[[legacy_image_285041]] Assim como o menino Totó, de Cinema Paradiso (1988), o meu fascínio por filmes começou na infância. Fui apresentada à sétima arte pelo meu pai, Luís Carlos Farias, um cinéfilo inveterado, em 1981. Ele levou meu irmão e eu à antiga Sessão Coca-Cola, do Cine Roxy, no Gonzaga, em Santos, para assistir a Bambi (1942). Eu tinha 4 anos e, diante daquela tela gigante e brilhante, ao som da música que se tornou o tema da Disney, When You Wish Upon a Star, fui tocada por um profundo amor pelo cinema. O meu pai me ensinou a ver os filmes “por dentro”, conhecendo a história por trás de cada produção, pesquisando sobre o elenco, cineasta, trilha sonora etc. A partir daí, entendi que o cinema é a mais completa das artes, pois nos conquista com textos bem escritos, cenários, sons e trilhas sonoras de qualidade. É a arte que nos provoca emoções e imprime em nossa memória cenas inesquecíveis. É um apelo irresistível. Conheço de tudo um pouco, desde O Garoto (1921), de Charles Chaplin, e ...E O Vento Levou (1939), passando por grandes musicais, como Cantando na Chuva (1952) e A Noviça Rebelde (1965), até Barbie e Oppenheimer, nos dias de hoje. E assisto não só às produções de Hollywood, como também acompanho as de diversos países. Além disso, desde 1990, não perco a cerimônia do Oscar. A era do streamingA chegada dos streamings me deu acesso a quase todos os indicados ao Oscar com antecedência. Neste ano, assisti a mais de 30 produções, entre longas, curtas e documentários indicados nas 23 categorias da premiação. Para mim, as plataformas de streaming disseminam o cinema para uma grande massa a preços módicos e não ameaçam as salas de projeção. Sem falar que a experiência imersiva de se transportar para aquele mundo de sonhos é mais emocionante em uma sala de cinema. Profissão + paixãoComo sou jornalista, tive algumas chances de unir a profissão com a paixão pelo cinema. Já assinei coluna em jornal com dicas e informações sobre filmes, criei um canal no YouTube, o Cinema Bárbaro, e atualmente tenho a oportunidade de apresentar dicas e comentários sobre filmes e séries no JT1, na TV Tribuna, às sextas-feiras. E mais: desde 2018, colaboro com o Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos. Já atuei como jurada, mediadora de debates e narradora do evento. A seguir, reúno os depoimentos de outros cinéfilos, entre eles o jornalista André Azenha, o professor de idiomas Waldemar Lopes e o jornalista e colunista do domingo+ Gustavo Klein. Uma rotina diária, dentro e fora das salas de cinemaPara o jornalista André Azenha, os streamings possibilitam “acesso a filmes que ou não estreariam no Brasil, ou chegariam apenas a São Paulo e ao Rio de Janeiro. Essas plataformas também servem de espaço para filmes feitos exclusivamente a um mercado que chamávamos de home video e que eram lançados diretamente em DVD e sempre tinham algo interessante. Sing Street (2016), um longa sensível e envolvente do John Carney (diretor de Apenas Uma Vez, de 2007), veio direto para a Netflix. Acho que falta aos streamings investirem em clássicos e no cinema feito antes dos anos 1960. Por isso, ainda são importantes filmes em mídia física, vide o sucesso do Bazar da Sétima Arte no último Santos Film Fest. Na Cidade, ainda temos a Vídeo Paradiso”. Azenha afirma que ir ao cinema é um ritual. “Vou toda semana. Diariamente, vejo ao menos um longa-metragem ou episódio de uma série em casa. E me casei com alguém que topa tal rotina, o que ajuda”. Sempre na torcida“O cinema sempre foi muito presente na minha vida, desde bem pequeno, com Superman (1978), Star Wars (1977) e os desenhos da Sessão Coca-Cola. Mas foi em 1984, quando assisti a Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), que me apaixonei e, a partir daí, olhei a sétima arte de outra forma”, conta o jornalista e colunista do domingo+ Gustavo Klein. Para ele, os streamings “facilitam o acesso não apenas às produções de outros países, mas também a filmes e séries mais antigos, que de outra forma ficariam esquecidos. Ainda favorecem os filmes e seriados menores, com orçamentos pequenos e roteiros criativos, o que é muito bem-vindo”. Klein acrescenta: “Tem sido cada vez mais difícil eu querer assistir a um filme no cinema, por diversas razões, que vão do preço ao comportamento das pessoas dentro da sala”. Mas não deixa de torcer pela sétima arte, pois “proporciona uma experiência coletiva que não tem igual. Só que os filmes vão ter que mudar, buscar outras vocações, assim como as livrarias têm feito. Isso, inclusive, já está acontecendo: os cinemas são espaços para celebrações, como pré-estreias, com artistas, diretores, fãs. Exibem finais de campeonatos, concertos, shows e até episódios finais de seriados. O Roxy, em Santos, é exemplar nesse aspecto e exibe até o Oscar ao vivo, com comentaristas – e eu estou entre eles”. Um autêntico fãO professor de idiomas Waldemar Lopes aprendeu a amar o cinema com seu pai, Antonio. “Ele era um português bem-humorado que adorava clássicos de Hollywood e do cinema italiano. Às vezes, ele via dois filmes num mesmo dia nos cinemas, em Santos, e comentava os da TV comigo, com John Wayne, Glenn Ford, Bette Davis... Meu pai adorava Ladrões de Bicicletas (1948), de Vittorio De Sica. Minha irmã me levou ao cinema pela primeira vez quando eu era criança. Foi inevitável não me apaixonar pela sétima arte!” Waldemar Lopes adora os streamings, pois, com eles, dá para assistir a qualquer filme sem precisar sair de casa. “E você pode ver e rever um clássico ou um filme recente quando bem entender ou em partes. Com essas plataformas, o cinema nacional e o que vai além de Hollywood, como as produções argentinas e coreanas, estão cada vez mais acessíveis”. Mas, mesmo assim, o professor ainda prefere “assistir a um filme no cinema, com tudo o que ele proporciona: a telona no escurinho, imagens e sons perfeitos e a pipoca! Um ritual sensacional e insubstituível!” Vale destacar que Lopes se dedica artisticamente à sétima arte. “Faço desenhos e pinturas de cenas de filmes e retratos de atores desde criança. Escrevo resenhas, ministro palestras sobre o Oscar há anos e coleciono um vasto material, especialmente das minhas duas musas, Julie Andrews e Sonia Braga. Eu as conheço pessoalmente e, carinhosamente, mantenho contato com elas. Acho que posso me considerar um autêntico cinéfilo”.