[[legacy_image_213445]] Ela continua sendo a cirurgia estética mais realizada no Brasil, mas a colocação de próteses de silicone nos seios se tornou polêmica atualmente. Uma notificação feita, há cerca de um mês, pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador dos Estados Unidos, alerta para o desenvolvimento de alguns tipos específicos e raros de câncer, que se formam no tecido cicatricial ao redor dos implantes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o cirurgião plástico Wilson Novaes, membro especialista titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o explante de silicone, nome técnico para a cirurgia de retirada da prótese de mama, já passou por inúmeros estudos. “Milhões de próteses já foram implantadas e é infinitamente maior o número de mulheres que se beneficiaram e vivem bem com o silicone. Estou tranquilizando as pacientes quanto a isso”, afirma o médico. A chamada doença do silicone não tem relação com o temido câncer de mama. O que está assustando as mulheres é a possibilidade do aparecimento de sintomas raros, desencadeados pelo contato do organismo com um corpo estranho, como cansaço, distúrbios do sono, boca seca... Os incômodos, conforme o especialista, podem (ou não) ser melhorados com a retirada da prótese. “A doença do silicone está descrita, mas não existe a sua comprovação científica até o momento”, ressalta. Conforme Wilson Novaes, os motivos que levam a mulher a fazer essa remoção são diferentes. “Algumas se beneficiaram de próteses avantajadas no passado, mas a exuberância dos seios não faz mais sentido na fase que estão vivendo. Outras aderiram a um estilo de vida mais natural e o silicone passou a não ter mais sentido dentro desse contexto”. É importante ressaltar que a remoção completa da prótese, incluindo a sua cápsula, vai promover um resultado final que dependerá muito do formato original da mama e da sua atual condição. “Podemos fazer uso de uma mastopexia, que é capaz de levantar o tecido das mamas com flacidez, entre outras técnicas para o remodelamento, inclusive o enxerto de gordura retirada de outra região do corpo. Isso tudo não substitui o silicone, mas minimiza o efeito da retirada da prótese e deixa o aspecto mais natural”, explica Wilson Novaes. De acordo com o cirurgião, a prótese de silicone não tem relação com o câncer de mama. O que tem se falado é sobre o tumor de células gigantes, um tipo de linfoma raro, que fica ao redor da prótese e é automaticamente curado após a retirada do silicone. “Também foram atribuídos sintomas inespecíficos e doenças raras, que caracterizam a chamada doença do silicone. No entanto, não existem exames ou trabalhos científicos confiáveis que comprovem a existência dessa enfermidade”. Em pleno Outubro Rosa, conhecido mundialmente como o mês marcado por ações relacionadas à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama, o médico diz que não há relatos de doenças e tumores nas mulheres mastectomizadas e que tiveram o benefício da reconstrução dos seios com as próteses de silicone. “Nessas intervenções, além do ganho estético, há ainda a melhor integração da mulher mastectomizada na sociedade, no trabalho, além de ela ter a autoestima resgatada. Seria um retrocesso impedir essas pacientes de se beneficiarem com a reconstrução”. O cirurgião plástico destaca que há uma infinidade de técnicas e de tamanhos de próteses para a cirurgia de implante de silicone. “É algo individual, que, inclusive, envolve fatores como obesidade, idade, gestação e climatério, além do formato original da mama. Vale citar que, hoje em dia, o silicone é mais moderno, mais firme, mais seguro e de melhor qualidade, fora o índice de ruptura ser baixíssimo. No entanto, é importantíssimo seguir as orientações no pré e pós-operatório. Por mais que as técnicas estejam evoluídas, é preciso respeitar a fisiologia de recuperação do corpo que passou por um procedimento cirúrgico”.