De onde vem?A baixa autoestima é um fator fundamental para o surgimento do ciúme. Pessoas ciumentas costumam ter pensamentos e crenças negativas sobre si mesmas, como a ideia de que podem ser facilmente substituídas. Essa insegurança alimenta ainda mais o ciúme, criando um ciclo vicioso. “A raiz do ciúme está, portanto, no medo da perda, diferentemente da inveja, que é o desejo de estar no lugar do outro”, explica a psicóloga Gabriela Helena da Costa. Nem sempre o vilãoO ciúme nem sempre é o vilão. Esse sentimento costuma ser saudável quando nos ajuda a proteger o relacionamento. No entanto, o seu excesso prejudica as relações. A psicóloga Gabriela Helena da Costa ressalta que sentir ciúme é natural e todos nós podemos experimentá-lo em algum momento da nossa vida. “Quando o ciúme se torna excessivo e começa a interferir negativamente nas relações e no bem-estar emocional, é fundamental buscar ajuda profissional. Deve-se investigar se houve traumas ou eventos passados que podem ter contribuído para a intensificação daquele sentimento”.